Museu Victoria e Albert , um lar para tesouros escondidos em Londres

PAM KENT

New York Times Syndicate *

Quando abriu em 1852, a missão declarada do Museu Victoria e Albert em Londres era inspirar os designers, fabricantes e artistas da época. Agora, com um novo conjunto de galerias, o museu espera inspirar os visitantes ao conduzi-los pela passagem dos séculos.

  • Jonathan Player/The New York Time

    Área "Renaissance City", no Museu Victoria e Albert, em Londres

Os cadernos de Leonardo da Vinci, peças de altar góticas e uma sala dedicada ao mestre italiano Donatello estão entre o banquete de tesouros em exposição nas dez novas galerias medievais e renascentistas do museu, conhecido localmente como V & A. Ao todo, mais de 1.000 anos de história - da queda do Império Romano até o final da Renascença - estão representados nas galerias, que ocupam três andares e mais de 3.250 metros quadrados na ala leste do museu.

Construídas ao custo de 31,75 milhões de libras (cerca de US$ 50 milhões) ao longo de sete anos, as galerias contam com 1.800 peças, exibidas tanto temática quanto cronologicamente. A inauguração representa a conclusão da primeira fase do plano de reforma do museu, no valor de 120 milhões de libras em dez anos, e reorganização de todo seu acervo.

As novas galerias, que foram inauguradas em 2 de dezembro, incluem centenas de peças não vistas antes, que exigiram uma grande quantidade de trabalho de restauração e pesquisa. "Muitas peças não eram exibidas há 25 ou 30 anos, por precisarem de restauração ou por não terem espaço", disse Moira Gemmill, a diretora de projetos do museu.

Por exemplo, os arcos de pedra das janelas do romanesco Trie-Château do século 12 ficaram guardados desde 1983 porque "não havia um local para eles", disse. Agora o museu pode pegar peças extremamente raras e "inseri-las na cronologia geral".

As placas informativas, que propositalmente foram mantidas ao mínimo, são complementadas por apresentações de computador nas quais o visitante pode interagir com a coleção (é possível folhear os cadernos de Da Vinci, por exemplo; em outras telas os visitantes podem descobrir mais sobre as peças expostas por meio de texto e imagens). "Nós queríamos que os objetos fossem os heróis", disse Gemmill. "Nós não queríamos que ficassem abarrotados de interpretações gráficas, contextuais."

Outras peças são acompanhadas por áudio. Na tapeçaria "Caça ao Javali e Urso", de aproximadamente 1425-1430, os visitantes podem escutar o poeta Simon Armitage lendo uma passagem de tema de caçada do poema narrativo do século 14, "Sir Gawain e o Cavaleiro Verde". Em outras partes, os acompanhamentos são visuais. No coração da galeria "A Cidade Renascentista", um pátio é evocado com uma fonte em funcionamento cercada por esculturas dramáticas.

Em outras apresentações, a escala é decididamente menor. Em uma área dedicada ao estilo e vida renascentista, um armário contém vários copos. Mas apenas um olhar atento pode permitir que o observador note as peculiaridades interessantes. Uma taça, de cerca de 1570, possui um aparato estilo moinho de vento para a haste; o moinho é na verdade um apito que, quando soprado, move os ponteiros de um relógio na base da haste. O truque, aparentemente, era beber enquanto o relógio girava. O fracasso em completar a tarefa significava que o bebedor tinha que tomar o mesmo número de taças adicionais que o número restante no relógio.

Museu Victoria e Albert, Cromwell Road, Londres, SW7 2RL; 44-20-7942-2000; www.vam.ac.uk. Aberto de sábado a quinta, das 10h às 17h45; sextas, das 10h às 22h. Entrada franca.

Texto publicado originalmente em janeiro de 2010
Tradução: George El Khouri Andolfato

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