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Dos tempos em que Nova York era realmente nova

Robert Caplin/NYT
Imagem: Robert Caplin/NYT

SETH KUGEL
New York Times Syndicate

01/09/2008 21h52

Se você visita regularmente Nova York, desfrutando as lojas, restaurantes, a arte e o teatro, além da pura energia das ruas, você já pode ter se perguntado: como ela ficou assim? (Você também pode estar ocupado demais comprando, comendo e olhando o que ainda não tinha visto, mas faça de conta e me acompanhe.)

A resposta longa está em muitos livros longos e pesados que você poderia passar um ano lendo; a resposta mais curta pode ser sua por US$ 44 em quatro visitas a museus, possíveis de serem feitas em um fim de semana e ainda sobrar tempo para um "walking tour" (tour a pé) pelos pontos históricos.

Comece no sábado perto da pouco visitada extremidade da cidade alta, onde o Museum of the City of New York (Museu da Cidade de Nova York) pode fornecer uma introdução com uma história multimídia de 22 minutos, que começa com as primeiras construções da cidade e vai até os ataques ao World Trade Center e o presente.

Então comece a adicionar alguns pequenos detalhes visitando as exposições do museu. A exposição atual, "Católicos em Nova York", que vai até 31 de dezembro, é uma janela para uma minoria antes perseguida que se tornou uma base poderosa da cidade &#8212uma história clássica de Nova York.

As exposições permanentes são intrigantes, mesmo que ocasionalmente antiquadas. Uma rápida visita pela Nova York marítima começa pelos primórdios da exploração européia: o sujeito que deu nome à Ponte Verrazano-Narrows chega em 1524, seguido pelo sujeito que deu nome ao rio Hudson, em 1609. O modelo da Nova Amsterdã em 1660 pode não ser tão impressionante quanto o Google Maps, mas é fascinante ver uma época em que as pessoas na baixa Manhattan tinham casas e terrenos de tamanho suburbano (mas sem utilitários esporte). Modelos de chalupas, escunas e veleiros mostram o que ocupava os portos de Nova York nos dias daquela que poderia ser chamada de Nova York de caixa baixa: a South Street Seaport era realmente um porto e o Brooklyn Navy Yard era um estaleiro de fato.

A New-York Historical Society (Sociedade Histórica de Nova-York) também costuma ser ignorada, ficando à sombra de seu vizinho, o maior, mais vistoso e sem hífen Museu Americano de História Natural. O Centro Henry Luce 3º para Estudo da Cultura Americana tem em exposição vários artefatos intrigantes da cidade assim como algumas outras exposições especiais (incluindo "Praga em Gotham!" se você desejar ver a aparência de vítimas de cólera em último estágio no século 19, por exemplo). Há uma poltrona de aparência surpreendentemente confortável, que foi usada por George Washington durante sua posse no Salão Federal, e a perna de pau do nova-iorquino e pai fundador Gouverneur Morris, que não parece nada confortável.

Rabo do cavalo e flores artificiais

Há o rabo do cavalo montado pelo rei George 3º na estátua que foi destruída em Bowling Green, em 9 de julho de 1776, e uma roda de loteria de alistamento dos tumultos do alistamento em Nova York de 1863. Cartões escritos à mão que foram encontrados dentro da roda exibiam os nomes, endereços e profissões dos nova-iorquinos que, é possível presumir, não foram sorteados. Pena que o Exército da União não pôde contar com o talento profissional de Isaac Solomon, do número 286 da rua 9, artesão de flores artificiais. Objetos recuperados do World Trade Center &#8212como os números das portas dos elevadores&#8212 somados aos artefatos antigos fazem você lembrar que eventos atuais se transformam em história cedo ou tarde.

No domingo, levante cedo para evitar as filas imensas na balsa para a Estátua da Liberdade. Pule a parada na Estátua da Liberdade. (Resumo: é grande e verde, com a mesma aparência que se vê da balsa.) Em Ellis Island, o ponto de entrada para milhões de imigrantes entre 1892 e 1924, pegue o guia de áudio realizado de forma brilhante (US$ 6 adicionado aos US$ 12 da passagem da balsa), cheio de vozes de americanos lembrando sua chegada lá. "Se eu soubesse descrever a aparência de um mundo encantado, eu diria que Nova York parecia um mundo encantado. Estava além de qualquer coisa cuja existência eu poderia conceber", diz um homem, descrevendo o primeiro vislumbre do horizonte urbano ao chegar.

Mesmo sem o guia de áudio, você verá que os documentos e artefatos se concentram na experiência individual dos imigrantes, na bagagem e vestuário até os manifestos dos navios e cardápios do refeitório de Ellis Island, onde ameixas cozidas diziam "Bem-vindo à América".

O segundo capítulo da vida imigrante em Nova York está em exibição no Lower East Side Tenement Museum (Museu dos Apartamentos do Lower East Side), um prédio de apartamentos do século 19 que está desabitado desde 1935. Em 1988, o museu o assumiu, pesquisando as famílias que moravam lá e recriando seus apartamentos para visitas em grupo.

Imigrantes irlandeses

A mais recente visita (todas custam US$ 17) é ao apartamento da família Moore, imigrantes irlandeses que, na época da recriação de 1869, estavam lamentando a perda de seu bebê de cinco meses, Agnes. Os guias se concentram em questões de saúde pública e comparam esta família com a Katz, que viveu lá nos anos 1930. Apartamentos lotados de imigrantes não são coisa do passado, mas os dias de leite contaminado, não pasteurizado e de coleta de lixo que dependia de milhares de porcos famintos, felizmente, são.

Tente participar de um "walking tour" ao ar livre; entre as empresas que as realizam, a Big Onion (www.bigonion.com) se distingue por contratar estudantes de doutorado como guias. A visita ao Distrito Financeiro é a escolha óbvia &#8212é onde o assentamento europeu (e africano, como você deve ter aprendido no fascinante vídeo "Escravidão em Nova York" da Sociedade História de Nova-York) teve início.

Há muitas outras instituições: as sociedades históricas dos distritos, casas históricas restauradas como o Merchant's House Museum e a Morris-Jumel Mansion (veja www.historichousetrust.org).

Outros museus seguem seus próprios caminhos temáticos pela história; o Transit Museum (Museu do Trânsito) fica em uma estação do metrô desativada, construída nos anos 30. Ele é bacana, apesar de visitantes de cidades com sistemas de transporte público mais modernos poderem considerar irônica a existência do museu: afinal, Nova York oferece passeios 24 horas por um sistema de metrô datado e bamba pelo preço de uma passagem.

COMO ERA

Museum of the City of New York, 1220 Fifth Avenue com 103rd Street; (212) 534-1672; www.mcny.org.

New-York Historical Society, 170 Central Park West entre as ruas 76 e 77; (212) 873-3400; www.nyhistory.org.

Ellis Islanda, New York Harbor, (212) 363-3200; www.nps.gov/elis. Informação sobre a balsa: (877) 523-9823; www.statuecruises.com.

Lower East Side Tenement Museum, 97 Orchard Street (visitas saem da 108 Orchard Street); (212) 431-0233; www.tenement.org.

New York Transit Museum, Boerum Place com Schermerhorn Street, Brooklyn; (718) 694-1600; www.mta.info/mta/museum.

Bronx Historical Society, www.bronxhistoricalsociety.org.

Brooklyn Historical Society, www.brooklynhistory.org.

Queens Historical Society, www.queenshistoricalsociety.org.

Staten Island Historical Society, www.historicrichmondtown.org.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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