Viagem

36 Horas em Seattle: dicas de passeios na cidade americana das esculturas a céu aberto

MATHEW PREUSCH

New York Times Syndicate

05/01/2009 20h00

Seattle conta hoje com a Space Needle (Agulha Espacial) que fura as nuvens, com um Monotrilho que corre acima das ruas e, mais recente do que os dois primeiros, o Experience Music Project, semelhante a uma bolha e projetado por Frank Gehry. Mas a "verdadeira" Seattle foi encontrada um dia às margens da cidade, em bairros como Fremont e Ballard, onde aluguéis baratos geraram comunidades artísticas e culturas de café. Nos últimos anos, entretanto, uma onda de novos condomínios brotou em uma zona antes reservada para lojas de quinquilharias vendendo camisetas "Sleepless in Seattle" (o título original do filme "Sintonia de Amor"), trazendo consigo butiques elegantes, restaurantes da moda e lojas para gourmets. Agora, o centro da cidade está começando a parecer novamente um bairro, não apenas um cenário de fundo para uma foto da Space Needle.



Stuart Isett/NYT
Escultura ''Black Sun'' (sol preto), de Isamu Noguchi, no Volunteer Park, com a Space Needle ao fundo, em Seattle


Sexta-feira


16h - Pássaro na baía

A área à beira da baía era antes conhecida como Skid Road (submundo), mas o distrito histórico ganhou vida com prédios belamente restaurados, butiques bonitas e cafés convidativos. A mais nova adição é o Olympic Sculpture Park (2901 Western Avenue, 206-654-3100; www.seattleartmuseum.org), um ex-ferida industrial convertida no ano passado pelo Museu de Arte de Seattle em uma galeria de mais de 36 mil metros quadrados ao longo da Baía de Elliott. Para aqueles que gostam de observar pessoas -praticantes de cooper e pessoas que levam cachorros para passear adoram ali- encontram cadeiras sob a escultura "Águia", que mais parece uma aranha, de Alexander Calder. Quando o céu está claro, uma raridade nesta época do ano, é possível ver as Montanhas Olímpicas a Oeste.

19h - Foie gras e flanela

O Pike Place Market agora atrai uma clientela para jantar graças ao Matt's in the Market (94 Pike Street, Suite 32, 206-467-7909; www.mattsinthemarket.com), um bistrô aconchegante que elabora seu cardápio em torno dos produtos abundantes do dia. No ano passado, o Matt's expandiu seu espaço apertado para receber 59 pessoas e agora inclui um pequeno bar. Para vistas de cartão-postal, peça uma das mesas sob as janelas em arco com vista para a icônica placa "Public Market". Se isso não for Seattle o bastante, o fato dos funcionários da cozinha se vestirem melhor do que muitos dos clientes deve ser. O cardápio de outono inclui barriga de porco defumada com huckleberries (US$ 12) e halibute do Alasca em caldo de tomate e mariscos (US$ 30).



Stuart Isett/NYT
Escultura ''Eagle'', do artista Alexander Calder, no Olympic Sculpture Park, em Seattle


21h - Mix master

Ele pode ser uma espécie de pequena celebridade, mas Murray Stenson, o mixologista do Zig Zag Café (1501 Western Avenue, No. 202, 206-625-1146; www.zigzagseattle.com) não atingiu esse status sendo exibido. Tente entrar em uma das cabines deste lounge isolado atrás do Pike Place Market e peça a Stenson que prepare para você um dos favoritos dele. Um pedido sem erro é o Diablo -tequila, cassis, lima e ginger ale (US$ 8,25)- ou um martini clássico feito com Aviation Gin, que é destilado no Oregon (US$ 9,50).



Sábado


9h - Bicicletas e fritas

Em Seattle, a atitude aumenta com a altitude. Para uma dose de contracultura bacana, suba a Capitol Hill, onde você encontrará o Café Presse (1117 12th Avenue, 206-709-7674; www.cafepresseseattle.com), que se esforça para se aproximar de um café de rua parisiense, completo com lousa listando a programação semanal de partidas de futebol na televisão. Você não verá muitos fumantes gauleses, apenas bicicletas de uma marcha estacionadas na frente e jeans apertados no interior. O cardápio (em francês e inglês) inclui baguetes finas (US$ 2,50) e ovos com maionese e pepino (US$ 4). Se mesmo assim você não perceber a intenção do estabelecimento, também há um mapa da França na parede.



Stuart Isett/NYT
Jantar no Matt's in the Market, um bistrô aconchegante que elabora seu cardápio em torno dos produtos abundantes do dia


11h - Faça chuva ou faça sol

Seattle pode ser apelidada de Cidade da Chuva, mas você pode sempre se secar no Volunteer Park Conservatory (1400 East Galer Street, 206-684-4743; www.volunteerparkconservatory.org), uma estufa reluzente tendo o Crystal Palace de Londres como inspiração, onde é possível visitar a sala dos cactus e quatro outras salas. Cada mês é exibida uma flor diferente; novembro é o mês do crisântemo, dezembro é o mês das poinsétias. Perto dali fica o Museu de Arte Asiática de Seattle (1400 East Prospect Street, 206-654-3100; www.seattleartmuseum.org), que conta com uma coleção encantadora de caixas de rapé chinesas. Ao explorar o local, não perca a escultura em ônix em forma de rosquinha, "Sol Negro", que inspirou o hino grunge do Soundgarden, "Black Hole Sun". Tire uma foto da Space Needle pelo buraco central. Posteriormente, suba a caixa d'água de tijolos próxima para vistas do horizonte em rápida mutação da cidade.


15h - Marina marinada

Trace o arco do estaleiro da época da guerra à casa de barcos flutuando ao longo do Lago Union, um imenso corpo de água doce no meio de Seattle. O Center for Wooden Boats (1010 Valley Street, 206-382-2628; www.cwb.org) sem fins lucrativos tem barcos a remo para alugar a partir de US$ 25 a hora. Caso seus braços comecem a se cansar, procure pelo parque pontilhado de mosaicos na metade da margem leste. Encoste na Pete's Wine Shop (58 East Lynn Street, 206-322-2660; petes.cc) e peça uma garrafa do cabernet sauvignon Walla Walla. E fique atento aos hidroaviões do terminal Kenmore Air nas proximidades.

18h - Sol de papel

Em uma cidade onde a bibliotecária local, Nancy Pearl, tem sua própria boneca articulada, vale a pena checar a nova Biblioteca Central de Seattle (1000 Fourth Avenue, 206-386-4636; www.spl.org), um prédio espetacular projetado pelo arquiteto holandês Rem Koolhaas. O impressionante exterior de vidro e aço lembra uma onda cúbica quebrando sobre a Quarta Avenida, mas o interior -com suas cores e ângulos agudos- não necessariamente ajuda você a se concentrar em mídia antiga. Um melhor canto para leitura pode ser encontrado na Elliott Bay Book Company (101 South Main Street, 206-624-6660; www.elliottbaybook.com), onde as prateleiras de madeira surradas estão cheias de livros novos e usados, e as tábuas do piso rangem acolhedoramente. Cheque seu calendário online para leituras.



Stuart Isett/NYT
Murray Stenson, o mixologista do Zig Zag Café, em Seattle


20h - Sem tofu

Nos anos 90, Seattle era toda sushi, tempê e café. Atualmente, todo mundo parece ser um comedor de carne e bebedor de cerveja. Busque seu carnívoro interno no Quinn's Pub (1001 East Pike Street, 206-325-7711; www.quinnspubseattle.com), um pub à meia-luz que serve pratos fortes como rabo de touro assado na panela e sanduíche de javali com molho de tomate. O cardápio com 14 tipos de cerveja inclui as favoritas locais, entre as quais a Manny's Pale (US$ 4,50 o quartilho), e cervejas trapistas obscuras como a Koningshoeven Bock (US$ 27 por uma garrafa de 750 ml).

21h - Pós-grunge

Sim, o grunge está morto. Mas como sabem os fiéis ouvintes pela Internet da KEXP, a cidade que nos deu o Nirvana e o Pearl Jam adotou novos sons há muito tempo, como os da Band of Horses e outros artistas da Sub Pop Records. O principal endereço para música ao vivo, o café Crocodile, fechou suas portas no ano passado, mas deverá reabrir em 2009. Até lá, a opção é o Neumos (925 East Pike Street, 206-709-9442; www.neumos.com), uma instituição em Capitol Hill.



Domingo


9h - Descubra a Columbia

Os empreendedores imobiliários transformaram muitos bairros pitorescos de Seattle em uma listagem sonsa de imóveis. Mas Columbia City ainda parece um microcosmo da própria cidade, um ensopado de galerias de arte, lojas de bicicleta, estúdios de ioga e açougues onde é mais fácil encontrar tamales (um tipo de pamonha) caseiros ou um bom sanduíche de carne de porco do que um café espresso com leite. Inicie seu passeio pelo lado sul do bairro, com um café e um bostok (US$ 3) -brioche do Leste Europeu com creme de amêndoa e laranja- na Columbia City Bakery (4865 Rainier Avenue South, 206-723-6023) para se abastecer para o longo passeio a pé.

Os fãs sérios de ciclismo apreciarão revirar as caixas de peças de bicicletas na Bike Works (3709 South Ferdinand Street, 206-725-9408; www.bikeworks.org) enquanto seus pares menos interessados no assunto se dirigem para a Columbia City Gallery (4864 Rainier Avenue South, 206-760-9843; www.columbiacitygallery.com), uma cooperativa de meios diversos que oferece obras de artistas locais, como o trabalho em vidro de Mark Ditzler. Para produtos locais, vá ao Andaluz (4908 Rainier Ave South, 206-760-1900; www.andaluzseattle.com), que parece um armário lotado repleto de bugigangas excêntricas, como pulseiras de cashmere (US$ 28) e braceletes de corrente de bicicleta (US$ 10). Você poderá até encontrar um cartão postal antigo da Space Needle.

Informações básicas

Um trem leve para o centro de Seattle deverá ser inaugurado em 2009 (www.soundtransit.org). Até lá, você pode tomar um táxi ou ônibus (www.transit.metrokc.gov). Ônibus e táxis também são uma boa forma de circular pela cidade.

O hotel mais clássico de Seattle é o Fairmont Olympic (411 University Street, 206-621-1700; www.fairmont.com/seattle), que ainda oferece serviço de chá completo. As diárias variam de US$ 299 para um quarto simples até US$ 3 mil pela suíte de 317 metros quadrados.

Para acomodações mais econômicas, experimente o Ace Hotel (2423 First Avenue, 206-448-4721; www.acehotel.com/seattle), parte de uma elegante rede de hotéis-butique que nasceu no bairro Belltown de Seattle. Os quartos de alta moda, apesar de um tanto espartanos, custam a partir de US$ 165 por um duplo com banheiro próprio.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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