Ladeiras e muita cerveja em 36 horas em Cork, na Irlanda

MICHAEL MCDERMOTT

New York Times Syndicate

Apesar de Cork ser oficialmente a segunda cidade da Irlanda, não diga isso para um de seus orgulhosos habitantes. A resposta melodiosa - provavelmente dada com um forte sotaque irlandês salpicado com gammin (gíria de Cork para gíria de Cork)- pode conter ataques jocosos contra a cidade maior no mar Irlandês. Mas é esta chama e entusiasmo de Cork, um vestígio da história rebelde da cidade, que cativa o visitante e - juntamente com seu cenário pitoresco ao longo do Rio Lee e sua dedicação às artes e à boa comida e bebida - a transforma em uma rival convincente de Dublin. Nos longos dias de verão, o tamanho compacto de Cork a transformam na cidade perfeita para percorrer a pé, desde que você tenha calçados bons para caminhar e um pouco de entusiasmo para as poucas ladeiras íngremes.



Sexta-feira

16h30 - Sinos ao chegar
Para uma introdução à cidade, suba a colina ao norte do centro da cidade até o distrito de Shandon e a Igreja de St. Anne, construída em 1722 com arenito e pedra calcária, uma combinação de cor vermelha e branca tão popular entre os moradores que decidiram desenhar a bandeira da cidade para combinar. Para a melhor vista da cidade, suba as escadas de pedra da torre (seis euros, cerca de US$ 8,50, com o euro cotado a US$ 1,41), alertando a cidade de sua chegada ao tocar os oito sinos que você encontrará ao longo da subida. Partituras úteis demonstram como tocar clássicos apropriados como "The Bells of Shandon", ou canções mais improváveis como "Two Out of Three Ain't Bad" do Meat Loaf.


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    A melhor vista da cidade está no alto da Igreja de St. Anne


17h30 - Uma bebida tirada do poço
Mantendo o espírito sacro, faça sua próxima parada na Franciscan Well Brewery (14b North Mall; 353-21-421-0130; www.franciscanwellbrewery.com), uma microcervejaria (ainda uma raridade na Irlanda) e pub (menos) construída no local de um mosteiro franciscano onde, segundo a lenda, a água do poço realizava curas milagrosas. Atualmente a água pode vir dos canos municipais, mas a cerveja jorra de forma livre e abundante para os padrões irlandeses. A leve e refrescante Friar Weisse de trigo e a robusta Rebel Red são opções excelentes da casa (cerca de 4,50 euros o quartilho). Ou escolha entre o punhado de outros chopes e uma variedade de garrafas importadas, certamente o suficiente para deixar você langerated, magalorim ou mombolised (modos corkonianos para descrever ficar embriagado).

19h - Tapas, estilo irlandês
O Boqueria (6 Bridge Street; 353-21-455-9049) serve tapas espanhóis, com um toque de ingredientes irlandeses clássicos, em um pub convertido. O prato de embutidos (15,50 euros) oferece chouriço defumado e salame da Gubbeen Farmhouse local, assim como um rico patê de fígado de frango, presunto serrano e tiras do cremoso queijo Manchego coberto com geléia de marmelo. Para uma opção vegetariana decadente, experimente os piquillos, pimentão vermelho recheado com renomado queijo de cabra Ardsallagh local misturado com amêndoas moídas. Uma longa carta de vinhos espanhóis fornece o acompanhamento líquido.

22h - O chamado das flautas
A música tradicional está viva e passando bem no Sin E (a pronúncia é xin-ai, É Isso em irlandês gaélico; 8 Coburg Street; 353-21-450-2266), um pub que poderia facilmente ter sido transplantado de East Village, Nova York, se não fosse pela ocasional cadeira de barbeiro (é possível cortar o cabelo e beber uma cerveja, simultaneamente). Uma miscelânea de cartazes de concertos de rock, fotos e cartões postais está pendurada nas paredes e no teto, emoldurando sessões musicais onde forasteiros e frequentadores regulares são igualmente bem-vindos. Uma mistura de jovens e velhos toca violinos, banjos e flautas noite adentro mesmo quando o som ambiente da casa é ligado.


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    Sin E, um dos mais tradicionais pubs da cidade


Sábado

10h - Carne e mercado
Encha a barriga cansada de cerveja com um baat, um sanduíche de café da manhã irlandês (7,50 euros) - fatias finas de carne, salsicha e pudim de sangue juntos em um pão integral com nozes e manteiga - no Farmgate Cafe (Mercado Inglês; 353-21-427-8134). Os ingredientes chegam frescos do vizinho Mercado Inglês (Centro da Cidade, entradas pela Grand Parade, Princes Street e Patrick Street), em funcionamento há mais de 400 anos e claramente visível do seu lugar no segundo andar do café. Observe os moradores locais comprando carnes frescas, peixes, queijo e pães, ou visite as bancas pessoalmente, matando seu desejo por queijo de ovelha ou carnes defumadas no On the Pig's Back (353-21-427-0232; www.onthepigsback.ie), ou analisando os vários ingredientes da especialidade local tripe and drisheen (uma línguiça de sangue).

12h - É melhor acreditar que é manteiga
Para uma surpreendentemente envolvente e multifacetada visão da história, visite o Museu da Manteiga de Cork (O'Connell Square; 353-21-430-0600; www.corkbutter.museum; entrada para adultos, quatro euros). Os temas incluem de tudo, do legado medieval do roubo de gado e batismo das crianças em leite até o crescimento econômico promovido pela indústria de laticínios. Depois passe para os doces na vizinha Linehan Hand Made Sweets (37A John Redmond Street; 353-21-450-7791), onde os Linehans preparam doces à moda antiga há quatro gerações (1,50 euro o saco).

14h - Comida e arte unidas
Com cansaço após subir as ladeiras? Pare no Crawford Art Gallery and Cafe (Emmet Place; 353-21-490-7855; www.crawfordartgallery.ie). A ex-aduana arejada, construída em 1724, desafia a reputação esnobe e cara dos restaurantes-museus. Um cardápio que muda sempre oferece opções como uma sopa rica e cremosa de pepino, alface e hortelã (5,20 euros) e uma tortilla espanhola acompanhada por pasta relish (10,50 euros). Fawn Allen, a gerente do restaurante, vem da família que fundou a mundialmente famosa fazenda e restaurante Ballymaloe House, em County Cork. Dê uma olhada na coleção de obras clássicas e modernas do museu e não perca as aquarelas do artista irlandês de vitrais, Harry Clarke. A entrada é franca.

16h - Peregrinação no varejo
Junte-se aos moradores locais na St. Patrick's Street e ruas ao redor, onde é possível encontrar artistas de rua tocando violino e pandeiro ao lado de uma trupe de teatro de bonecos. Nesse centro comercial, é possível encontrar uma tábua de cortar de Bunbury, que pode ser rastreada por meio de seu número de série até a árvore irlandesa de onde veio, assim como cerâmica de artistas irlandeses na Meadows & Byrne Home Store (Academy Street; 353-21-427-2324; www.meadowsandbyrne.com). Na Samui (17 Drawbridge Street; 353-21-427-8080; samuifashions.com), cheque a moda feminina de luxo de autoria das estilistas irlandesas Lainey Keogh e Roisin Linnane.


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    Opções criativas fazem parte do menu do Ivory Tower


19h - Vale a pena subir
Encontre o caminho até uma porta lateral montada com um busto de armadura alado no alto e suba até a Ivory Tower (35 Princes Street; 353-21-427-4665; www.seamusoconnell.com), uma criação de Seamus O'Connell, um chef nascido nos Estados Unidos. Durante uma visita no final da primavera, o cardápio habitual (quatro pratos por 60 euros por pessoa ou um cardápio de degustação de sete pratos por 75 euros) incluía opções criativas como língua com biscoito champanhe e relish de anchova, carpaccio de pombo com raiz de beterraba e eruca, e magret de pato com suco balsâmico de amora e chicória assada.

22h - Fuga dos violinos
Para uma noite sem flautas e violinos, vá ao Pavilion (Carey's Lane; 353-21-427-6230; www.pavilioncork.com), um ponto badalado de proeminência recente tanto como lounge agradável com bons ritmos no andar de baixo quanto espaço preferido de atrações ao vivo e clube noturno no andar de cima. As sessões Go Deep na noite de sábado oferecem DJs irlandeses e estrangeiros novatos e veteranos, alguns acompanhados por músicos ao vivo. O teto abobadado elevado do espaço do clube serve como um lembrete cheio de estilo da encarnação original do prédio como um dos primeiros cinemas de Cork, aberto em 1921 (a entrada custa 14 euros para o andar de cima e é gratuita no andar de baixo).


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    Jardins bem-cuidados fazem parte do cenário do Fitzgerald Park


Domingo

11h - Apreciando o rio
Apesar de parecer impossível escapar do Rio Lee no centro da cidade, para vistas mais atraentes e uma melhor chance de apreciar as águas, vá ao Fitzgerald Park, a oeste do centro da cidade ao longo do Passeio Mardyke. Pegue um bolinho (1,50 euro) no Riverview Cafe (atrás do Cork City Museum no parque; 353-21-427-9573) e caminhe entre as árvores, fontes e jardins bem-cuidados, onde o riso das crianças e as respostas de seus pais se misturam ao fluxo preguiçoso do rio.



O básico


Várias companhias aéreas, incluindo a Aer Lingus e a Ryan Air, voam para Cork de Dublin, Shannon ou Londres. Os táxis do Aeroporto de Cork para o centro da cidade custam cerca de 12 euros (cerca de US$ 17, com o euro cotado a US$ 1,41), enquanto os convenientes ônibus CityLink custam cinco euros (oito euros para ida e volta).

Os quartos de luxo projetados individualmente do Imperial Hotel (South Mall; 353-21-427-4040; www.flynnhotels.com/Imperial_Hotel/index.html; quartos a partir de 79 euros) já passaram por várias reformas desde que o herói nacional Michael Collins passou sua última noite lá, em 1922, antes de ser assassinado no dia seguinte. Múltiplos restaurantes e o salão e spa Escape oferecem hospitalidade adicional ao viajante cansado.

O Hotel Isaacs (48 MacCurtain Street; 353-21-450-0011; www.isaacs.ie; quartos a partir de 69 euros) oferece quartos assim como apartamentos em um prédio vitoriano cuidadosamente restaurado.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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