36 Horas em Phnom Penh - Conheça a "Pérola da Ásia" antes que ela vire metrópole

ERIKA KINETZ

New York Times Syndicate

  • Basil Childers/NYT

Há outra revolução ocorrendo em Phnom Penh. Antes lar do Khmer Vermelho, Phnom Penh, a capital do Camboja, agora tem seu próprio KFC e outros paramentos capitalistas. Arranha-céus estão sendo construídos, dinheiro estrangeiro está entrando no país. Esta pode ser a última chance de ver Phnom Penh antes dessa antiga aldeia, à boca de três grandes rios e já chamada de 'Pérola da Ásia', se transformar em uma metrópole movimentada. Mesmo hoje, a cidade parece brilhar com um senso de que seus prédios baixos, vacas que se movem lentamente e monges sorridentes estão prestes a desaparecer.



Sexta-feira



17h - Drinque à beira do rio

Fundada na confluência dos rios Mekong, Tonle Sap e Tonle Bassac, Phnom Penh é uma cidade de água. Algumas de suas principais ruas já foram canais, e não há melhor forma de honrar a alma praiana de Phnom Penh do que um drinque ao entardecer no Maxine's (Tonle Sap Road, 71, Chruoy Changva Peninsula; 855-12-200-617). Em uma velha casa de madeira que se inclina na direção do rio, o Maxine's tem uma autenticidade decadente que, pelo menos por ora, parece imune à rápida modernização da cidade.

19h - Coma como um colonialista



Basil Childers/NYT
O Elsewhere tem mesas inseridas dentro das árvores ao redor de uma pequena piscina

Os franceses governaram o Camboja de 1864 a 1953, e seja lá o que você tenha a dizer sobre esse legado, eles deixaram para trás um bom queijo. Se você estiver com espírito para gastança, peça o foie gras (US$ 17) no elegante La Résidence (Rua 214, 22-24; 85523-224-582; www.la-residence-restaurant.com ). Caso contrário, vá ao La Marmite (Rua 108, 80; 855-12-391-746; pratos de US$ 7 a US$ 13), um bistrô encardido que oferece melhor comida do que a maioria de seus primos mais caros. (Note que os preços no Camboja costumam ser apresentados em dólar.) Depois, se por acaso você estiver em Phnom Penh na primeira sexta-feira do mês, siga a onda surreal de expatriados bêbados até o Elsewhere (Rua 51, 175; 855-23-211-348), que conta com mesas inseridas dentro das árvores ao redor de uma pequena piscina. Ou vá dormir. O Camboja, afinal, ainda é um país de camponeses que acordam cedo.



Sábado



8h - Conheça a história

Cinco líderes do Khmer Vermelho aguardam por julgamento em um tribunal da ONU em Phnom Penh. Mas esse capítulo sombrio ainda é tão politicamente sensível que mal é comentado nas escolas cambojanas. Esse é mais um motivo para tomar cedo um tuk-tuk, um riquixá puxado por moto, até os campos de execução de Choeung Ek, a cerca de 14 quilômetros de distância pela Monireth Boulevard (ingresso US$ 2). Então visite o Museu do Genocídio de Tuol Sleng (Rua 113 com Rua 350; 855-12-457-677; US$ 2), onde pelo menos 14 mil homens, mulheres e crianças foram torturados. Pise com cuidado: os moradores locais dizem que o local ainda é assombrado.

12h - Coma com os amigos

Para consolo, vá ao Friends (Rua 13, 215; 855-12 802-072; www.streetfriends.org ), onde você pode se confortar com o fato de seu almoço ser servido por crianças de rua reabilitadas. Apesar do avanço galopante da economia do país, cerca de um terço dos cambojanos ainda vive com menos de um dólar por dia, diz o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. Os shakes de frutas (US$ 2,50 a US$ 3,50) são fantásticos, assim como os pratos estilo tapas, como filé de peixe grelhado com molho verde (US$ 3).



Basil Childers/NYT
O krama, um tradicional xale, é feito de algodão e tem diversos usos, que vão de enrolar bebês a trajes de banho

14h - Caçando pechinchas

Há abundância de pechinchas em Phnom Penh. À procura de pedras preciosas a preços acessíveis? Vá ao fundo da loja da Mr. Sit Down (CEO Sihanouk Boulevard, 116; 855-12-805-4-28), onde o trabalho sólido, design simples e rubis brilhantes de Hoeu Sareth encantam os estrangeiros há anos. Para roupas femininas, vá ao L'Armoire (Rua 19, 126; 855-23722-310), uma doce butique que vende vestidos da estilista e proprietária Alexandra Barter. O Ambre (Rua 178, 37; 855-23-722-310), situado em uma velha mansão colonial, vende ternos masculinos e vestidos sofisticados. E antes de levar suas sacolas para o hotel, compre pelo menos um krama todo de algodão, o tradicional xale xadrez usado para tudo, desde envolver nenês até banho. Você encontrará uma grande variedade (cerca de US$ 1,50) no Psar Tuol Tom Pong, também conhecido como Mercado Russo, na esquina das ruas 440 e 163.

17h - A experiência do spa

Para cuidados faciais, experimente o spa no Bliss (Rua 240, 29; 855-23-215-754; faciais, US$ 38 a US$ 45), mas se quiser uma massagem, vá ao Health Care Center Master Kang (Monivong Boulevard, 456; 85523-721-765), que pode ter um ambiente apenas utilitário, mas conta com os melhores massagistas da cidade. Comece colocando seus pés em uma piscina de água quente com ervas que parece lama. A massagem com óleo de aromaterapia (US$ 15 por uma hora) envolve pilhas de toalhas quentes, até 20, amontoadas sobre suas costas doloridas. A massagem nos pés (US$ 10 por uma hora) é insuperável.

18h30 - Cozinha khmer

A culinária khmer não é para os sensíveis: grilos com alho, besouros pretos, tarântulas crocantes e frango picado com osso. Não tema: há churrasco. Em uma cadeira de plástico na calçada no Sovanna Restaurant (Rua 21, 2; 855-12-840-055), peça pratos como lula fresca grelhada, camarão, carne bovina ou de porco (pratos pequenos, 8 mil riéis, ou US$ 1,96, com o dólar cotado a 4.168 riéis; pratos grandes, 16 mil riéis).

20h30 - Permaneça hidratado

O lado respeitável da vida noturna de Phnom Penh consiste de beber, beber e beber um pouco mais. Os turistas costumam ir ao Foreign Correspondents' Club (Cais Sisowath, 363, 855-23-724-014; www.fcccambodia.com ). Jornalistas de fato tendem a se afogar nas fortes margaritas do Cantina (Cais Sisowath, 347; 855-23-222-502), um bar mexicano à beira do rio. Para martinis, vá ao Metro (Cais Sisowath com a Rua 148; 855-23-222-275), um lugar moderno e elegante com alguns dos melhores drinques na cidade. Se deseja dançar, o Riverhouse (Rua 110, 6; 855-23- 220-180) oferece graves pulsantes e um clima ligeiramente de gueto.



Domingo



8h30 - Veja a velha cidade

Uma das melhores formas de desembaraçar a tortuosa -e torturada- história da cidade é estudar seus velhos prédios. Tome um ciclo, uma espécie de riquixá puxado por bicicleta, para um passeio de três horas pela arquitetura da cidade com a Khmer Architecture Tours (855-92-870-005; www.ka-tours.org ; os passeios partem do Correio de Phnom Penh, nas ruas 13 e 102), um grupo sem fins lucrativos com guias bastante informativos. Apesar de a cidade ter sido moldada por ondas de franceses e chineses, você nunca encontraria aquele velho templo chinês (atualmente ocupado por invasores) ou a desativada fábrica da Citroën sem ajuda. Além disso, não perca a obra do mais celebrado arquiteto moderno do Camboja, Vann Molyvann, cujos prédios modernos da metade do século estão desaparecendo rapidamente. Dois foram demolidos apenas neste ano. Os passeios em grupo (de US$ 5 a US$ 12) ocorrem em domingos alternados; também há passeios privados (cerca de US$ 40 por três horas).

12h - Arte e artefatos

Se você não puder ir a Angkor Wat, confira a coleção de artefatos angkorianos no Museu Nacional (esquina da ruas 13 e 184, 855-23-211-753). Um pavilhão ao ar livre construído em torno de uma exuberante fonte de jardim, ele é um dos lugares mais calmos da cidade, apesar de um morcego ocasional voando ao alto. Para algo mais moderno, contorne a esquina até o Instituto Reyum de Artes e Cultura (Rua 178, 47; 855- 23-217-149; www.reyum.org ), dirigido por Ly Daravuth, um curador de formação francesa e historiador cultural, cujas exposições anteriores incluíam pinturas de templos e esculturas feitas a partir de objetos cotidianos. O Reyum também publica uma coleção de livros sobre a cultura cambojana que você não encontrará em nenhum outro lugar.

14h - Sabor do passado

O Camboja já foi famoso por suas pimentas em grão, que parecem inócuas mas são bastante ardidas. Kampot, a pacata cidade ribeirinha a cerca de três horas ao sul de Phnom Penh, já foi o centro da produção de pimenta em grão do Camboja. Hoje, grupos sem fins lucrativos estão trabalhando para reviver o comércio. A melhor forma de saborear esta história é na Chocolate Shop, a primeira e única butique de chocolate da cidade (Rua 240, 35; 855-23-998 6-38). Peça a barra do tamanho de um palmo de chocolate preto com pimenta Kampot moída (US$ 5). Ele é doce e picante tanto quanto os próprios trópicos.



Se você for



A maioria dos vôos entre os Estados Unidos e Phnom Penh exige conexão. A Korean Air ( www.koreanair.com ) parte do Aeroporto Kennedy para Phnom Penh, via Seul, Coréia do Sul, a partir de US$ 1.645, como mostrou uma recente pesquisa online. Vôos mais baratos às vezes podem ser encontrados na EVA Air de Taiwan ( www.evaair.com ), que parte de Newark para Phnom Penh, via Taipé. Uma recente pesquisa online encontrou tarifas a partir de aproximadamente US$ 1.200. Um táxi do aeroporto até o centro do Phnom Penh sai por cerca de US$ 10, com gorjeta.

O Raffles Hotel Le Royal (Rukhak Vithei Daun Penh, 92; 855-23-981-888; www.phnompenh.raffles.com ) é onde os jornalistas acamparam em 1975, à véspera da tomada da cidade pelo Khmer Vermelho. Hoje, o hotel histórico ainda atrai dignitários e estrangeiros, com quartos suntuosos a partir de US$ 300.

O Villa Langka (Rua 282, 14; 855-23-726-771; www.villalangka.com ), com apenas um ano, é uma adição bem-vinda à pequena mas crescente lista de hotéis-butique da cidade. Há uma piscina com azulejos escuros, um jardim pacífico e quartos decorados com muito bom gosto de US$ 35 a US$ 100.

Tradução: George El Khouri Andolfato
 

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