Viagem

36 Horas em Siem Reap, no Camboja - Conheça a cultura, a culinária e o jeito khmer de relaxar

NAOMI LINDT

New York Times Syndicate

Por mais cativantes que os templos de Angkor possam ser, o sol escaldante do Camboja, o ar empoeirado e as estradas esburacadas acabam inevitavelmente pesando mesmo para os viajantes mais calejados. Talvez tenha sido por necessidade que Siem Reap, a cidade que hospeda e alimenta os milhões de visitantes anuais a Angkor, tenha evoluído para um paraíso chique de descanso e relaxamento. Um grupo internacional de chefs estabeleceu as melhores mesas aqui, assim como os barmen na vida noturna vibrante são versados em coquetéis sofisticados. A arte contemporânea também encontrou um lar para si, com as galerias buscando promover os artistas locais. É como se Siem Reap estivesse finalmente retomando de onde os reis angkorianos pararam há cerca de 600 anos, a ressuscitando como centro do gosto e cultura khmer.



Sexta-feira


17h - Arte angkor
Com a beleza inspiradora de Angkor Wat a apenas oito quilômetros de distância, não é difícil ver por que Siem Reap está no coração da florescente cena de arte do Camboja. Galerias estão abrindo em lojas reformadas e os hotéis agora expõem a obra de jovens khmers e estrangeiros da região. O "Art Venues", uma publicação gratuita disponível nos hotéis mais finos, oferece um mapa para visitas a pé aos melhores endereços da cidade. A McDermott Gallery (FCC Complex, Pokambor Avenue; 855-12-274-274; www.mcdermottgallery.com), conhecida por suas fotos emotivas, que parecem um sonho, de Angkor, tem como foco a herança cultural da Ásia. No Arts Lounge, dentro do elegante Hôtel de la Paix (Sivatha Boulevard; 855-63-966-000; www.hoteldelapaixangkor.com), obras contemporâneas preenchem o espaço minimalista, onde hóspedes endinheirados bebem coquetéis como o Oolong Kiwi Sling, feito com chá e vodca.

19h - Curries diferentes
A culinária cambojana não recebe a atenção que merece, especialmente em comparação aos pratos de seus vizinhos mais badalados, a Tailândia e Vietnã. Apesar dos ingredientes básicos serem semelhantes - erva-cidreira, alho, gengibre e molho de peixe - a cozinha khmer é mais sutil e mais leve, empregando menos pimenta, ervas picantes e leite de coco. Para uma lição inovadora sobre os sabores locais, prove o cardápio de degustação de sete pratos khmer (US$ 31) no Méric, um restaurante à meia-luz com tema art déco, também no Hôtel de la Paix (nota: os dólares são amplamente aceitos em Siem Reap). Os pratos, que mudam diariamente, podem incluir frango e saraman de abóbora (um tipo de curry khmer) e pernas de rã fritas com manjericão em um pedaço de bambu oco. Para ampliar a experiência, jante em uma das daybeds chinesas suspensas, que balançam ao lado de uma piscina iluminada com fogo.

21h - Banho com flores
Prolongue o agito pós-jantar com uma massagem pré-sono no Frangipani Spa (617/615 Hup Guan Street; 855-12-982-062; www.frangipanisiemreap.com). Com arte moderna nas paredes e orquídeas frescas nos vasos, o spa parece a residência elegante de um amigo descolado. Afunde no sofá baixo enquanto bebe um suco de tamarindo e seus pés são banhados em uma banheira cheia de plumérias, o preparativo para uma gloriosa massagem de 60 minutos (por US$ 22).



Sábado


  • Stuart Isett/NYT

    As ruínas de Phnom Bakheng no Parque Arqueológico de Angkor


5h - Vista do alto
Pode ser brutal, mas vale a pena acordar tão cedo para conhecer os famosos templos budistas do Parque Arqueológico de Angkor (ingresso, US$ 20), a área de 400 quilômetros quadrados que conta com Angkor Wat entre seus mais de 100 templos. Menos lotado a esse horário é Phnom Bakheng, um templo retangular do século nove, em cinco níveis, construído em uma colina. As poucas torres em forma de lótus que permanecem são o testamento das 108 que antes existiam. Você terá que malhar pela vista: é uma subida a pé de 15 minutos até um terraço de arenito, com vista para um amplo trecho de selva e colinas envoltas em brumas. É um local hipnotizante para ver o Sol pintar o céu em tons de azul e laranja.

11h - História dolorosa
Ele fica em uma idílica estrada vicinal margeada por casas de palafitas e viçosas plantações de arroz verde néon, mas o Museu das Minas Terrestres do Camboja (a 32 quilômetros a nordeste de Siem Reap, na estrada para Banteay Srei; 855-12-598-951; www.cambodialandminemuseum.org) é um lembrete chocante das três décadas de guerra no país. Criado por Aki Ra, um ex-soldado criança do Khmer Vermelho, o museu fornece um relato detalhado do levante político e social do Camboja, incluindo a insurreição do Khmer Vermelho, que acabou apenas dez anos atrás. Os esforços para remover as munições e milhões de minas terrestres não detonadas estão em andamento desde os anos 1990, mas estima-se que menos da metade já foi removida. Aki Ra desativou cerca de 50 mil delas; muitas delas estão em exposição.


  • Divulgação/Cambodia Landmine Museum

    O Museu das Minas Terrestres é um lembrete chocante das três décadas de guerra no país



12h30 - Cozinha colonial
O calor e a intensidade do Camboja exigem almoços longos e revigorantes. Apenas um francês poderia conceber o Chez Sophéa (em frente a Angkor Wat; 855-12-858-003), um restaurante a céu aberto, com mesas de madeira e toalhas brancas, que serve rillettes de canard, filés grelhados no carvão e creme de chocolate - tudo vizinho aos templos.

16h - Comércio justo
Após um cochilo induzido pelo almoço, é hora de fazer bom uso de seus dólares em algumas das lojas boas para a comunidade de Siem Reap. No centro da cidade, a Senteurs d'Angkor (Pithnou Street; 855-63-964-801; www.senteursdangkor.com) vende condimentos, café e produtos de banho, embalados em pacotes de folha de palmeira. Para vestidos e colchas de retalhos artesanais, experimente o Samatoa (Pithnou Street; 855-63-96-53-10; www.samatoa.com), uma grife de fair trade (comércio justo) especializada em seda. Os cartões pintados à mão e as belas bolsas de lona do Rajana (Pub Street; 855-12-481-894; www.rajanacrafts.org) são produzidas por cambojanos carentes.


  • Divulgação/Rajana

    Produtos da loja Rajana são feitos por cambojanos carentes



19h - Cozinha comunista
Não há necessidade de reservar mesa no Restaurant Pyongyang (4 Airport Road; 855-63-760-260) - ele conta com mais de 400 lugares. Além disso, seria anticomunista. Toda noite, entre o servir de fantásticos bulgogi (US$ 8,70) e bibimbap (US$ 6), belas garçonetes norte-coreanas em vestidos curtos vermelhos se apresentam com canções e rotinas de dança elaboradas. Apesar do piso de lajota e os painéis de falsa madeira não serem exatamente impressionantes, a pompa cultural é. Com uma tela de karaokê exibindo cachoeiras e montanhas cobertas de neve, as garotas interpretam canções de propaganda para um público receptivo e que acompanha com palmas.



  • Divulgação/Linga Bar

    Sons dançantes e lanches de fim de noite esperam o turista no Linga Bar


22h - Distrito da lanterna vermelha
Com um nome como Pub Street, você não terá dificuldade em encontrar os principais pontos da vida noturna de Siem Reap. Mas se garotas, cerveja, telas grandes de TV e jarros de US$ 3 não fizerem seu estilo, siga uma quadra para o norte até o Miss Wong (the Lane; 855-92-428-332) para um gostinho da antiga Xangai. A lanterna vermelho-cereja pendurada na entrada atrai os transeuntes. Lá dentro, entre em uma das cabines de couro intimistas para tomar um Martini Indochina, uma mistura de vodca, conhaque de gengibre e suco de abacaxi fresco (US$ 4,50). Para sons dançantes e lanches de fim de noite, leve a festa para duas quadras dali até o elegante Linga Bar (the Passage; 855-12-246-912; www.lingabar.com), um lounge diverso, bom para gays, com mojitos excelentes.



Domingo


7h30 - Café da manhã por uma pechincha
O amanhecer é o horário social para os khmers, com os homens enchendo os cafés ao ar livre para beber café gelado e as mulheres se reunindo nos mercados locais para compras e tomar o café da manhã. No Psar Chaa, ou Velho Mercado, os açougueiros e vendedores de hortifrutis estarão em plena atividade, vendendo peixe seco, frutas empilhadas em pirâmides e kroeung (uma pasta de ervas usada em muitos pratos) recém preparado. Puxe uma banqueta de plástico em um dos balcões de comida e peça uma tigela de baay sac chruuk - pedaços superfinos de carne de porco grelhada servidos com arroz branco, pepino e salada de gengibre (cerca de 5 mil ríeis, ou US$ 1,27, com o dólar cotado a 4.029 riéis).

11h - Bela adormecida
Até poucos anos atrás, as duras condições das estradas faziam com que apenas os viajantes mais corajosos se aventurassem até Beng Mealea (a 72 quilômetros de Siem Reap, na estrada para Koh Ker), um amplo templo de arenito que foi quase que totalmente envolto pela floresta. Mas uma nova rota substituiu as pontes de prancha única de madeira e faixa apenas para moto, reduzindo o tempo de viagem de meio dia para pouco menos de uma hora por carro. Construído no século 12, este santuário esquecido é quase tão grande quanto Angkor Wat, mas recebe uma fração dos visitantes. A destruição é de tirar o fôlego: as torres reduzidas e altos montes de escombros, teias espessas de raízes de arvores atravessando as paredes e entalhes danificados, com suas cabeças cortadas para serem vendidas. Ainda assim, o local já esteve pior: até 2003, o terreno ao redor estava repleto de minas terrestres. Agora ele está pronto para um recomeço.



O básico


Os vôos dos Estados Unidos para Siem Reap exigem troca de avião. Uma das rotas possíveis passa por Seul e tem passagens a partir de US$ 1.200. Do aeroporto de Siem Reap, é uma viagem de táxi de US$ 5 até a cidade.

Os quartos khmer-chiques do La Résidence d'Angkor (River Road; 855-63-963-390; www.residencedangkor.com) possuem pisos de madeira, detalhes em seda e bambu e gigantescas banheiras de hidromassagem. As diárias custam a partir de US$ 175.

Com sua estética minimalista, palheta neutra e piscina de água salgada, o Viroth's Hotel (0658 Wat Bo Village; 855-63-761-720; www.viroth-hotel.com), com sete quartos, fornece um descanso bem-vindo para a sobrecarga de templos. Diárias a partir de US$ 80.

Tradução: George El Khouri Andolfato
 

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