Descubra a globalizada Calcutá

SOMINI SENGUPTA

New York Times Syndicate *

Em um dia chuvoso no final do século 17, um agente empreendedor da Companhia Britânica das Índias Orientais chamado Job Charnock navegou pelo rio Hooghly, um afluente do Ganges que desce do alto dos Himalaias até a Baía de Bengala, e armou uma tenda em suas margens pantanosas. A companhia tinha comprado três aldeias à beira do rio. Logo elas se transformariam em um porto - transportando ópio, musselina e juta - e então, na condição de capital da Índia britânica até 1912, atrairia conquistadores, sonhadores e pessoas famintas de todo o mundo.
  • Ruth Fremson/NYT

    As ruas da Esplanada, em Calcutá, mostram o caos e a diversidade da Índia


Nascia Calcutá, a primeira cidade moderna da Índia.

Ao longo dos anos, ela adquiriu muitos nomes: Cidade dos Palácios, Buraco Negro, Cemitério do Império Britânico. Em 2001, ela foi batizada de Kolkata - de pronúncia mais lenta, mais redonda, soando bem mais bengali.

Para mim, sempre foi uma cidade de venezianas verdes. Elas são uma característica peculiar das casas antigas de Calcutá. Elas brilham com o calor úmido da tarde. Árvores às vezes brotam dos peitoris mofados.

Para caminhar e conversar

Eu parti de Calcutá quando era pequena e prontamente esqueci o que sabia, tão espessa é a cortina de veludo que a criança imigrante fecha sobre a memória. Nos intervalos de alguns poucos verões, quando minha família retornava para férias, eu era escoltada da casa de um parente para outro, repreendida por ser magra demais e alimentada à força com muitos doces. Na Park Street, eu era invariavelmente abordada por uma criança descalça e faminta. A única coisa mais confusa do que ir para Calcutá era voltar para casa, para o suburbano sul da Califórnia; como explicar a cidade da noite pavorosa (frase de Rudyard Kipling, não minha) para amigos que passaram o verão ouvindo Olivia Newton-John?

Nos últimos quatro anos, após várias viagens de reportagem para lá, a cidade se revelou lentamente para mim, abrindo um olho sonolento de cada vez. Calcutá hoje é tão paroquial quanto moderna. Ela vive no passado tanto quanto permite que seu passado se desfaça. A primeira cidade global da Índia, ela está repleta de restos de muitos mundos: os riquixás que os chineses trouxeram; um cemitério armênio; o jazz deixado pelos americanos nos anos da guerra.

É uma cidade para caminhar e conversar: ela oferece grande potencial para bisbilhotar, mesmo se você entender apenas inglês, e é perfeitamente aceitável puxar conversa com estranhos, seja sobre a chuva ou Shakespeare.

Acima de tudo, em Calcutá, você pode comer o mundo. Os chefs reais que vieram para cá da corte de Mughal, no norte de Índia, trouxeram o ensopado rezala de carne de carneiro temperado com cardamomo. O Raj britânico ofereceu um canapé de queijo e abacaxi. De Bagdá, os antepassados judeus de David Nahoum trouxeram o sambusa recheado com queijo ao novo mercado de Calcutá.

Para o viajante com tempo limitado, a melhor forma de explorar Calcutá é mais ou menos traçar a rota do Hooghly, serpenteando pelas principais vias e fora delas a pé, de bonde ou metrô. Este não é um destino de luxo. É mais como uma jornada por camadas sujas do tempo. A história está inscrita em cada rua, como tatuagens em uma diva idosa. Calcutá já foi uma diva e tanto.

Você poderia começar tomando um bonde na Esplanada, ao norte do Oberoi Grand Hotel, e seguir para o norte pela College Street, atualmente rebatizada de Bidhan Sarani. A última vez que tentei, o bonde se arrastou em meio ao trânsito e então parou totalmente por falta de luz. Se você descer perto da College Street, como fiz, abra caminho pelos becos densos de livros (a maioria livros escolares usados, mas uma caçada meticulosa pelas ruas de Calcutá pode encontrar jóias, como um livro infantil de boas maneiras da China comunista, traduzido para o inglês, que eu procurava) até a Indian Coffee House. Construída no final dos anos 1800 como o Albert Hall para celebrar a visita do príncipe consorte, ela posteriormente se transformou na instituição mais venerável da cidade para flertes e conversas revolucionárias. Ainda há abundância de flertes.

Os garçons não conversam. Eles olham com cara feia por sob seus turbantes brancos, pretos nas dobras. Eles se queixam de que ninguém pede nada. Um caixa me disse no ano passado que o café dá prejuízo há mais de 25 anos. Com sentimento de culpa, pedi uma pakora vegetal frita. Desde o início, Calcutá confrontou alguns dos debates mais agudos da modernidade. Ao longo de três séculos, a tolice e genialidade do capitalismo global deixaram sua marca na minha cidade, assim como os comunistas, que foram eleitos ao poder por 31 anos consecutivos. Agora a Nova Índia enfia seu dedo na barriga caída de Calcutá. As velhas casas estão dando lugar a prédios altos de aço e vidro, com seus detalhes Calcutá Déco descartados como cabeças de peixe. A Flury's, antes uma pâtisserie europeia clássica, agora serve lasanha ao estilo americano em vez dos sanduíches de pão branco e pepino da minha infância. A foice e o martelo continuam sendo o refrão dos grafites de Calcutá, interrompidos agora por cartazes de cursos de inglês, a foice e o martelo da atual aspiração indiana, poderia-se dizer.

"Grandes cidades envelhecem e de alguma forma se renovam", disse Mani Sankar Mukherji, cujo notável romance de 1962, "Chowringhee", narrava a vida dentro de um ruidoso hotel de Calcutá na metade do século. Calcutá, ele confessou, não pode ser chamada de uma grande cidade.

Pradip Kakkar, que, juntamente com sua esposa, Bonani, lidera um lobby dos cidadãos chamado Public, sigla em inglês para "Pessoas Unidas por uma Vida Melhor em Calcutá", foi um pouco mais generoso. "Calcutá está renovando a si mesma", ele disse.

A Public tem feito campanha para remoção dos outdoors que obstruem os prédios históricos e para salvar os mangues que drenam e limpam naturalmente o esgoto de Calcutá. A cidade não tem usina de tratamento de esgoto. Os mangues, disse Kakkar, são como o rim da cidade. Também são o santuário de cormorões e alvéolas, onde pescadores e agricultores cultivam alimento em uma colcha de retalhos de lagos e campos.

O novo e o velho

Dobrando a esquina da Coffe House, na College Street, fica o Presidency College, fundado por filantropos indianos em 1817 como um centro para ensino do pensamento europeu. Ao redor da caixa d'água da College Street se encontram três prédios que testemunham a herança mista de Calcutá: a Missão Batista, no chamado estilo arquitetônico indo-sarraceno; o templo budista Mahabodi, fundado por um monge do Sri Lanka; e a Sociedade Teosófica de Bengala, um dos primeiros movimentos religiosos esotéricos do Oriente que encontra o Ocidente do mundo.

Uma curta viagem de bonde no sentido norte pela College Street leva ao Bethune College, criado em 1849 como a primeira escola para moças da cidade, um feito notável, considerando que a maioria dos indianos privilegiados mantinha suas mulheres em isolamento social na época. Minha avó, uma filha de advogado, só pôde estudar até os 13 anos.

No lado sul da faculdade fica o Girish Chandra Dey & Nakur Chandra Nandy, de propriedade familiar e fabricante do célebre shondesh bengali. Para seus detratores, eu entre eles, o shondesh, um doce bengali de queijo, lembra cimento. Para seus fãs, ele é a prova do amor divino, comido a qualquer momento do dia e sempre que há algo a celebrar.

Pranab Nandy, 46 anos, um confeiteiro de quinta geração, estava sentado de pernas cruzadas trajando um dhoti e camiseta branca grossa em um dia incomumente quente para a estação, em janeiro. Ele parecia nem um pouco preocupado com os gostos dos novos indianos afetarem seus negócios. "A demanda continua. Sempre continuará", ele disse. "Sempre que há felicidade, precisa haver shondesh."

No inverno o shondesh é adoçado com xarope de palma, e ele tinha chegado do interior naquela tarde, em jarros de terracota. Nandy, sem se mexer de seu assento, pediu que trouxessem suas mais recentes criações - um recheado com coco e nozes, outro injetado com xarope de palma como se fosse trufa, um terceiro embebido em xarope. As paredes verdes da cozinha industrial de Nandy estavam forradas de pôsteres de deusas hindus. Homens estavam sentados no chão, preparando cada shondesh em moldes de madeira. Mas os os Nandys não deram as costas para a Nova Índia. Eles atualmente possuem um outlet dentro de um supermercado com ar condicionado.

Da loja de Nandy, você pode caminhar (a menos que esteja carregando muitas sacolas de shondesh, como eu) para o norte e então para oeste, para o coração da antiga Black Town ("cidade negra"), onde os indianos ricos e pobres ficavam concentrados nos tempos altamente segregados do império. Não há um planejamento urbano evidente. As ruas são tão estreitas que é difícil a circulação de carros; eles as congestionavam no passado e ainda o fazem.

Chitpur Road era o centro nervoso de Black Town. As mansões de dentro e fora deste bulevar, atualmente chamado Rabindra Sarani, são uma mistura esquisita de Ocidente e Oriente -introvertidas para os pátios segundo a tradição arquitetônica indiana e exibindo fachadas ocidentais fabulosas, com pilares coríntios e ninfas nos frontões.

Black Town foi construída por aqueles a quem Krishna Dutta, em seu livro "Calcutta: A Literary and Cultural History", chama de intermediários bengalis do império, que "patrocinavam a música clássica indiana e as artes europeias, davam banquetes fartos e cortejavam os ingleses". Eles são retratados de forma lírica no romance "Sea of Poppies", de Amitav Ghosh.

As mansões estão a estágios de ruína. O auge do kitsch é o Palácio de Mármore, aberto ao público com autorização do escritório de turismo do governo e repleto de candelabros de cristal e leões de pedra. Geoffrey Moorhouse, em seu livro, "Calcutta: The City Revealed", diz que ele parece "como se tivesse sido pego dentre lotes miscelâneos em Portobello Road, em uma série de tardes chuvosas de sábado".

A casa da família de Rabindranath Tagore fica na Dwarkanath Tagore Lane. As mansões menos conhecidas ficam nas alamedas menores, ocupadas por fragmentos das famílias. Velhos saris são pendurados para secar nas sacadas e cães dormem aos pés de estátuas de Vênus.
  • Ruth Fremson/NYT

    Em Black Town os indianos ricos e pobres ficavam concentrados nos tempos segregados do império


Uma travessa da Chitpur Road, a alameda leva você à colônia dos ceramistas, Kumartoli (peça orientação para encontrar o caminho), uma oficina singular a céu aberto onde deusas e deuses são moldados à mão, tradicionalmente usando pó da soleira dos bordéis próximos. O poderoso sindicato das prostitutas da cidade agora faz objeção a esta prática. Kumartoli é mais movimentada no outono, às vésperas da temporada de festivais hindus.

Vários artesãos trabalham ao longo de Chitpur Road: fabricantes de perfumes tradicionais, vendedores de túnicas bordadas, fornecedores de perucas, uma série de lojas de instrumentos musicais (na N.N. Mondal's, foi reparado o violino de Yehudi Menuhin em 1952) e sapateiros chineses.

Estas alamedas também foram o local onde a cidade foi brutal consigo mesma no verão de 1946, enquanto os britânicos se preparavam para partir e a Índia estava prestes a ser dividida. Hindus degolaram muçulmanos; muçulmanos degolaram hindus; Gandhi correu para a cidade e deu início a uma greve de fome. Todas as famílias, inclusive a minha, testemunharam a carnificina ou participaram dela. Por trás das venezianas verdes há histórias.

Um bom lugar para parar e pensar no passado é o bar no piso térreo do Broadway Hotel, na avenida Ganesh Chandra. A luz da tarde faz penetrar um brilho dourado pelas venezianas. Do outro lado da rua, acima de um posto de gasolina, se encontra uma gema escondida, chamada Eau Chew, onde Joseph e Josephine Huang servem um fabuloso peixe em molho de feijão preto.

White Town ("cidade branca"), ou o centro do governo e negócios britânicos, surgiu ao redor de seu próprio tanque de água potável e passou a ser conhecida como Dalhousie Square. Ela depois foi batizada de B.B.D. Bag, em homenagem aos três jovens armados - Binoy, Bedal e Dinesh - que invadiram o escritório administrativo britânico, o Writers Building, em 1930, e mataram a tiros o inspetor britânico. Uma estátua preta do trio está diante do Writers Building, atualmente sede do governo comunista de Bengala Ocidental. A modernidade continua sendo debatida. Protestos estouraram aqui contra um plano para fabricação do carro mais barato do mundo, o Tata Nano, em uma fábrica nos arredores da cidade. Os camponeses se revoltaram e o Nano agora está sendo fabricado em outro lugar.

Calcutá tem mais um herói guerrilheiro: Subhas Chandra Bose, que rompeu com o movimento pacífico de Gandhi para montar um exército contra os britânicos. A narrativa central da antiga mansão de sua família na Elgin Road, atualmente um museu dedicado a Bose, é sua "grande escapada" da prisão domiciliar. Pegadas vermelhas na sacada marcam como ele saiu de fininho em uma noite de janeiro de 1941. O Wanderer cinza no qual fugiu está estacionado na entrada. Em uma galeria há uma coleção extraordinária de fotografias, incluindo uma de Netaji - "líder respeitável", como ele é conhecido - apertando a mão de Hitler em 1942; aparentemente, ele aceitava ajuda de onde quer encontrasse.

Todo guia opinará sobre os pontos turísticos de Dalhousie Square, que o World Monuments Fund lista como um dos 100 patrimônios históricos mais ameaçados. Eu recomendo uma visita à Central dos Correios e ao vizinho Museu Postal, para sua coleção de velhos selos e as fivelas de bronze dos corredores "dak", ou carteiros, que transportavam as cartas a pé.

Os primeiros estrangeiros de Calcutá frequentemente morriam cedo, às vezes antes de receberem alguma carta do exterior. O Escritório de Cartas Devolvidas guarda as cartas dos mortos. Ele fica no canto sudeste da praça. O Cemitério de Park Street, a uma curta corrida de táxi de Dalhousie Square, oferece mais prova da pestilência que pairava sobre os imperialistas. O museu dentro do Victoria Memorial é um arquivo da ambição imperial. Na outra margem do rio fica outro tipo de arquivo: o Jardim Botânico Indiano, que possui árvores de cinco continentes, mas cuja coleção é mal sinalizada, os bancos estão quebrados e parece mais adequado para fãs de animais de estimação do que para botânicos.

Grande parte de White Town está mal cuidada. Um incêndio misterioso destruiu grande parte da sede da MacKinnon Mackenzie, uma proeminente representante da indústria britânica em Calcutá. Os Bow Barracks, os antigos quartéis de tijolos vermelhos do exército e atualmente lar de chineses e mestiços conhecidos aqui como anglo-indianos, deverão ser demolidos. Grupos como o Public estão começando a pressionar a cidade para começar a preservar seu passado. A Igreja de Santo André, construída pelos escoceses em 1818, foi iluminada como forma de atrair investimento e turistas ao centro da cidade. "Não há mais a ansiedade de sermos obrigados a nos mostrarmos anticolonialistas", disse o comissário municipal da cidade, Alapan Bandyopadhyay.

Muitos contrastes

O sul de Calcutá tem duas atrações, que valem a pena ser visitadas de metrô. O Templo Kalighat é um quadro de fé, sangue e atropelo. Os devotos se prostram diante da deusa negra, bodes são sacrificados e vendedores, alguns vestidos em trajes de homens santos, guiam os turistas. Os pobres sentam-se na rua na hora do almoço, para uma tigela de arroz. É difícil imaginar um destino pior do que ser pobre em Calcutá. A fome ainda persegue a cidade.

O Tollygunge Club fica mais ao sul. Construído em uma mansão privada da era do Raj, ela foi a residência da família de Tipu Sultan, outro rei indiano deposto de Mysore, no sul, e então se transformou em um clube só para brancos em 1895, tendo uma pista de corrida como principal atração. Os indianos passaram a frequentar o bar em 1964, mas logo passaram a ser vistos como inimigos de classe. Um guerrilheiro maoísta matou a tiros o diretor do clube em 1971. Ele estava sentado em seu escritório no segundo andar no momento, com as janelas da mansão paladiana voltadas para o sul, para receber a brisa. Hoje, ele é basicamente um clube de golfe. Chacais estabeleceram suas tocas aqui. Eles parecem gostar de assistir golfe.

O que a renovação de Calcutá, como colocou Kakkar, fará à alma da cidade é motivo de discussão.

Aveek Sem, um crítico de fotografia do "The Telegraph", um jornal de Calcutá, estava pessimista. "Todas as coisas pelas quais Calcutá é conhecida estão em uma irreversível..." ele parou para encontrar a palavra, e então fez um movimento para baixo com a mão.

Os dias de glória do teatro bengali há muito são coisa do passado, ele disse. Assim como a Academia de Belas Artes, antes um ícone orgulhoso do modernismo de Calcutá, apesar da abertura de várias galerias privadas nos últimos anos. O maior evento cultural da cidade é uma feira anual do livro, mas novos livros e jornais estrangeiros, facilmente encontrados em Déli, dificilmente chegam aqui. Sen frequentemente dá uma escapada para Déli. Ele disse que a vida cultural de Calcutá está "asfixiante".

"Em Calcutá, as pessoas se acostumaram à privação e a transformaram em virtude", ele concluiu. Então ele fez uma pausa, oferecendo um vislumbre da alma de Calcutá. "Eu digo todas estas coisas desagradáveis sobre minha cidade. Mas eu amo viver aqui."
  • Ruth Fremson/NYT

    O museu localizado no Victoria Memorial é um arquivo da ambição imperial


Se você for

Em uma Índia repleta de ambição apressada, Calcutá, com cerca de 13 milhões de habitantes, permanece um tanto não-conformista, com o glamour em grande parte evitado. Espere ver homens de meia-idade trajando o tradicional dhoti-punjabi, uma combinação de túnica e calça pantalona, em vez de trajes ocidentais; datilógrafos de aluguel repletos de trabalho sentados em mesas na calçada; e riquixás puxados a mão. Bons guias de turismo são difíceis de encontrar, mas dois que oferecem informação útil e fáceis de achar são o "Lonely Planet India" e "Let's Go India".

Para uma caminhada na cidade, arme-se com um bom mapa, disponível em bons hotéis ou livrarias, como a Oxford Book Store em Park Street. As ruas não são bem sinalizadas; peça informações. Os moradores de Calcutá se levantarão de seus assentos e praticamente levarão você até onde deseja ir. O inglês é amplamente falado.

A Calcutta Walks (www.calcuttawalks.com) oferece excursões a pé por Black Town, White Town e o que chamam de Gray Town ("cidade cinza"), onde se estabeleceram mercadores marwaris, judeus de Bagdá, zoroastrianos da antiga Pérsia e outros. O melhor de tudo: as excursões param para lanches. As caminhadas levam de duas horas e meia a três horas e custam 1.000 rúpias, ou cerca de US$ 20, com o dólar cotado a 50 rúpias.

Onde parar

Indian Coffee House (15 Bankim Chatterjee Street, uma travessa da College Street; 91-33 2237-5649).

A colônia Kumartoli, o tradicional bairro dos ceramistas, nas alamedas entre Chitpur Road e as ruas Hooghly, Sovabazar e Banamali Sarkar.

A Mesquita Nakhoda, Chitpur Road e Zakaria Street; os restaurantes muçulmanos ficam próximos, alguns rotulados como "vegetarianos puros" e outros repletos de carne de carneiro.

A Central dos Correios e o adjacente Museu Postal, Dalhousie Square.

A Igreja de São João, 2/2 Council House Street, ao sul da Dalhousie Square, local do túmulo de Job Charnock.

O elevado Victoria Memorial Hall fica no Maidan, o amplo parque ao sul de Dalhousie Square. Em seu interior fica um museu da história da Índia imperial (91-33-2223-1890; www.victoriamemorial-cal.org). O museu abre das 10h às 17h de terça a domingo; a entrada para não-indianos custa 150 rúpias.

O Jardim Botânico Indiano fica na outra margem do rio, no distrito de Howrah (91-33-2668-0554; aberto diariamente das 8h às 16h30).

Templo Kalighat, 9 Bhagabati Lane, travessa da Kalighat Road, perto da estação do metrô de Kalighat.

Onde comer

No Eau Chew (12 Ganesh Chandra Avenue; 91-33-2237-8260), o peixe no molho de feijão preto custa de 450 a 550 rúpias.

O Kewpie's (2 Elgin Lane, 91-33-2486-1600; www.kewpieskitchen.com) serve comida bengali caseira tradicional. Kewpie foi Minakshie Dasgupta, uma das mais importantes escritoras de culinária da cidade; sua filha, Rakhi Purnima, dirige o restaurante agora fora da casa da família, e suas flores de bananeira no vapor, ou mocha, em bengali, são um pedido obrigatório. Servidas em pratos de terracota, as refeições vegetarianas custam 350 rúpias; para peixes e carnes, a refeição custa 450 rúpias.

O Prince Restaurant (91-33-2252-1432) é uma opção excelente e despretensiosa na Free School Street, atualmente Mirza Ghalib Street. Bhupendra Saha vai ao mercado toda manhã após o amanhecer em busca de peixe, que é preparado segundo as receitas de Bengala Oriental de sua esposa. Na minha última visita, o camarão com molho de leite de coco custava 90 rúpias.

O que fazer à noite

"Eles me disseram, 'Se quiser tocar jazz, cara, vá para Calcutá'", lembrou Carlton Kitto, um guitarrista de gravata borboleta. Nenhuma viagem a Calcutá é completa sem uma noite na Park Street, que já foi uma meca do jazz. Clubes antes margeavam a Park Street e Chowringhee: Mocambo e Moulin Rouge, Firpo's e o after-hours Golden Slipper. No final dos anos 70, a maioria dos músicos tinha partido para Bombaim, mas Kitto permaneceu e toca standards toda noite em um bar tranquilo chamado Chowringhee, dentro do Oberoi Grand Hotel; ele fica cheio às 23h.

O rock bengali se transformou na trilha sonora da cidade; um dos seus espaços mais populares é um clube chamado Someplace Else, um dos três bares no piso térreo do Park Hotel (17 Park Street, 91-33-2249-9000; calcutta.theparkhotels.com). Em uma noite recente, se apresentou uma banda cover do Deep Purple.

Ao lado, no Trincas (17/B Park Street; 91-33-2229-7825), você pode dançar quase todas as noites ao som de uma banda ao vivo, a maioria de rhythm and blues.

Onde ficar

O Fairlawn Hotel (13/A, Sudder Street, 91-33-2252-1510; www.fairlawnhotel.com), dirigido por uma família armênia de Calcutá, fica na artéria central para o viajante econômico. Um famoso lutador chamado King Kong teria se hospedado lá e quebrado parte dos móveis. Eles foram substituídos. Um quarto duplo custa 2.500 rúpias, incluindo refeições, na baixa temporada (final da primavera e verão).

O Oberoi Grand Hotel (15 Jawaharlal Nehru Road, 91-33-2249-2323; www.oberoikolkata.com) é de uma opulência à moda antiga, situado atrás dos arcos ao longo de Chowringhee. Um quarto duplo pode ser reservado online na baixa temporada por 7.500 rúpias.

Tradução: George El Khouri Andolfato

* Texto publicado originalmente em maio de 2009

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