Viagem

Aventureiros da Expedição Brasil Melhor visitam Arcoverde

FABIO PANZA

Participante da expedição

27/07/2009 18h12

Saídos do agreste paraibano, seguidos pela noite e pela chuva chegamos a Arcoverde. Cidade famosa há um século como ponto central na vida de Virgulino Fereira Silva, cabra que atirava tão rápido que seu fuzil iluminava a noite como um Lampião. Cidade famosa hoje, como origem do Cordel do Fogo Encantado, grupo que renova a tradição de um sertão místico que vem desde Conselheiro e Suassuna. Sutilmente começamos a perceber uma preocupação que não é habitual em nossas andanças. Todos os carros foram colocados em um pátio fechado com muro alto, ninguém saiu para conhecer os bares da cidade após o briefing noturno, apenas jantamos todos juntos no hotel e fomos dormir. Estávamos na terra do cangaço. A cidade, local do cinema mais antigo em funcionamento do Brasil e de tanta história ficou por ser visitada com a atenção merecida.

No terceiro dia cruzamos o estado de Pernambuco de norte a sul, vendo a nossa direita a Serra Talhada, área onde ainda hoje (e desde sempre) o estado e a lei se impõem a duras penas, onde agentes da polícia e do exército ainda são enfrentados e a segurança se torna motivo de maior atenção que os lamaçais, buracos e a navegação. Visitamos a pé o parque do Vale do Catimbau com suas formações rochosas exóticas e uma imensa sensação de ver o mundo como ele era antes da chegada do homem. O silêncio por trás dos chamados dos pássaros impressiona e aumenta o contraste com o permanente ruído das cidades onde moramos. Do topo dos chapadões, olhando o vale ao longe e confrontados apenas com o vento, percebemos que algo pode ser ao mesmo tempo imenso e sereno.

Após a distribuição de material escolar e cestas básicas à população carente, seguimos viagem rumo sul, através de imensos areiões sem trilhas bem marcadas numa vasta região onde Lampião enfrentou a policia durante 16 anos, só sendo morto quando dali saiu para Sergipe. A tecnologia com mapas digitais, GPSs, rádios e bússolas eletrônicas permitem agora uma tranqüilidade impensada às volantes que enfrentaram o cangaço. Sempre sabemos onde estamos, para onde vamos e qualquer erro de trajeto é quase imediatamente percebido e corrigido.

Finalmente, a chegada a Paulo Afonso. Cidade de superlativos com seu cânion gigantesco atravessado por uma ponte cinematográfica, as águas do antes sereno São Francisco brancas, de turbulência ao fundo. Recebidos com a animação e calor humano típicos da Bahia com fogos, música e multidão, nos sentimos um pouquinho famosos e superamos uma etapa tensa em nossa jornada rumo sul.

Amanhã: Canudos.

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