Pela Soi Arab, uma colorida rua de Bancoc, passa um cruzamento de duas culturas

JENNIFER GAMPELL

New York Times Syndicate

  • Basil Childers/NYT

Espelhos, balaustradas com arabescos e TVs de tela plana penduradas se tornaram elementos indispensáveis em terraços de restaurante antes banais na Sukhumvit 3/1, também conhecida como Soi Arab, uma colorida rua estreita de pedestres na margem norte da área de vida noturna de Soi Nana, em Bancoc.

A popularidade da Soi Arab, que fica ensanduichada entre as ruas Sukhumvit 3 e 5, oscila desde que recrutadores sauditas de mão-de-obra barata tailandesa a descobriram no início dos anos 80. Atualmente, cheios de dinheiro do petróleo, mais turistas árabes do que nunca aparecem na minúscula rua e encontram nos reformados restaurantes e cafés de shisha (narguilé) o ambiente de seus países de origem —com menos restrições culturais. Para pessoas não oriundas do Oriente Médio, a rua movimentada é um oásis de exotismo árabe no coração de um bairro libertino de Bancoc.

Um sinal do lucrativo mercado árabe é o aumento de novas lojas de madeira de agar. A espécie de árvore Aquilaria cada vez mais ameaçada é prezada mundialmente por causa de sua cara resina (chamada oud em árabe). Nas culturas islâmicas ela é queimada como incenso ou destilada em perfumes almiscarados não-alcoólicos. Com os preços da madeira de agar não cultivada chegando a US$ 10 mil o quilo, poucos lojistas locais dão boas-vindas a meros curiosos. Mas os visitantes da Yusoof Shop (6/17; 66-2-655-7521) podem olhar livremente os vários tons de lascas de madeira sob os mostruários, assim como uma grande coleção que não está à venda de frascos e ampolas de perfume em cristal ornamentado.

Luzes brilhantes refletindo em uma infinidade de superfícies metálicas e as reluzentes decorações pseudo-egípcias transformam noite em dia no Nasir al-Masri (4/6; 66-2-253-5582; www.restaurant-shishah-nasir.com) e no vizinho Nefertiti (4/8; 66-2-655-3043). Cercados de vasos com plantas e luminárias, os dois restaurantes ofuscantes e bares de shisha a céu aberto da rua ficam na esquina de uma travessa. Ambos os lugares para pessoas desfilarem possuem uma cozinha pan-árabe cara —pesada em cordeiro— mais um pouco de pratos tailandeses e indianos. O mais antigo e mais amistoso Nasir foi inaugurado em 1986. Cada restaurante conta com um par de telas de TV gigantes exibindo divas pop egípcias e grandes eventos internacionais de futebol.

Apesar do Shahrazad (6/8; 66-2-251-3666) não oferecer nem terraço e nem TV, seus pratos confiavelmente bem preparados, servidos por garçonetes tailandesas vestindo o hijab, tornam o restaurante uma opção para muitos árabes que moram na cidade. Em funcionamento desde 1983, o mais velho restaurante da rua oferece um saboroso pombo recheado (320 bahts, ou cerca de US$ 9,70, com o dólar cotado a 33 bahts) e um suculento tikka de cordeiro (170 bahts) em um ambiente tranqüilo de painéis de madeira e espelhos.

Os pratos no minúsculo Petra (75/4; 66-2-655-5230) não necessariamente se comparam aos semelhantes no Shahrazad, apesar do hummus "bayroty" com folhas picadas de aipo ser deliciosamente incomum (90 bahts). Mas nenhum outro restaurante em Soi Arab consegue igualar seu ambiente amistoso, que parece como uma versão árabe da série "Cheers". Abu Dabah, o gerente sociável, conversa rapidamente com seus muitos clientes regulares, brinca em voz alta com as garçonetes vestindo hijab de poliéster (elas o ignoram) e vai e vem entre o forno de pão e o interior com 10 mesas.

Enquanto os problemas políticos e econômicos da Tailândia desanimaram outras partes antes vibrantes de Bancoc, a movimentada Soi Arab transborda com uma energia mais típica do Oriente Médio do que da Tailândia.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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