Viagem

36 horas em Palermo - Capital siciliana está caminhando para sua quarta era de ouro

Fotos Chris Warde-Jones/NYT
Imagem: Fotos Chris Warde-Jones/NYT

ARIEL FOXMAN

New York Times Syndicate

06/08/2008 19h17

Em seus 2.700 anos de história, a cidade portuária de Palermo passou por três eras douradas: cartagineses, árabes e normandos encontraram glória ao longo de suas costas escarpadas. E agora, após décadas de abandono no pós-Guerra e corrupção da Máfia, a freqüentemente desconsiderada capital siciliana está caminhando para uma quarta —ou, no mínimo, um merecido retorno. Estradas esburacadas estão sendo pavimentadas, marcos estão sendo limpos e um novo orgulho pode ser sentido. Mas os charmes essenciais desta cidade misteriosa e intoxicante felizmente permanecem intactos. Ainda há bairros antigos sedutores, uma prazerosa colcha de retalhos de arquitetura (qual é a palavra para árabe-normando-espanhol-barroco?) e um caos conhecido como trânsito de Palermo.



Sexta-feira


16h - Pão e circo
A antiga cidade está repleta de mercados ao ar livre vibrantes e barulhentos. Misture-se aos moradores locais nas compras dos itens básicos para o fim de semana no Ballarò, a mais antiga feira livre estilo árabe da cidade, no decrépito, mas ainda atmosférico, bairro de Albergheria. Se junte à multidão em qualquer ponta (entre pela Piazza Ballarò ou pela Piazza del Carmine) e pare nas bancas com todo tipo de peixes ainda se debatendo nas bandejas de gelo, ao lado de caixas de abóboras tão compridas como didjeridus e alcaparras do tamanho de uvas. Se os chamados dos feirantes não forem divertidos o bastante, compre um panelle pelando de quente, um lanche frito feito de grão-de-bico (cerca de 5 euros, ou US$ 8, com o euro cotado a US$ 1,62).

17h30 - Arquitetura divina
Não seria uma viagem à Itália sem uma visita a uma igreja magnífica. Faça uma caminhada de cerca de dez minutos para o norte até a Piazza Bellini, no centro da cidade velha, e suba os degraus até duas famosas casas de oração. A igreja de São Cataldo (Piazza Bellini, 2), uma diminuta capela genérica, é mais bem apreciada de fora, onde é possível ver seus três domos sarracenos da cor vermelha cardeal. Mas a poucos passos de distância fica a igreja de Santa Maria Dell'Ammiraglio, também conhecida como La Martorana, que oferece a mistura quintessencial de arquitetura árabe-normanda, incluindo um impressionante campanário que data de 1143. Há abundância de mosaicos e afrescos lindos e bem conservados; não é de se estranhar que a agenda da igreja esteja sempre lotada para casamentos.

20h - Clássico moderno
Se você desejar versões sofisticadas de pratos sicilianos clássicos, vá ao Bellotero (Via Castriota, 3; 39-091-582-158), um restaurante de dez meses na cidade nova de Palermo que atrai uma clientela noturna de moradores locais animados e exigentes. Saboreie uma refeição deliciosa de espaguete com cherne-poveiro, ouriço-do-mar e raspas de casca de limão (12 euros) ou cordeiro com pistache torrado e caponata vegetal (12 euros). Acompanhe com uma taça de Marsala (experimente o Donna Franca da vinícola Florio; 5 euros).




O bar Malù, mais adulto, é um lounge duplex com cadeiras ao ar livre que atrai uma clientela mais abastada


23h - Bar fervilhante
Para uma cidade com vibração audível, Palermo surpreendentemente deixa a desejar quando se trata de uma vida noturna memorável. Todos os jovens parecem ter recebido a mesma mensagem de texto, dado o grande número deles reunido regularmente nos bares da Via Ruggero Settimo, Via Principe Belmonte e Via Isidoro la Lumia. Atravesse com dificuldade a folia que se espalha pelas ruas ou vá até o mais adulto Bar Malù (Via Enrico Albanese, 21; 39-347-820-0870). Este lounge duplex com cadeiras ao ar livre atrai uma clientela mais abastada, que flerta com as músicas tocadas por um DJ e bebe coquetéis especiais como o Robertino, feito de gim, Angostura e Aperol (5 euros).



Sábado


9h30 - Mercado matinal
Esqueça aquele espresso. Anime-se mergulhando na feira livre mais frenética da cidade, a La Vucciria (entre a Corso Vittorio Emanuele e a Piazza San Domenico). Um labirinto vertiginoso de ruas estreitas repletas de barracas de alimentos e iluminada por milhares de lampadinhas. Entre na Bread Forreria (Via Bonacorso, 29), uma adorável padaria à moda antiga, para um fettine zuccherate, seu característico pão com gergelim, passas ou erva-doce, caseiro magistral (10 euros o quilo).

11h - Rica em barroco
Mergulhe na espetacular arte e arquitetura barroca de Palermo no bairro histórico de Loggia. Um passe único (5 euros, em qualquer um dos lugares) permite a entrada nos cinco tesouros arquitetônicos da área, incluindo o Oratorio del Rosario del San Domenico (Via dei Bambiani), uma capela do século 16 com um retábulo de Van Dyck, afrescos de Novelli no teto e muitos querubins adoráveis. Arrume um mapa (em frente a qualquer um dos locais) e siga até os outros quatro, não deixando de refletir diante dos rostos das 15 estátuas representando as Virtudes e os Mistérios no rococó e resplandecente Oratorio del Rosario di Santa Citta (Via Valverde, 3). Eles pertenciam às socialites da época.

13h30 - Parada doce
Em uma cidade onde sorvete em um brioche fatiado é uma legítima opção de refeição, obtenha o legítimo na Pasticceria Alba (Piazza Don Bosco, 7/c-d, ao lado da Via della Libertà; 39-091-309-016; www.baralba.it), uma instituição de meio século com um cardápio interminável para viagem e funcionários ancestrais. Peça uma concha de pistachio bronte (2 euros), leve seu hambúrguer de sorvete para fora e assista aos moradores de todas as idades desfrutando de seu prazer ao meio-dia.




Catacombe dei Cappuccini, uma tumba subterrânea com mais de 8.000 cadáveres preservados do século 16 até 1920


16h - Caminhada do homem morto
Arquive em "Só Vendo para Acreditar". Pegue o ônibus nº 327 até a periferia oeste da cidade para a extremamente popular, mas altamente arrepiante, Catacombe dei Cappuccini (Piazza Cappuccini, 1; 39-091-212-117). Os frios corredores desta tumba subterrânea estão repletos com mais de 8.000 cadáveres —homens, mulheres e crianças plenamente vestidos e com expressões faciais congeladas— que foram preservados por meio de todo tipo de ciência do século 16 até 1920. Mais surreal do que assustador, este é um lembrete da morte em uma escala tremenda.

18h30 - Drinques ao entardecer
Puxe uma cadeira no bar do terraço do Villa Igiea (Salita Balmonte, 43; 39-091-631-2111; www.hotelvillaigieapalermo.com), um hotel de luxo na encosta do encantador Monte Pellegrino. Este hotel art nouveau fica aninhado em meio a jardins e pátios que oferecem vistas inesquecíveis de 180 graus da baía de Palermo. Beba uma taça do vinho branco Donnafugata, frutuoso e enérgico (10 euros), enquanto prova uma grande variedade de petiscos tentadores no Bar des Arcades.

20h30 - Jantar à beira-mar
Para uma boa pausa em todos os peixes e frutos do mar da cidade, experimente o Bye Bye Blues (Via del Garofalo, 23; 39-091-684-1415; www.byebyeblues.it), um restaurante premiado no bairro praiano de Mondello. Ingredientes incrivelmente frescos conspiram para criar pratos deliciosos como um aperitivo de queijos frescos servido com nozes e marmelada (13 euros). Siga com uma deliciosa porção de pasta alla Norma, um clássico da ilha de rigatoni, tomate, ricota e berinjela frita (12 euros). Acompanhe com um saboroso Cerasuolo di Vittoria 2004 (22 euros), um dos 350 vinhos disponíveis.

22h30 - Uma caminhada digestiva
Para sobremesa, pegue um pezzo duro —sorvete congelado feito confeito (2,5 euros)— no elegante Caflisch Café (Viale di Regina Margherita di Savoia, 2/b; 39-091-684-0444). De lá, siga para a orla marítima próxima e desfrute de uma caminhada tranqüila, ou passeggiata, ao longo do cristalino mar Tirreno. Passe por legiões de barracas de praia na areia branca antes de chegar à mistura barata de bares, galerias e barracas de suvenires na outra ponta.




Claustro do Duomo de Monreale, onde há uma impressionante exposição de mosaicos gregos e bizantinos


Domingo


11h - Jesus no monte
Há um ditado em Palermo que diz algo assim: "Aquele que visita Palermo sem visitar Monreale chega como uma mula e parte como um asno". OK, provavelmente não aparecerá estampado em uma camiseta em breve, mas a movimentada e apertada cidade montanhesa a poucos quilômetros a oeste do centro da cidade vale uma viagem de ônibus (nº 389). Siga até o Duomo (Piazza Gugliemo il Buono) do século 12 para o que pode ser a mais impressionante exposição de mosaicos gregos e bizantinos do mundo. Há 200 colunas com entalhes complexos nos claustros vizinhos, e o mosaico de 20 metros de Jesus brilha como o sol sobre a abside central. A era dourada de Palermo, ao que parece, nunca terminou de fato.



Informações básicas


Uma viagem de táxi de 30 minutos até o centro de Palermo custa cerca de 40 euros, ou aproximadamente US$ 65 com o euro cotado a US$ 1,62. Mas por 5,30 euros, ônibus passam a cada meia hora (www.prestiaecomande.it).

Os muitos hotéis majestosos de Palermo incluem o Excelsior Palace (Via Marchese Ugo, 3; 39-091- 790-9001; www.excelsiorpalermo.it). Recém-reformado, o adorável prédio do século 19 tem 122 quartos elegantes, um novo restaurante e um concierge diligente. Diárias do quartos duplos padrão a partir de 216 euros, mas procure por promoções online.

Para algo mais contemporâneo, experimente o cosmopolita Plaza Opera Hotel (Via Nicolò Gallo, 2; 39-091-381-9026; www.hotelplazaopera.com/it) ou o butique Hotel Ucciardhome (Via Enrico Albanese, 34/36; 39-348-426; www.hotelucciardhome.com). Diárias de seus quartos duplos modernos a partir de 230 euros e 170 euros respectivamente.

Prefere algo mais antigo? Vá ao Palazza Conte Federico (Via dei Biscottari, 4; 39-091-651-1881; www.contefederico.com), um castelo iluminado por tochas, repleto de antiguidades dos anos 1100 e que ainda é de propriedade, dirigido e habitado pela aristocracia. De fato, o conde e a condessa Federico farão um brinde e auxiliarão você em sua chegada. As diárias variam de 150 a 400 euros.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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