Equador tem atração imperdível para "ecosurfistas", a viagem de trem no Nariz del Diablo

JOÃO PERES

Colaboração para o UOL Viagem

Viajar em trens na América do Sul não é algo corriqueiro: são poucas as linhas que sobreviveram à onda rodoviária do século passado. Fazer turismo sobre o trem é algo que só acontece em um lugar: Equador. Para ser mais preciso, em Riobamba, distante pouco mais de três horas da capital Quito, na região central do país. Vista do alto, uma parte da área apelidada por Alexander Von Humboldt como "Avenida dos vulcões" fica muito mais interessante - é bom dizer que o maior dos picos equatorianos, o Chimborazo, com 6.310 metros de altura, é o primeiro do trajeto.
  • João Peres/UOL

    Depois de algumas horas de viagem no trem do Nariz del Diablo, no Equador, a cidade de Alausí surge no horizonte

É preciso acordar cedo para embarcar no trem conhecido como "Nariz del Diablo": a saída acontece, geralmente, entre seis e sete da manhã, embora atrasos não sejam exceção. No começo, o frio pode ser um incômodo de acordo com a época do ano em que se viaja (a temperatura média de Riobamba é de 13,8ºC, ficando abaixo disso pelas manhãs), mas rapidamente descobre-se porque vale a pena passear sobre o teto de um velho trem. O trajeto revela ao viajante um Equador indígena, de hábitos milenares e completamente ligado à agricultura. Aparece um país que, muitas vezes, não se mostra nos grandes centros e que faz com que o turista lembre (ou fique sabendo) de uma nação que se declara majoritariamente "mestiça".

Logo nos primeiros minutos, ainda em Riobamba, o viajante tem contato com uma paisagem verde, campos rodeados de montanhas em um cenário que alguns chamariam de bucólico. A baixa velocidade do trem permite apreciar tudo, admirar os dois lados e tirar muitas fotos. Ao longo do caminho, a paisagem vai mudando: áreas de agricultura se revezam com os pinheiros que fazem parte do deserto reflorestado de Palmira. O rio Chanchán acompanha o trajeto com suas águas, "leitosas" pelos minérios que vêm das minas de Tixán.


Para descansar da longa viagem (que pode levar cinco horas ou um dia inteiro), o trem para em dois vilarejos: Guamote e Alausí, onde é possível comprar artesanato e blusas - sempre com preço muito mais alto que o comum - ou provar comidas equatorianas como o emborrajado de plátano, uma espécie de bolinho frito de banana. Nas paradas, de dez a 15 minutos, é recomendável descer, esticar as pernas e conversar com os moradores locais. Principalmente em Alausí, como uma espécie de preparativo para o trecho final da viagem: a hora de conhecer o Nariz del Diablo, a formação rochosa que empresta o nome ao trem.

Tudo começa com uma vertiginosa descida de 800 metros em que os vagões quase "beijam" as pedras em um ziguezague que faz entender porque esta é uma prodigiosa obra de engenharia. É bom deixar claro que nem todos conseguem visualizar o Nariz del Diablo e que a melhor vista seria em uma excursão escalando montanhas, mas nada disso tira o brilho do passeio. Ao longo desse último trecho, o viajante fica cada vez mais próximo da natureza, ao mesmo tempo em que se espanta em pensar como se pôde realizar uma obra de tal nível - o que fica ainda mais claro na subida, quando o trem troca diversas vezes de trilhos para dar conta do tal ziguezague.
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    Quem gosta de aventura pode desfrutar do Chimborazo, o mais alto pico do Equador


Trem Nariz del Diablo


Saídas às quartas, sextas e domingos com passagem a US$ 11. Tente garantir a viagem um dia antes: a bilheteria fica na própria estação, entre as avenidas Carabobo e 10 de Agosto, e está aberta entre 8h e 12h30 e entre 14h30 e 18h. É possível fazer apenas o trecho do Nariz del Diablo, um recorrido bem curto, saindo da estação de Alausí (Eloy Alfaro com 5 de Junio) - ônibus saem de Riobamba em direção a Alausí a cada meia hora aproximadamente, com duração entre uma hora e meia e duas horas de viagem. De Alausí, muitas pessoas seguem viagem para Cuenca, distante quatro horas. Os ônibus saem com freqüência e é possível guardar a bagagem em um vagão do próprio Nariz del Diablo.

Telefone para informações: 593 3 2961-909

Dicas de quem já foi:
Não deixe de alugar uma almofada antes de embarcar no trem. O custo é baixo (US$ 1) e salva parte dos desconfortos da viagem. Se ficar cansado mesmo com a almofada, há um pequeno vagão convencional para quem não quer viajar sobre o teto.

Se quiser evitar gastos, compre antes a comida que vai consumir no trajeto. Há vendedores ambulantes todo o tempo sobre o trem, mas o preço é um pouco mais alto.

Riobamba não tem uma estação de chuvas definida, mas elas ocorrem com mais frequência entre janeiro e março. Por isso, certifique-se sobre as condições meteorológicas antes de comprar a passagem.

É possível retornar a Riobamba de trem: não faça isso, a menos que tenha ficado viciado em viajar sobre o Nariz del Diablo. O retorno é longo e a paisagem não terá nenhuma novidade, além da temperatura baixa do fim de tarde.

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