Viagem

Em Costa Rica o ecoturismo é levado muito a sério

MARISTELA DO VALLE

Colaboração para o UOL Viagem*

19/03/2009 06h27

Quando descobriram a Costa Rica, os espanhóis se surpreenderam com a quantidade de joias que cobriam os nativos. E por isso deram ao país o nome que ele carrega até hoje. Os gringos não sabiam que toda aquela fartura era resultado de escambos dos costarriquenhos com os sul-americanos. Na verdade aquela costa não era rica como parecia ser. Mas agora é, embora o conceito de riqueza seja diferente ao daquela época.

Arte UOL
A Costa Rica protege por lei 25% do seu território. E leva a sério o ecoturismo. O governo, por exemplo, classifica o nível de sustentabilidade turística de operadoras, hotéis e outras empresas, numa avaliação que vai de uma a cinco folhas. Conquistá-las não é fácil. Políticas desse tipo garantiram ao país a melhor colocação entre latino-americanos no ranking mundial do Índice de Competitividade em Viagens e Turismo de 2009.

Dá para perceber por todo lado o orgulho da população por ser referência em práticas ambientais. "Costa Rica - sem ingredientes artificias" é o slogan do órgão de fomento de turismo. Esse espírito combina bem com a saudação comum entre os costarriquenhos. "Pura vida? Pura vida!", dizem uns aos outros para expressar que está tudo bem, legal, bacana. Trata-se de um termo próprio deles, que surgiu antes mesmo de o ecoturismo entrar na moda.

E tudo realmente parece estar muito vivo no país. Até os vulcões. São 290 focos vulcânicos no território. O mais famoso e ativo é o Arenal, rodeado por uma floresta úmida. O mais visitado é o Poás, pois fica a cerca de um hora de San José, a capital, e tem ótima infra-estrutura para visitação. Outro popular é o Rincón de la Vieja, localizado em um parque nacional todo salpicado de piscinas de lama em ebulição, gêiseres e campos de lava. Localizado na província de Guanacaste, é habitado por cerca de 300 espécies de pássaros.

  • Divulgação/Hacienda Pinilla

    Na Hacienda Pinilla, em Guanacaste, é comum encontrar vários animais silvestres


A vida animal também é exuberante no Parque Nacional Palo Verde, ainda em Guanacaste. O passeio por lá começa em um carro-anfíbio que parece um bugue, mas tem pneus gordos como os de um trator. Depois segue pelo rio Tempisque de barco. Por lá, você se depara com cenas que renderiam ótimos documentários sobre o mundo animal. A iguana jesus cristo corre por cima da água sem respeitar a lei da gravidade. O crocodilo de três ou quatro metros, representante da terceira maior espécie do mundo, toma sol sem se abalar. Por enquanto. Se a fome apertar, ele devora qualquer coisa que se mexa à sua frente. E o que são aqueles bichos triangulares em fila indiana, grudados no tronco de uma árvore? Parecem insetos... Mas não. O guia avisa que são morcegos! Imóveis. Dormindo. Uma das 109 espécies de morcegos presentes no país. Outro bicho que é figurinha fácil do pedaço é o macaco de cara branca. Ele fica literalmente de cabeça para baixo ao se apoiar na margem íngreme para beber a água do rio. E, quando está bravo, mostra todos os dentes para o inimigo. E pode até morder. Por isso é melhor não se iludir com sua cara simpática.

Essa espécie de macaco também enfeita os passeios a cavalo pela Hacienda Pinilla, de novo em Guanacaste. Um dos grandes trunfos da cavalgada é o trecho desbravado à beira-mar. Outro é que os cavalos diferem muito dos pangarés que os estabelecimentos turísticos geralmente destinam aos visitantes. A fazenda tem animais mansos para principiantes e espertos para iniciados. E os guias separam o grupo em alguns momentos para permitir que os mais experientes dêem suas galopadinhas sem colocar em risco os novatos. A Hacienda Pinilla é um grande complexo com campo de golfe, quadras de tênis, lagos para pesca e um resort da marca JW Marriott pé-na-areia (na praia de Mansita), equipado, por exemplo, com clubinho infantil e spa com terapias feitas com produtos indígenas típicos da Costa Rica. A presença de um hotel luxuoso como ele na região, assim como a existência de um Four Seasons na mesma província, é prova de que o ecoturismo tem atraído cada vez mais um público sofisticado, e não apenas viajantes com orçamento econômico como acontecia no passado.

Arte UOL

Mesmo com essas ilhas de luxo, as cidades litorâneas ainda são bem simples, com pinta de vilarejo de pescador. É o caso da Playa Coco e de Tamarindo, ambas pontilhadas de lojas de souvenires com a inscrição "Pura Vida" para todo lado e localizadas à beira do Pacífico. Além de uma densa cobertura vegetal, esse país privilegiado ainda tem belas praias. E muitas ficam no translúcido Mar do Caribe.

Tanta beleza merece um drinque. Mas a bebida típica tem mais cara de Brasil do que de América Central. É o guaro, um destilado nacional proveniente da cana de açúcar. Misturado com açúcar, gelo e limão, lembra muito a caipirinha. Só que mais adocicada. Uma delícia. Perfeita para brindar à vida. A essa pura vida!

  • Divulgação/Freeway

    No Parque Nacional Volcan Poas, as cores dão um show a parte para os turistas


Arvorismo controlável

Confesso que sou um pouco medrosa para encarar esportes radicais que envolvem altura e velocidade acentuada. Na única vez que tinha feito arvorismo na vida antes de ir à Costa Rica, precisei ser resgatada no meio do caminho porque não tive coragem de ir até o final. Vergonhoso, eu sei.

Acontece que eu estava na Costa Rica, o berço do arvorismo, e então não poderia perder a oportunidade de praticar o esporte ali. Quem criou o esporte foram os biólogos, que costumavam se encarapitar no alto das árvores para observar animais, como macacos, serpentes e pássaros, e plantas aéreas, como orquídeas e bromélias. Eles descobriram que a maneira mais prática de pular de uma árvore a outra seria dependurando-se em roldanas presas a cabos de aço. Eram as tirolesas. Com o tempo, perceberam que aquilo não só era funcional, como também divertido. E transformaram o meio de transporte em opção de lazer.

Conhecendo essa história, criei coragem e fui conhecer um dos circuitos da atividade, na Costa Rica chamada de "canopy". Fui ao Congo Trail Wildlife Farm. Para minha surpresa, ele tinha duas grandes diferenças em relação ao arvorismo brasileiro - e, segundo o guia, seguia a linha geral dos outros do país. A primeira diferença é a pouca variedade de atividades. Não havia desafios como pontes pênsils da largura de uma corda. Poderia resumir a experiência como uma sucessão de tirolesas.

E a outra diferença é a melhor para alguém medroso como eu: dá para controlar a velocidade do voo na palma da mão. Usando luva grossa, você pressiona a mão sobre o cabo para brecar a roldana sempre que sentir necessidade. E ela obedece! Quem prefere a adrenalina da velocidade, demora mais para acionar o breque de mão. Sensacional! Esse esquema torna o arvorismo muito democrático. Porque todo mundo se diverte. Sem medo.

  • Maristela do Valle/UOL

    Grupo se aventura na prática do arvorismo em Costa Rica; país foi o berço do esportes


O BÁSICO


Informações turísticas:
www.costaricatourism.co.cr
www.visitcostarica.com
www.tourism.co.cr

Documentos
O país não exige visto para brasileiros, mas exige certificado internacional de vacina contra febre amarela. A vacina precisa ser tomada pelo menos dez dias antes da viagem, em qualquer posto de saúde ou clínica particular. Esses locais fornecem o cartão nacional da vacina, que deve ser trocado pelo certificado internacional nos postos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (anvisa.gov.br/viajante) presentes nos aeroportos.

Como chegar
Não existe voo direito do Brasil para a Costa Rica. Se a viagem for feita pela Avianca, a conexão acontece em Bogotá, e o bilhete custa a partir de US$ 759 (sem taxas), com saídas de São Paulo ou do Rio. É o mesmo preço dos voos da Copa, mas a companhia troca de avião na Cidade do Panamá - há também partidas de Belo Horizonte e Manaus. Já a passagem da Taca custa a partide de US$ 815, e a troca de avião é realizada em Lima.

Operadoras com pacotes para o destino
As operadoras em geral têm três estilos de pacotes para a Costa Rica. Um deles inclui passeios e traslados; outro é o típico fly and drive, com voo, aluguel de carro e hospedagem nos destinos do roteiro; e o terceiro se chama "open voucher", que inclui voo, aluguel de carro e estada, mas o número de noites a ficar em cada lugar você pode decidir na hora, conforme sentir a viagem. Um programa de 15 dias pelo país, com passeios (a primeira opção), custa cerca de US$ 3 000 por pessoa em apartamento duplo. E o open voucher de uma semana sai, em geral pela metade desse preço.

Freeway
Tel: (11) 5088-0999
www.freeway.tur.br

Pisa Trekking
Tel: (11) 5052-4085
www.pisa.tur.br

Sanchattour
Tel: (11) 3017-3140
www.sanchattour.com.br

TGK
Tel: (11) 3283-3233
www.tgkturismo.com.br

Vectra Travel
Tel: (11) 3816-0509
www.vectratravel.com.br

Venturas & Aventuras
Tel: (11) 3872-0362
www.venturas.com.br

Operadoras locais e passeios
Swiss Travel
Tel: (506) 2282-4898
www.swisstravelcr.com

TAM Travel
Tel: (506) 2527-9700 (San Jose) e (506) 2668-1415 (Guanacaste)
www.tamtravel.com

Congo Trail Wildlife Farm (arvorismo)
congotrail@racasa.co.cr
Tel: (506) 2666-4422

Hacienda Pinilla
Tel: (506) 2680-7060
www.haciendapinilla.com

Onde ficar
JW Marriott Guanacaste Resort & Spa
Tel: (506) 2681 2000
www.marriott.com

Four Seasons Costa Rica at Peninsula Papagayo
Tel: (506) 2696-0000
www.fourseasons.com

Arenal Kioro Suites & Spa
Tel: (506) 2479-1700
www.hotelarenalkioro.com

Hostel Casa Yoses
Tel: (506) 2234 5486
www.casayoses.com

Costa Rica Marriott Hotel San Jose
Tel: (506) 2298-0000
www.marriott.com


*A jornalista MARISTELA DO VALLE viajou à Costa Rica a convite da Marriott International.

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