Chique mas não famoso: um balneário chamado José

PAOLA SINGER

New York Times Syndicate

  • Divulgação/La Posada del Faro

Quando os socialites estão na cidade, não se dê ao trabalho de tentar estacionar em qualquer lugar perto da Praia Brava, em José Ignacio. As estradas de terra são estreitas, os Porsches são largos e há motoristas demais ansiosos para encontrar uma vaga. Afinal, todos estão ávidos para conferir a cena que se desdobra à beira-mar: modelos em microbiquinis, americanos ricos se esforçando muito para não ficar encarando, bon vivants europeus encarando descaradamente e belezas argentinas jogando beijos para todo lado.

Para os antigos freqüentadores de José Ignacio, um pequeno vilarejo na costa sul do Uruguai, os congestionamentos causam choque. Há não muito tempo, este era um tranqüilo posto pesqueiro, um refúgio para solitários e uma celebridade ocasional buscando fugir dos paparazzi em Punta del Este, um playground glamouroso comparado a Saint-Tropez.

Mas nos últimos cinco anos, José Ignacio se transformou naquele que talvez seja o ponto mais chique na América Latina, apreciado por jet-setters de todo o mundo.

"Parece que um bocado de gente está vindo para cá", disse Mike Rosenthal, um fotógrafo de moda de Los Angeles que é um convidado freqüente do programa "America's Next Top Model". Rosenthal soube de José Ignacio por meio de um amigo, e então entrou no A Small World, um site de rede social apenas para convidados, em busca das últimas novidades. "Da comida, música e como as pessoas vivem, é tudo bastante europeu", disse Rosenthal.

Divulgação/Casa Suaya
Litoral de José Ignacio, com destaque para a Casa Suaya, um dos hotéis da região


Os dias típicos incluem almoços sem pressa às 15h, banhos de sol de fim de tarde na praia (o sol se põe por volta das 21h30 nesta época do ano), jantares à meia-noite de carneiro guisado e batata doce, e festas de fim de noite de marcas de luxo como Lacoste ou Chivas Regal em tendas à beira-mar.

Mas esta é apenas uma pequena parte do atrativo. Exceto por algumas poucas semanas frenéticas após o Natal, quando a alta temporada social não dá tempo para siestas, José Ignacio continua sendo um local pacato. Os únicos sons são das ondas quebrando e o do vento soprando. Discotecas barulhentas são proibidas e as festas são obrigadas a terminar às duas horas da manhã.

"Se as pessoas quiserem um local mais agitado, elas podem ir para Punta del Este", disse Martín Pittaluga, um proprietário da La Huella, uma elegante barraca de praia onde todos vão não apenas pelos peixes e frutos do mar frescos e pelo clericó (uma sangria branca), mas também para encontrar novos e velhos amigos.

De fato, o atual cacife de José Ignacio se deve muito ao desenvolvimento (que alguns até consideram excessivo) de sua irmã mais badalada a apenas pouco mais de 30 quilômetros. "Punta", como todos a chamam, está começando a se parecer muito com Miami Beach atualmente, cheia de condomínios reluzentes, megarredes de hotéis, lojas caras e discotecas barulhentas.

Certamente ainda restam abundantes áreas verdes e longos trechos de praias não lotadas ao redor de Punta. Mas José Ignacio tem apelo para aqueles que preferem a atmosfera intencionalmente boêmia e informal de ruas de terra, placas de rua pintadas à mão, comércio de família e pensões.

Divulgação/Arbol
A casa loft Arbol também oferece uma linda vista das praias de José Ignacio


"Há menos turistas; é menos comercial", disse uma banqueira de Londres, Sophie Slade, com suas longas pernas cruzadas elegantemente enquanto bebia um café espresso na Casa Suaya, um novo hotel butique com vista para as dunas de areia de Praia Brava. "Ela manteve seu velho estilo."

Este estilo remonta 1877, quando um farol foi construído em uma península rochosa que se tornou José Ignacio. Durante grande parte do século 20, a área permaneceu desabitada, apesar de um pequeno grupo de famílias da alta sociedade de Montevidéu e Buenos Aires terem começado a passar o verão ali nos anos 70, construindo casas à beira-mar ao estilo mediterrâneo. Mesmo assim, o vilarejo permaneceu fora do radar até o final dos anos 90.

Uma das primeiras celebridades a aparecer foi Mirtha Legrand, uma estrela argentina de cinema e televisão, mais conhecida por um programa diurno de TV. Ela logo foi seguida por outros rostos famosos, como o músico Fito Páez e o hoteleiro Alan Faena. Shakira, a estrela pop latina, é dona de um sítio próximo e o escritor britânico Martin Amis morou aqui por vários anos para escapar do "zumbido do mundo", como ele disse a um jornal britânico em 2002.

Restaurantes de luxo, galerias de arte e hotéis butique chegaram logo depois. Entre os restaurantes badalados estão o Marismo e o Namm, ambos escondidos em uma rua de terra sinuosa, cercados por densa floresta de pinheiros, eucaliptos e acácias. O Marismo, conhecido por seu carneiro guisado, conta apenas com mesas ao ar livre, iluminadas por velas e ao redor de uma fogueira na areia. O Namm, que serve sushi e carnes grelhadas, fica em uma choupana de madeira mobiliada com lanternas, mesas baixas e bancos com almofadas.

Quanto mais isolada a localização, mais atraente parece. Um exemplo é o La Caracola, um clube privado em uma praia fora ele deserta, com acesso apenas por barco. Convidados como Giuseppe Cipriani, o famoso playboy e dono de restaurantes, passam o dia ali tomando caipirinhas e beliscando empanadas na praia, após os demorados almoços de carne na brasa e peixe pescado na hora.

Apesar de grande parte de José Ignacio manter o clima tranqüilo, de refúgio, os moradores locais estão preocupados com o desenvolvimento. A poucos minutos da cidade fica o Laguna Escondida, um enorme resort com 200 unidades à beira do lago, que está sendo construído pelo magnata Jorge Perez, um empreendedor imobiliário da Flórida.

E todos os olhos estão voltados para o hotel de luxo Setai, que incluirá uma área de 2.300 metros quadrados de quartos, 10 chácaras para alugar e 40 residências, que deverá ser inaugurado em 2010. Como uma prévia, o Setai abriu um restaurante e um lounge dentro de uma grande tenda com tema marroquino, que costuma ser freqüentada por famosos como o campeão de pólo Ignacio Figueras, também conhecido como o rosto do perfume Polo Black da Ralph Lauren.

"Algumas pessoas dizem que José Ignacio está crescendo rápido demais, mas ainda parece uma cidade pequena", disse Adolfo Suaya, um dono de restaurante de Los Angeles que abriu o Casa Suaya. Apesar de seu hotel atrair uma boa cota de celebridades, como os recentes hóspedes Naomi Watts e Michael Schumacher, o campeão de Fórmula 1, Suaya não está preocupado com uma lotação excessiva.

"Este lugar é como os Hamptons nos anos 60", ele disse, "e não vai permanecer o mesmo por mais 20 anos".

A clientela é jet set, a atmosfera é discreta

Para Chegar Lá

Não há vôos diretos para José Ignacio. Muitos visitantes voam para Buenos Aires, então tomam um vôo das companhias aéreas Aerolineas Argentinas ou Pluna como conexão até Punta del Este. Os vôos de conexão da Pluna custam cerca de US$ 240 na alta temporada. Ir de carro de Punta del Este até José Ignacio leva cerca de 40 minutos. Também é possível voar até Montevidéu, a capital do Uruguai, e dirigir 160 quilômetros. Carros para alugar são escassos na alta temporada, então é melhor reservá-los com antecedência.

Onde Ficar

A Casa Suaya (Ruta 10, km 186,5; 598-486-2750; www.casasuaya.com) é um hotel isolado diante do Atlântico, com 16 suítes com paredes de pedra e 3 bangalôs com teto de palha. O restaurante Butiá, que se abre para uma imensa piscina com vista do oceano, serve perca assada em forno à lenha e outras especialidades locais. O proprietário, Adolfo Suaya, faz parte da cena social local. Quartos duplos a partir de US$ 750 na alta temporada.

A Posada del Faro (Calle de la Bahía and Timonel; 598-486-2110; www.posadadelfaro.com) oferece quartos ao estilo mediterrâneo em volta de uma pequena piscina com vista para a bela baía de José Ignacio. Quartos duplos na alta temporada custam US$ 380.

No centro do vilarejo fica o Arbol (Faro de José Ignacio; 54-11-4803-1113; www.arbolcasaloft.com), uma elegante pensão com seis suítes estilo loft e uma nova área de piscina. Uma suíte na alta temporada custa US$ 550.

Onde Comer

O Marismo (Ruta 10, km 185; 598-486-2273) é conhecido por seu saboroso carneiro e mesas de madeira rústicas na areia, à luz de velas e aquecidas por uma fogueira (as noites podem ser frias). Abre na alta temporada, de dezembro a fevereiro.

Para sushi e carnes grelhadas, vá ao Namm (Ruta 10, km 185; 598-486-2526), conhecido por muitos como "a casa de árvore" porque sua estrutura de madeira é cercada por uma densa floresta. Abre na alta temporada.

Reserve uma mesa à tarde no La Huella (Playa Brava; 598-486-2279; www.paradorlahuella.com), uma popular barraca de praia notável por sua lula frita e clericó, um vinho branco local tipo sangria. Aberto o ano todo.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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