Viagem

36 Horas em Paris: Marais, o distrito mais agitado da cidade

Ed Alcock/NYT
Imagem: Ed Alcock/NYT

SETH SHERWOOD

New York Times Syndicate

Do mímico com maquiagem branca à grande dama vestindo Chanel caminhando com seu poodle, Paris está coberta por uma tonelada de seus estereótipos. O Marais é a exceção bem-vinda. Distante do molde central, o distrito mais agitado de Paris vibra com uma mistura animada de personagens. Caminhe pelos becos medievais e você esbarrará em gays musculosos com camisa regata e travestis com boás de plumas, rabinos com barbas longas e roqueiros desmazelados; donos de restaurante do Oeste da África e padeiros do Leste Europeu. E se você contornar a minúscula rue de Montmorency, você até mesmo trilhará os passos do famoso alquimista Nicolas Flamel. Sua antiga residência no Nº 51 é considerada a casa mais velha no Marais - e de toda a Paris.



Sexta-feira


17h - Galerias de hip hop

Atualmente é difícil carregar uma baguete no Marais sem quebrá-la contra um marchand badalado ou um novo dono de galeria. Para descobrir a fervente cultura criativa do bairro, primeiro vá à galeria epônima do quarentão Emmanuel Perrotin (76, rue de Turenne; 33-1-42-16-79-79; www.galerieperrotin.com). Essa mansão do século 17 transformada em espaço de exposição está exibindo, até 10 de janeiro, a primeira mostra do empresário de hip hop e designer de móveis Pharrell Williams. A vizinha rue Saint-Claude está rapidamente se enchendo de espaços de arte contemporânea, notadamente a Galerie Frank Elbaz (7, rue Saint-Claude; 33-1-48-87-50-04; www.galeriefrankelbaz.com e Galerie LHK (6, rue Saint-Claude; 33-1-42-74-13-55; www.galerielh.com).

20h - Francês clássico

Fundado em 1780, o Chez Julien (1, rue Pont-Louis-Philippe; 33-01-42-78-31-64) não poderia parecer mais francês nem se os garçons cantassem "Frère Jacques" ao servirem crème brûlée. Mas esta não é uma armadilha para turistas. Comprado e reformado no ano passado por um membro da família Costes, mais conhecida pelo luxuoso Hôtel Costes, o restaurante tem uma requintada decoração retrô chique, como banquetas de veludo e espelhos altos. Uma clientela elegante de todas as idades come pratos franceses clássicos - foie gras, pernas de rã, costelas de cordeiro e um enorme filé Chateaubriand com batatas fritas crocantes- mas a vista é a atração. Das mesas ao ar livre margeadas por árvores é possível ver o Sena, Notre Dame e, a poucos passos de distância, a velha Igreja de São Gervásio e São Protásio. Uma refeição com três pratos para duas pessoas, sem vinho, custa cerca de 100 euros (US$ 139, com o dólar cotado a US$ 1,39).

22h - Muito para digerir

Como digestivo, se junte ao público intelectual diverso no clássico bar de zinco no La Belle Hortense (31, rue Vieille-du-Temple; 33-1-48-04-71-60; www.cafeine.com), um aconchegante bar de vinho ao estilo Velho Mundo. Héteros e gays, trajando couro ou tweed, a clientela gira o vinho na taça e conversa animadamente sobre assuntos pretensiosos. Mesmo se você não souber a diferença entre Derrida e seu "derrière", não se preocupe: o local também é uma livraria, repleta de séculos de literatura francesa e internacional. O lounge traseiro, que conta com exposições de arte rotativas, é o local perfeito para beber um forte Guigal Côte du Rhone tinto (4,50 euros) e se aprofundar em tudo, de Anouilh a Zola.



Sábado


10h30 - Tutela real

Como ensinar o seu filho adolescente sobre os fatos da vida? Se você for Ana da Áustria, mãe de Luís 14, você contrata uma nobre caolha quarentona chamada Catarina de Beauvais para iniciá-lo, bem, na vida adulta. A história dela é apenas uma das muitas que você ouvirá durante a excursão por Marais oferecida pela Paris Walks (33-1-48-09-21-40; www.paris-walks.com). A excursão de duas horas (10 euros) inclui antigas casas de arquitetura esplêndida, o memorial do Holocausto e a Igreja de São Paulo - São Luís do século 17.

13h - Uma odisséia no almoço

O mais antigo mercado coberto de Paris, o Marché des Enfants Rouges (entrada pela rue Charlot) foi criado no início dos anos 1600 e continua sendo o centro da vida do Marais. Uma nova estrutura substituiu a original, mas ainda abriga queijeiros, vendedores de vinho e de hortifrutis. Melhor, há uma abundância de pequenos restaurantes que lembram uma propaganda da Benetton: italiano, japonês, francês, afro-caribenho, árabe. O Traiteur Marocain (33-01-42-77-55-05) oferece pratos marroquinos como sardinhas frescas grelhadas (7,50 euros) e tajine de cordeiro com ameixa e gergelim (8,85 euros).

14h30 - Designs pós-Starck

As ruas vizinhas abrigam os jovens criadores mais inventivos de Paris. Dentro da futurista casa maluca chamada Lieu Commun (5, rue des Filles du Calvaire; 33-1-44-54-08-30; www.lieucommun.fr), você encontrará utensílios domésticos de Matali Crasset, a protegida de Philippe Starck, assim como CDs de música eletrônica e moda de rua. Na loja caseira OneNineSixOne (135, rue Vieille-du-Temple; 33-1-42-72-50-84; www.oneninesixone.com), Gaëtane Raguet transpõe fotos antigas de Paris e dos Estados Unidos para telas para parede e abajures. Quando Christophe Lemaire não está bordando jacarés como diretor artístico da Lacoste, ele vende suéteres de decote V ao estilo anos 50 e jaquetas de camurça inspiradas nos anos 70 na Lemaire (28, rue de Poitou; 33-1-44-78-00-09; www.christophelemaire.com), sua butique pessoal no Marais.

16h30 - Pit-stop fotográfico

Existe alguma cidade iluminada por mais lâmpadas do que Paris? Novembro traz o Le Mois de la Photo à Paris -o Mês da Fotografia de Paris- com várias exposições por toda a cidade lideradas pela Maison Européenne de la Photographie (5-7, rue de Fourcy; 33-1-44-78-75-00; www.mep-fr.org). As exposições de destaque incluem "Uma Experiência de Química Divertida", dos fotógrafos contemporâneos David McDermott e Peter McGough, que lembra a Era de Ouro Americana usando técnicas do século 19. Também está sendo realizada uma retrospectiva do destemido fotojornalista turco Goksin Sipahioglu, fundador da agência internacional de fotojornalismo SIPA, que registrou eventos e personalidades marcantes do século 20, das Guerras do Suez e do Sinai à revolta estudantil de 1968 em Paris. As exposições vão de 5 de novembro a 25 de janeiro; 6 euros.

21h - Sushi ou tartare?

O mural no Usagi (58, rue de Saintonge; 33-1-48-87-28-85; www.usagi.fr), com sua mistura de figuras inspiradas em mangá japonês e motivos barrocos franceses, é uma metáfora pertinente para a culinária. Cria do artista e designer de moda Shinsuke Kawahara, este novo restaurante cool-minimalista ganhou um status cult por sua esperta cozinha híbrida francesa-japonesa. Um tenro bife Salers é casado com caldo missô doce e chips crocantes de raiz de lótus. Cubos de frango assados no forno são servidos com uma mistura tipo chutney de saquê, gengibre e cebolinha. As sobremesas são igualmente inventivas. Jantar para dois sem bebidas custa cerca de 90 euros.

23h - Faire la fête

Este é o termo francês para festejar, e você terá ampla oportunidade de usá-lo no Marais. O ponto badalado mais recente da Paris gay é o NYX (30, rue du Roi-de-Sicile; www.nyxclub.fr). Escondido atrás de uma fachada de padaria, um clube pequeno, mas animado, atrai gays e lésbicas para chope (3,80 euros) e música eletrônica, rock e disco tocada por DJs. O endereço de festa para héteros é o Andy Wahloo (69, rue des Gravilliers; 33-1-42-71-20-38), um salão abobadado com iluminação laranja decorado com cartazes kitsch de filmes árabes, garrafas de refrigerante e caixas de detergente. Ele atrai um público bem vestido que pede o coquetel da casa (rum, licor de banana, lima, gengibre, canela; 9 euros) e dança sobre banquetas ao estilo norte-africano.



Domingo


11h - Virando a carne

Ao entrar na estreita rue des Rosiers de paralelepípedos, o cheiro de challah recém assado exala das padarias, e estudantes usando kipá saem pelas portas adornadas com a Estrela de Davi. Este é o coração da Paris judaica. Muitos parisienses dizem que os melhores shwarma e falafel do país são servidos no L'As du Fallafel. A propósito, todo turista de todos os continentes parece saber disso, resultando em filas que mais parecem os concertos da Madonna. Em vez disso, atravesse a rua até o Mi-Va-Mi (23, rue des Rosiers; 33-1-42-71-53-72), onde as filas são menores, o serviço é mais amistoso e o falafel (5 euros) e o shwarma grelhado no espeto (7 euros) são quase igualmente bons. Peça a picante salade Turque e arremate com um excelente strudel de figo (3,20 euros) no vizinho Florence Finkelstein (24, rue des Ecouffes; 33-1-48-87-92-85).

13h - Village People

Precisa de alguma abajures art déco, molduras de quadro barrocas, vestidos antigos ou outros itens colecionáveis franceses para levar ao seu "pied-à-terre"? O Village Saint-Paul (sul da rue de Rivoli com rue Saint-Paul; www.village-saint-paul.com) conta com várias butiques repletas de achados retrô. Para aquelas bonecos antigos de macacos difíceis de encontrar, experimente a Lima Select (15-17, rue Saint-Paul, 33-1-42-77-98-02), um empório de bonecas e estatuetas incomuns. Caso se vestir como uma menina do coro dos anos 1910 é o seu lance, vá ao Francine (2, rue Ave Maria; 33-1-42-72-44-50). Em meio a todas as personalidades coloridas do Marais, você não se sentirá deslocada.



Informações básicas


Várias companhias aéreas, incluindo a Air France, Continental e Delta, contam com vôos diretos entre Nova York e Paris. Segundo uma recente pesquisa online, vôos para o próximo mês estão custando a partir de aproximadamente US$ 700.

Titãs do cinema vivem eternamente no Hôtel du 7eme Art (20, rue Saint-Paul; 33-1-44-54-85-00; www.paris-hotel-7art.com), que está repleto de memorabilia de cinema, com alguns itens à venda. Ele está um pouco surrado, mas a localização e preço são excelentes. Quartos duplos a partir de 90 euros.

Você meio que espera ver monges malucos no Hôtel Saint Merry (78, rue de la Verrerie; 33-1-42-78-14-15; www.hotel-saintmerry.com). Situado em um prédio do século 17 ao lado de uma igreja, ele tem 12 quartos com decoração medieval: madeira escura, vigas expostas, pedra e até mesmo um arcobotante ocasional. A partir de 160 euros.

Para elegância chique, antenada, experimente o complexo de três apartamentos na 5, rue de Moussy, conhecido por seu endereço (33-1-44-78-92-00; peça para falar com Patrice). Criado pelo magnata da moda Azzedine Alaïa, os apartamentos grandes e arejados contêm móveis de designers famosos como Mark Newsom e Jean Prouvé. A diária para dois é de 450 euros por noite.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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