Cours Julien: distrito de Marselha é um dos mais dinâmicos da França

Do New York Times Syndicate

  • Ed Alcock/NYT

O distrito de Cours Julien, no alto da colina, era o que as pessoas esperavam de Marselha, a segunda cidade da França, com duas faces. De dia, era a barriga da cidade, dominada por uma vibrante feira que se espalha a partir de uma praça central. Mas, à noite, gangues locais brigavam e drogas eram vendidas.

Hoje, ele está entre os bairros mais dinâmicos na França, seguro, abundantemente diverso e muito divertido. Você encontrará as benesses de décadas de imigração ao portão sul da França —uma vitrine de modas do Magreb, no norte da África, culinária do Oriente Médio e a música do sudoeste da África. Mas talvez sejam os mais novos imigrantes de Cours Julien aqueles que selaram seu status como coração alternativo da cidade: os chamados "bobos", a burguesia boêmia da França.

Em dias quentes, uma proliferação de terraços se abre para a praça principal de Cours Julien. Em La Baleine qui dit Vagues (Cours Julien, 59; 33-491-48-95-60, www.labaleinequiditvagues.org), estudantes e avós bebem café lado a lado enquanto surge o elenco colorido de personagens do distrito. Um artista de rua dança, com violão em punho, cantando em suave patoá francês. Malabaristas amadores praticam suas rotinas, com punks girando seus diábolos. E, quando terminam as aulas, uma grande quantidade de crianças se pendura nos ciprestes e oliveiras.

Enquanto isso, os "bobos" conferem as roupas no Madame Zaza of Marseille (Cours Julien, 73; 33-491-59-28-48; www.zazaofmarseille.com), uma butique da moda onde vestidos floridos e esvoaçantes sugerem as cores dominantes do norte de África (a partir de 45 euros, ou cerca de US$ 73, com o euro cotado a US$ 1,62).

Ao leste da praça, dezenas de cafés, brechós e butiques estão cobertos de grafite. Entre os mais badalados está o Be Myself (Rue Bussy l'Indien, 22; 33-491-88-01-35-53; www.be-myself.net), uma butique minúscula onde a estilista, Marie-Christine Roura, pinta à mão rostos sensuais e padrões repetidos em camisetas (29 euros).

Ao anoitecer, Cours Julien assume seu posto entre os pontos noturnos mais bacanas da cidade, enquanto jovens e velhos são atraídos pelo aroma de carne grelhada que vem dos restaurantes. Escolher uma culinária é como girar um globo e colocar o dedo.

Felizmente, um dos mais populares também está entre os mais baratos. Quase perdido em uma concentração de bares de vinho e terraços, o La Pause (Rue de Trois Mages, 7; 33-06-21-39-34-92), um venerado café de churrasco grego, onde os clientes balançam taças de vinho sobre carros estacionados enquanto carne temperada de forma obsessiva é picada em um prato quente, colocada em um galette grelhado e servido com repolho vermelho, hortelã e salsa (4 euros).

Depois, a festa se desloca de volta à praça principal, onde as filas se formam cedo do lado de fora do L'Espace Julien (Cours Julien, 39; 33-491-24-34-10; www.espace-julien.com), um clube gasto pelo tempo e casa de concerto, onde música ao vivo provavelmente será independente francesa, rap senegalês ou mesmo ska dos Bálcãs.

Parece milhões de quilômetros distante dos bulevares haussmanianos de cartão-postal de Paris ou do brilho de Cannes. Mas, de muitas formas, parece mais francês.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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