Viagem

Pequenos parques, com um pouco de paz em cada canto

Hiroko Masuike/New York Times
Imagem: Hiroko Masuike/New York Times

SETH KUGEL

New York Times Syndicate

Muitos turistas novatos se limitam ao centro de Manhattan, onde podem facilmente ficar com a impressão de que em Nova York todo mundo está sempre correndo, de que mal é possível ver o céu e que a natureza está virtualmente ausente. Na verdade, seu fenômeno natural mais célebre, a Árvore de Natal do Rockefeller Center, fica verde apenas um mês por ano.

Mas até mesmo os nova-iorquinos que trabalham ou moram no centro encontram tempo e área verde para escapar dos prédios altos e dar uma relaxada. E não apenas indo ao Bryant Park ou aproveitando as novas pequenas praças com bancos e plantas na Broadway, perto de Times Square. Em grande parte do centro, especialmente no East Side, há muitos parques escondidos e espaços pacatos geralmente longe da vista das principais avenidas, podendo assim ser facilmente ignorados por aqueles que não os conhecem. Lá, as pessoas podem descansar em bancos, curtir as cascatas e, em um dos lugares, até mesmo comprar uma fatia de torta de maçã.

Essa torta de maça, que tem sabor caseiro, mas vem da rede de varejo Costco (shhh!), sai por US$ 2,50 a fatia na lanchonete situada no campeão de todos os oásis do centro, o Greenacre Park. Greenacre fica no mais improvável dos endereços, considerando que foi considerado um dos principais parques do mundo pelo Projeto para Espaços Públicos, com sede em Manhattan.

Mesmo se tiverem sorte de passarem pelo quarteirão genérico conhecido como Rua 51 Leste, entre a Segunda e Terceira avenidas, os transeuntes ainda assim poderão não percebê-lo ou, caso o vislumbrem, achar que é uma miragem. O parque escondido está em estado tão impecável que parece que foi inaugurado na semana passada, apesar da Greenacre Foundation, fundada por Abby Rockefeller Mauze, tê-lo inaugurado em 1971 e mantê-lo até hoje.

Galhos de acácias ficam pendurados no alto, e uma flora exuberante está estrategicamente situada no nível do solo. Há três níveis de locais confortáveis para sentar, o mais baixo dominando por uma cascata com várias quedas. Pegue uma das mesas entre ela e o escudo de arbustos atrás, e a cidade além deles desaparece de seus olhos e ouvidos.

A alma gêmea do Greenacre Park (e parceiro na lista do Projeto para Espaços Públicos) é o Paley Park, e conta com a mesma "dinheiro privado paga por esta" aura de perfeição que a do Greenacre. Mas ele tem altos e baixos. Ele é um pouco menos interessante de se olhar e parece menos isolado -não há nenhum lugar no pequeno espaço de onde não se possa escapar dos caminhões passando e fazendo barulho. E a lanchonete não se compara a do Greenacre. Mas a cascata é hipnotizante o suficiente para compensar; a água parece cair mais rápido do que a gravidade permitiria, quase como se devesse ser multada por excesso de velocidade pela polícia de sir Isaac Newton. E a localização é mais central, a apenas duas quadras da Catedral de Saint Patrick, do Rockefeller Center e do comércio da Quinta Avenida.

Há vários outros espaços públicos mantidos por entidades privadas, muitos deles construídos como parte de acordos de zoneamento com a prefeitura desde os anos 70; é possível dizer pelos símbolos de árvore, geralmente acompanhados por placas hilariantemente burocráticas sobre quantas árvores, quantos metros lineares de espaço para sentar e quantos assentos removíveis existem.

Eles não apresentam um ar descontraído de bairro, mas muitos são limpos e úteis (já que superam sentar na calçada ou a necessidade de comprar algo para sentar em um café). Alguns até são atraentes: um dos mais espaçosos e relaxantes é o espaço em L atrás da Avenida das Américas, 1251, que era mantido pelo Lehman Brothers, pelo menos até recentemente, e pelo Mitsui Fudosan. Há uma atração de água obrigatória, trechos bem cuidados de verde e, caso esteja se perguntando, 135 assentos móveis e 16,3 metros de bancos fixos. Outro agradável é o Sony Plaza, um espaço coberto parecido com uma estufa, que é uma ótima opção em dias de chuva.

E um dos poucos oásis no lado oeste do centro é a Worldwide Plaza, entre as avenidas Oitava e Nona, a noroeste de Times Square. Margeada por restaurantes que variam de elegantes (coreano de luxo no Bann) a populares (margaritas de US$ 3 e mesas ao ar livre no Blockheads), iluminação excelente ao anoitecer e uma floresta de zelkovas japonesas, acácias e bordos, ele é um grande achado.

Mas no extremo leste do centro é onde o clima de bairro aparece, especialmente ao lado e ao norte do prédio da ONU, nos grandes espaços escondidos associados aos bairros de Sutton Place e Tudor City. O Sutton Place Park não é um parque contínuo, mas pequenos pontos de parque público com vista para o Rio Leste, no final das ruas 50 leste. O melhor, no final da Rua 57 Leste, é popular entre as crianças pequenas e seus pais ou babás, em grande parte devido ao seu bem cuidado tanque de areia. Bem, é um tanque de areia, então não é tão bem cuidado; por algum motivo, até mesmo os precoces nova-iorquinos de dois anos não parecem entender as placas "Por favor, não remova a areia do tanque". (Eles são sofisticados o suficiente para apreciar a réplica de uma estátua de javali do século 17, do escultor renascentista Pietro Tacca.)

O Sutton Park fica um pouco fora do caminho habitual. Mas talvez o espaço mais agradável de todos fique realmente escondido à plena vista, bem na -na verdade acima- Rua 42 Leste, entre a Primeira e Segunda avenidas, a caminho da ONU. Você poderia passar pelas duas escadarias, uma em cada lado da rua, sem notar que 40 degraus acima há o Tudor City Greens, mantido por entidades privadas, com encantadores caminhos com pedriscos, vegetação impressionantemente cuidada e até mesmo um poste de luz original de 1927.

O lado sul em especial tem o aspecto de um jardim botânico, com vários tons de verde (e amarelo, roxo e vermelho) distribuídos em um contraste estratégico. A visão é dominada pelos prédios de apartamentos ao estilo Tudor do enclave, denominado como distrito histórico da cidade em 1988. Por algum tempo nos anos 80, parecia que os parques seriam substituídos por prédios; felizmente, eles não foram, ou o centro daria mais um passo para se tornar o abismo urbano estressante que a maioria das pessoas já acha que ele é.

Refúgios Pouco Conhecidos

Greenacre Park, Rua 51 Leste, entre a Segunda e Terceira avenidas, lado norte.

Paley Park, Rua 53 Leste, entre a Quinta Avenida e a Avenida Madison, lado norte.

Avenida das Américas, 1251, da Rua 49 Oeste até a Rua 50 Oeste, entre a Avenida das Américas e a Sétima Avenida.

Sony Plaza, da Rua 55 Leste até a Rua 56 Leste, entre a Quinta Avenida e a Avenida Madison.

Sutton Place Park, no final da Rua 57 Leste (e outras ruas).

Tudor City Greens, acima da Rua 42 Leste, entre a Primeira e Segunda avenidas; suba as escadas na 42 ou entre diretamente pela Rua 41 Leste, ou pela 43 Leste, entre a Segunda Avenida e o Tudor City Place.

Worldwide Plaza, entre pela Rua 49 Oeste ou pela 50 Oeste, entre a Oitava e Nona avenidas.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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