Viagem

Faça uma calma viagem rio acima para chegar ao museu Dia, em Beacon

Chris Ramirez/NYT
Imagem: Chris Ramirez/NYT

JANE MARGOLIES

New York Times Syndicate

11/11/2008 07h02

Ari Kresch me deu a dica enquanto eu embarcava recentemente em uma excursão de Manhattan ao Dia:Beacon, o museu de arte contemporânea em Beacon, Nova York.

No momento em que estava prestes a tomar um assento no trem Metro-Norte saído do Terminal Grand Central, Kresch, um advogado que estava tomando o trem a negócios, me aconselhou a trocar por um lugar no lado esquerdo. Assim eu não precisaria entortar o pescoço para ver o Hudson enquanto nosso trem seguia para o norte pela margem leste, durante os 95 quilômetros até Beacon, uma cidade à margem do rio em Dutchess County.

Assentos de primeira fila para o rio são apenas um motivo para fazer a viagem de 80 minutos até Beacon, uma ex-cidade fabril que renasceu como centro de artes. Com sua alta cultura e boa comida, ela é o destino ideal para qualquer nova-iorquino necessitando um passeio de um dia para espairecer.

Apesar do trem para Beacon usar a Linha Hudson, ele leva tempo para chegar ao trecho norte da linha ao longo do rio que lhe dá nome. Após sair do túnel de Midtown, nosso trem atravessou o Rio Harlem, então o contornou, virando para oeste acima da ponta da Ilha de Manhattan, passando pelos remadores no canal ao redor das duas casas de barcos da Universidade de Columbia.

Quando nós finalmente chegamos ao Hudson, o rio se abriu expansivamente, tendo a ondulante margem oeste coberta de árvores como fundo de um cenário tranqüilizador. Veleiros deslizavam pala água espelhada. Patos nadavam mais ao fundo enquanto uma garça solitária se destacava no raso. O rio se alarga ao redor de Irvington e surgem marinas grandes e pequenas. Eu me recostei no meu assento marrom e azul real, e me vi respirando mais lenta e profundamente quanto mais avançávamos.

Na estação de Beacon, havia duas placas para Dia:Beacon -apontando em direções opostas. A rota preferível, eu descobri, é seguindo a placa que diz: "Dia:Beacon Via Walkway".

É uma caminhada de cinco minutos pela Red Flynn Drive, que dá vista para o rio, por uma ponte que atravessa o trilho do trem. Enquanto eu seguia para o museu, descendo uma ladeira à direita, eu encontrei dois estudantes de arte que vieram do Japão para Nova York no dia anterior. O Dia:Beacon era o primeiro destino deles. O segundo era o P.S. 1, no Queens, no dia seguinte.

De fato, desde que a Dia Art Foundation abriu seu endereço em Beacon em 2003 -em um prédio de tijolos de 1929, onde a Nabisco produzia suas caixas de bolachas e cookies- ele passou a ser um destino obrigatório no circuito de arte contemporânea. Esta exposição de arte minimalista, conceitual e pós-minimalista atrai 65 mil pessoas por ano, com um aumento no outono. Mas para qualquer morador urbano privado de espaço e luz, a experiência envolve tanto a vastidão das galerias em três níveis, que parecem um labirinto, quanto as obras individuais.

As primeiras duas salas são espaços longos e luminosos com clarabóias e velhos pisos de bordo, ricamente manchados com óleo de máquina das prensas pesadas que ficavam sobre eles. "24 Cores... Para Piscadela" de Imi Knoebel -grandes placas de madeira irregulares em diferentes tons- estão espalhadas pelas paredes brancas como peças de um quebra-cabeça para gigantes.

Crianças pequenas -famílias compõem um terço dos visitantes do museu- se soltavam dos pais e corriam alegremente ao redor das esculturas de John Chamberlain de partes amassadas de automóveis.

Eu também me senti inebriada, enquanto contemplava o obsessivamente indexado "Datas das Pinturas" de On Kawara. Em cada uma das 36 telas retangulares, o artista simplesmente pintou a data da obra, na língua e de acordo com o calendário do país no qual estava no momento ("18 Mai 2000", por exemplo). Ou talvez fosse apenas o efeito do ar "ionizado" da sala -carvão vegetal foi espalhado sob as tábuas do piso, a pedido do artista, "purificando a atmosfera", segundo o texto explicativo do museu.

Eu me senti atraída por "Você vê que estou aqui, afinal", de Zoe Leonard, composta de 3.852 cartões postais antigas Cataratas do Niágara pregados em uma longa parede, imitando o perfil de cascata das próprias cataratas. A artista estava interessada nas mudanças na impressão e tecnologias de câmera fotográfica ao longo dos anos, mas eu adorei as explicações centenárias das cataratas como destino de viagem (uma escritora de cartão postal se refere ao "momento elegante" que estava desfrutando, enquanto outro mencionava "ladrões"). Era divertido bisbilhotar: alguém chamado Bill buscou um tom poético com o "estrondo do Niágara está nos meus ouvidos", enquanto outro foi mais comercial: "Por favor, me avise se tem algum ovo de perua para mim e quantos".

"Megálito Negativo Nº5" de Michael Heizer era cativante de uma forma diferente, uma rocha impressionante de quase 5 metros posicionada em um recorte na parede cujo tamanho tem o tamanho exato para contê-lo.

Eu quase fui atraída pelo campo de força do enorme "Elipses Torcidas" de Richard Serra, quatro das quais ficam lado a lado no antigo depósito de trem da fábrica.

Foi apenas quando sai das salas de Richard Serra para o exuberante Jardim Oeste do museu que me recordei que existia um mundo real além dos fantásticos criados pelos artistas no seu interior.

Eu parti de Nova York às 10h da manhã, e mesmo após o almoço e uma caminhada eu estava retornando antes das 17h, mas mesmo assim senti que realmente saí da cidade. Eu lembrei do que Ari Kresch me disse de seu assento atrás do meu no trem para Beacon, no início do dia. Observando pela janela os cisnes nadando no rio plácido, ele murmurou como em um sonho: "Esta vista faz você sentir que está a milhares de quilômetros de Nova York".

Informação aos Visitantes



Para Chegar Lá

Os trens da Linha Hudson partem do Terminal Grand Central para Beacon de hora em hora. Para os horários: www.mta.info
ou (212) 532-4900.

O Dia:Beacon fica na 3 Beekman Street; (845) 440-0100; www.diaart.org. O ingresso para adultos custa US$ 10.

Onde Comer

O Marlena's Kitchen (157 Main Street; 845-440-3694), uma loja minúscula cor de gema que serve pirogis caseiros e panquecas de batata, é cria de uma editora de som aposentada ganhadora do Emmy e que agora se dedica a pratos de seu país de origem, a Polônia.

O Jamaican Spice (184 Main Street; 845-831-7505; www.eatatjamacanspice.com) serve frango caipira de refrigerantes tropicais.

A Cup and Saucer Tea Room and Boutique (5 Main Street.; 845-831-6287; www.cupandsaucertearoom.com) é uma agradável casa de chá à moda antiga que serve pãezinhos de minuto e lanches em porcelana chinesa.

A Homespun Foods (232 Main Street; 845-831-5096; www.homespunfoods.com) é onde muitos visitantes que já conhecem bem o Dia:Beacon descansam os pés, desmaiando sobre pratos árabes como humus e babaganoush caseiros.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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