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Skyline de Chicago conta a história da cidade nascida de um incêndio

JULIANA GUARANY

Colaboração para o UOL Viagem

O ano de 1871 é tão importante para os moradores de Chicago que eles não conseguem parar de falar nele. Em 8 de outubro daquele ano, uma noite de domingo, o estábulo da senhora O'Leary começou a pegar fogo. Não se sabe a razão para isso, mas a grande piada é que o coice de uma vaca derrubou um lampião e destruiu o coração de uma cidade.

Depois de um verão muito seco, o outono se seguiu com dezenas de incêndios acontecendo em toda a cidade. A especulação que se faz é de que os bombeiros estavam exaustos, já que tinham apagado um grande incêndio no dia anterior. Já que a grande maioria das edificações era feita de madeira na época - inclusive pontes, calçadas e até ruas -, o fogo se alastrou rápido, destruindo 5 km² da área central, deixando 300 mortos e um terço da população sem ter onde morar.

Aquela noite significou a ruína e a glória de Chicago. A cidade, que já estava em franco crescimento, ganhou ainda mais subsídios para sua reconstrução. O que ninguém imaginava era o tamanho da ousadia de engenheiros e arquitetos, que aproveitaram a oportunidade para criar alguns dos edifícios mais altos do mundo.
  • Divulgação

    O John Hancock Building é o segundo prédio mais alto de Chicago, nos Estados Unidos, perdendo apenas para a Willis Tower


A grande novidade de Chicago foi criar prédios altíssimos, mas ainda assim, leves. Graças a técnicas de estruturas metálicas, frutos da Revolução Industrial, que surgiam na época, a cidade ganhou um brilho único que a colocou definitivamente no mapa turístico mundial.

O aço ganhou força na segunda metade do século 19, com a proliferação de siderurgias em diversas partes dos Estados Unidos. A utilização desse material na construção civil mostrou-se eficiente e permitiu que se fizessem prédios com mais de 20 andares, os grandes arranha-céus da época, sem precisar de paredes tão grossas quanto as de edifícios feitos de tijolo ou pedra.

A reconstrução de Chicago transformou a cidade em referência na arquitetura. Convidado para presidir o Instituto Tecnológico de Illinois, em 1938, Ludwig Mies van Der Rohe deixou a Alemanha nazista e se mudou para Chicago, onde criou diversos edifícios revolucionários para a época. Sua arquitetura "pele e osso" trouxe a Chicago prédios com mais de 50 andares com estrutura metálica como esqueleto e a pele de vidro em traços retos e simples: "Menos é mais", dizia Van der Rohe.
  • Juliana Guarany/UOL

    Primeiras obras de Mies van der Rohe, arquiteto alemão que revolucionou a forma de se construir arranha-céus ao criar uma estrutura de aço que permitia que os prédios fossem mais leves


A ousadia dos escritórios de engenharia e arquitetura fez com que o centro de Chicago se destacasse do restante da cidade. Hoje, a Willis Tower, mais conhecida como Sears Tower, o prédio mais alto da cidade, com 412 metros de altura e 112 andares, nem parece tão alto por estar cercado de outros tantos gigantes.

Futuro
138 anos depois do incêndio, Chicago continua a se reinventar. A maioria dos antigos arranha-céus foi substituída por outros ainda maiores e a cidade parece estar numa constante reconstrução. Alguns dos principais edifícios foram construídos às margens do rio Chicago, que passou por uma drástica limpeza e teve seu curso invertido no processo.

Dois prédios devem modificar a paisagem local atualmente. O primeiro deles é o Trump Hotel (e condomínio residencial), de Donald Trump. A torre imponente de 92 andares aparece em destaque na famosa imagem do rio Chicago a partir do Lago Michigan. O hotel já está em funcionamento, mas as unidades residenciais estão comprometidas. Apenas 39% delas foram vendidas.

O segundo prédio que deve mudar drasticamente o skyline de Chicago o faz hoje apenas por sua ausência. A Chicago Spire, projetada pelo arquiteto espanhol Santiago Calatrava, seria um edifício residencial de 140 andares e 610 metros de altura tinha a missão de se tornar o maior edifício da América do Norte, tirando o reinado da Willis Tower. As obras começaram em março de 2008. O que os investidores não contavam era que a crise imobiliária americana os atingiria em cheio. Um mês depois de iniciadas as obras da fundação, as máquinas foram retiradas e o que se vê hoje é nada mais do que um buraco, que nem é tão grande como se poderia imaginar para um prédio dessa magnitude. O futuro da obra continua incerto.

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