Cidade tcheca Ostrava recupera seu passado

DINAH SPRITZER

New York Times Syndicate

Enormes quantidades de ferro enferrujando e pó de carvão podem não parecer os catalisadores ideais para um renascimento cultural. Mas uma ex-cidade mineradora da República Tcheca, que antes simbolizava a desolação da era comunista, está abraçando sua herança industrial, com uma pequena ajuda do punk rock, uma festa de rua que dura a noite toda e um "castelo" feito de aço.

  • Pavel Horejsi/The New York Times

    Em Ostrava, a Mina de Michal, onde os mineiros ficam com suas roupas penduradas em ganchos, está aberta para visitação e é um local para shows

Por décadas o símbolo mais famoso de Ostrava foi uma pilha de escória de 315 metros de altura, uma pilha cônica de resíduo de carvão. Apelidada de "Ostrava preta" por causa de sua indústria de mineração, que sucumbiu no início dos anos 90, a cidade buscou afastar sua péssima reputação atraindo investimento de alta tecnologia, deixando para trás uma colcha de retalhos de fábricas, minas e depósitos vazios. Agora, um movimento busca revitalizar as propriedades abandonadas.

 

A peça central do novo industrial chique de Ostrava é seu "castelo", a ex-siderúrgica Vitkovice (Ruska 24/83; 420-5 95-95-25-70; vitkovice.cz) no centro da cidade, cujas altas torres e detalhes sutis em art nouveau evocam uma versão industrial do famoso Castelo de Praga (daí seu apelido ligeiramente irônico). A Viktovice foi aberta para visitas em 2007, oferecendo aos visitantes a chance de perambular por um labirinto impressionante de tubos, compressores e máquinas metálicas misteriosas. (O prédio futuramente fará parte de um museu da ciência, centro de conferências e "passeio educativo" no valor de US$ 52 milhões, com inauguração prevista para 2013.)

 

Durante uma visita no ano passado, o músico David Byrne ficou fascinado pela ex-usina. "O lugar é incrível em seu terrível beleza – semelhante às obras em Essen que visitei há dois anos", ele escreveu em seu blog. "Algumas das partes das turbinas pareciam alienígenas ou as estátuas da Ilha de Páscoa."

 

Duas antigas minas também estão assumindo novas encarnações como endereços para exposições e shows, frequentemente com temas industriais. Hlubina, parte do complexo Vitkovice, abrirá para visitas em maio e receberá festas de dança electro-punk e "happenings" de arte. E nos arredores da cidade, a Mina Michal (Ceskoslovenske Armady 95/413; 420-5-96-23-11-60; dulmichal.cz) oferece concertos de jazz e instalações de arte, assim como passeios "um dia na vida de um mineiro" por equipamentos e dormitórios.

 

Mas é a vida noturna a uma viagem de 10 minutos de bonde de Vitkovice, na rua Stodolni (stodolni.cz), onde dezenas de bares e restaurantes surgiram em um trecho de depósitos abandonados do século 19, que se transformou no maior chamariz de turistas da cidade.

 

No Dublin Pub (Stodolni 9; sem telefone; stodolni.cz/klub/dublin/), você pode se juntar ao público com sombra nos olhos e camisa oxford dançando sobre as mesas ao som de remixes europop. O Kralovstvi Pecivalu, ou Reino do Preguiçoso (Stodolni 4; 420-5-96-12-22-62; upecivalu.cz), com dois anos de vida, tem uma atmosfera de masmorra, acentuada pelos clientes com múltiplos piercings e um DJ que toca speed metal.

 

Apesar da revitalização, o potencial de Ostrava de se sofisticar pode ser limitado. Muitos moradores dizem que não gostam de ostentação.

 

"Esta ainda é uma cidade operária, onde você gasta seu dinheiro no bar na noite de sexta-feira, após receber seu pagamento", disse Jason Fitzgerald, um irlandês que é dono de vários pubs em Stodolni. "Se ficar chique demais, Ostrava perderá sua magia."

 

Tradução: George El Khouri Andolfato

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