Antigo presídio da Colômbia, Ilha de Gorgona é ideal para mergulho e observação de baleias

EDUARDO VESSONI *

Colaboração para o UOL Viagem

  • Eduardo Vessoni/UOL

    Vista de uma das ilhotas que podem ser observadas durante passeio pelo Parque Nacional Natural Gorgona, na Colômbia

    Vista de uma das ilhotas que podem ser observadas durante passeio pelo Parque Nacional Natural Gorgona, na Colômbia

Até o início dos anos 80, essa isolada ilha do Pacífico foi o destino que nenhum colombiano desejava conhecer. Situada em uma área de mata fechada, a região era o habitat de imensas e temidas cobras venenosas, recebia as águas furiosas de constantes chuvas e abrigava uma área de isolamento dos criminosos mais perigosos da Colômbia.


"Aqui, só se respira a tristeza", escreveu certa vez um detento. Não é a toa que o local ficou conhecido como a 'Ilha do Esquecimento'. Atualmente, o cenário não é muito diferente, mas as sensações são outras. O que fora um inferno se tornou um dos destinos mais exóticos da Colômbia: a ilha Gorgona, uma área protegida com 62 mil hectares em que apenas 3% se localizam em terra firme.


Declarada Parque Nacional Natural, em 1984, a natureza local vai, lentamente, recuperando o seu espaço. As árvores dessa espessa selva, cujos 70% foram cortados durante o período em que a prisão funcionou em Gorgona, voltam a crescer; o musgo vai pintando com novas cores o triste passado dos pavilhões desativados da penitenciária; e imensas baleias jubarte batem ponto na região, entre agosto e setembro, para a reprodução e cria de seus filhotes (e para a alegria dos visitantes).


Enquanto isso, colombianos e turistas de todo o mundo visitam um dos mais importantes pontos de mergulho daquele país, localizado em uma extensa área protegida que começa em Galápagos, arquipélago equatoriano, e termina na Costa Rica, na América Central. Por isso a lista de animais que visitam a região inclui também três espécies de tartarugas marinhas e tubarões martelo.


Os visitantes com poucas habilidades marinhas contam ainda com caminhadas selvagens mata adentro em que bichos preguiça, macacos prego de cara branca, a rara lagartixa azul e algumas espécies de cobras costumam chamar a atenção dos que se aventuram por trilhas escondidas que terminam em belas praias isoladas banhadas pelo Oceano Pacífico.


Outra atração que surpreende o visitante, não pela beleza mas por conta da triste história que a natureza tenta esconder, são os pavilhões abandonados do que um dia foi a mais temida das prisões do país. Entre 1959 e 1983, Gorgona era a sede de uma penitenciária de segurança máxima que chegou a abrigar 1.300 detentos condenados a mais de 12 anos de reclusão e 300 policias. Parte das celas e das áreas comuns, como o refeitório, banheiros e a cozinha, resistem ao renascimento da selva desde que a ilha foi fechada por violação aos direitos humanos, mas ainda divide a atenção dos visitantes com a beleza rara dessa região de selva úmida.


Mais do que uma violência contra aqueles homens, que viviam em um cenário hostil de assassinatos e envenenamentos, a prisão era um exemplo antiecológico. Semanalmente, queimavam-se entre 10 e 18 toneladas de madeira para abastecer o fogão de onde saía a principal alimentação daquela gente. Acredita-se que serão necessários mais 70 anos para a recuperação total daquela área verde.


De origem vulcânica, Gorgona é conhecida como Ilha Ciência, por conta de sua biodiversidade e, atualmente, é explorada para fins turísticos e investigações ambientais. Localizada a apenas 36 km do continente, a ilha tem acesso controlado e só pode ser visitada com autorização da atual empresa que detém a concessão de uso da ilha.


Os programas incluem hospedagem em casas rústicas que um dia serviram como abrigo e escritórios para os funcionários da penitenciária, além de alimentação preparada pelos 'moradores' do compacto povoado de Gorgona. Não chega a 50 o número de pessoas que passam alguns meses do ano em Gorgona para atender a crescente demanda turística na região.


E basta perguntar para qualquer um daqueles moradores temporários se eles trocariam o local por outro pedaço em terra firme para descobrir que a melhor lembrança de sua estadia vem mesmo da paisagem selvagem que, hoje, esconde uma parte da história que todo mundo faz questão de esquecer.

  • Eduardo Vessoni/UOL

    A principal atração de Gorgona são as baleias do tipo jubarte que costumam frequentar essa área protegida, entre julho e setembro

ATRAÇÕES

 

Todas as atividades nesse parque nacional só devem ser feitas com acompanhamento de guias locais contratados no próprio hotel. Conheça os principais atrativos da ilha:

 

Casa Museo Payán: A mais antiga casa da ilha, construída em 1900, foi um dos principais prédios da penitenciária de Gorgona. Atualmente, abriga um pequeno museu com parte da história da prisão e serve como sede para as palestras, obrigatórias, de introdução ao Parque Nacional.

 

Volta pela ilha: Em um passeio de uma hora de duração, em lancha, o visitante pode conhecer praias locais como a Azufrada, Blanca, Piedra Redonda, Palmeras. A ilha Gorgonilla (proibida para desembarque) e o Aquário Yundigua também costumam estar incluídos no roteiro.

 

Acuario Yundigua: Aquário natural com arrecifes de corais onde é possível realizar sonorkelling e mergulho livre.

 

Trilha Playa Palmera: É a mais procurada pelos que acabam de chegar à ilha e querem conhecer um pouco da fauna e da flora locais. Os 5 km de caminhada leva o visitante a atrativos como o píer onde desembarcavam os presidiários, praias Azufrada, Piedra Redonda, além de uma vista privilegiada de Gorgonilla.

 

Visita à antiga penitenciária de Gorgona: O tour passa pelos pavilhões desativados da mais temida prisão da Colômbia como o refeitório, padaria, lavanderia, dispensas, guaritas, solitárias e celas.

 

Avistamento de baleias: Anualmente, entre julho e setembro, a região recebe as imensas baleias do tipo jubarte que procuram a região para o acasalamento e criação de seus filhotes.

 

Mergulho: Gorgona é considerada um dos melhores pontos de mergulho de toda a Colômbia e conta com um centro que oferece cursos e equipamentos para a prática desse esporte.

 

Ecotienda: O pequeno povoado de Gorgona oferece ao visitante uma loja com produtos artesanais produzidos na região.

 

COMO CHEGAR


Voos diários partem de Cali e Popayán com destino a Guapi, onde o viajante deve tomar uma embarcação que costuma levar duas horas até o destino. A TAC (www.taccolombia.com) e a Satena (www.satena.com) são as empresas responsáveis pelo transporte aéreo na região.


Mais informações


Aviatur
www.aviatur.com

 

Parques Nacionais da Colômbia
www.parquesnacionales.gov.co

 

* O jornalista Eduardo Vessoni viajou a convite da Aviatur.

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