Expedição Brasil Melhor, quarto dia: Finalmente, a travessia do rio São Francisco

FABIO CUNHA

Participante da expedição

  • Poio Estavski

Saímos de Barreiras (BA) em direção ao rio São Francisco, dia longo, 530 km. A previsão de chegada à cidade de Irecê (BA) era à noite. Nesse dia as estradas de areia do tipo single track (em que só passa um carro) predominaram, para delírio do aventureiros. O contraponto é que, por esses caminhos, a velocidade inevitavelmente diminui e o tempo de estrada aumenta.

A população que reside nessa parte do Estado é extremamente carente. Várias comunidades estão espalhadas pelas estradas de areia e terra, longe dos olhos da maioria. Muita precariedade e abandono nos espera.

Neste dia recebemos a missão de encher os carros de cestas básicas, kits escolares, odontológicos e brinquedos. Logo saindo do trecho fechado de caatinga chegamos a uma comunidade no meio do semi-árido, poucas casas e total abandono.

Achamos uma escola pequena, o nome, Zeca da Úrsula. Sem luz elétrica, escura e abafada, é o retrato do sistema de ensino brasileiro longe das capitais.

Poucas crianças na classe e a professora com os olhos brilhando em ver chegar cestas básicas, quando acabara de terminar a merenda. Coincidência? Certas coisas nos fazem repensar a vida.

De volta à estrada, mais areião e caatinga. As primeiras fazendas vão aparecendo, mas nenhum sinal de água pelo caminho. Sorte que o roteiro escolhido foi com piso macio e aderente. Em alguns tipos de areia o carro parece dançar e os jipes ficam em seu total controle. Claro que sem abusar da velocidade. É preciso muita atenção na trilha, a qualquer distração do motorista, o susto pode ser grande. Pela primeira vez, avistamos o famoso mandacaru, símbolo do sertão brasileiro.

Este ano um dos participantes é um entusiasta da flora brasileira. Fotografa, lê e tem conhecimento sobre o assunto. Ademir, engenheiro, pelo rádio dá uma aula informando a todos sobre as espécies da região. O cultivo de sisal e palma predomina pelas fazendas e sítios. Mas impressionante mesmo é a paineira barriguda. Alta e imponente, se destaca na paisagem

Fomos presenteados pelo primeiro encontro com o Velho Chico. Para atravessar o rio por Torrinha (BA) em direção a Ipupiara (BA), só por balsa. E somente cinco carros por vez. Aguardando a travessia, tivemos oportunidade de ter contato com o rio e a população ribeirinha. Ficamos sabendo, então, que há três meses a chuva não cai por ali.

Depois do almoço, na primeira cidade após a travessia, seguimos na estrada de terra contemplando o pôr-do-sol. A geografia muda imediatamente no lado sul do rio. Morros de pedra e cascalho, poeira subindo com a passagem dos carros.

Anoitece. Pela primeira vez desde a largada tínhamos pela frente uma serra, O desafio era ir de 500 metros a 1080 metros de altitude, atravessando 12 rios e córregos. Para nosso espanto, todos estavam secos. Algumas erosões e perícia na passagem rochosa dos rios secos foram mais simples do que navegar no escuro, sacolejando dentro do carro. Já eram oito horas da noite e todos muito cansados esperavam a chegada do asfalto para ir rapidamente para o hotel.

Pena que a estrada BA-433 é pior do que qualquer trilha que já havíamos passado. Mas nada que uma boa refeição e um banho não possam curar. Amanhã tem mais...

Personagem: Decidido a viver

Marinheiro de primeira viagem, integrante da divertida Equiperdidu's, Ciro Avantaggiato, 46, sempre teve Jipe, mas nunca tinha feito nada igual. Depois de ser baleado, perto da morte, repensou a vida. Decidiu pensar mais em si. Não deixar o tempo passar sem conhecer a vida. Nos caminhos da expedição, o brilho no olhar de quem tem espírito jovem e solidário e acredita que o Brasil pode ser melhor.

Expedição Brasil Melhor


IRECÊ (BA)
População: 62.676 (2007)
Território: 314 km²
O nome da cidade foi dado pelo tupinólogo Teodoro Sampaio e significa "pela água, à tona d'água, à mercê da corrente". Localizada na porção denominada Chapada Diamantina Setentrional. Como parte do semi-árido nordestino, teve povoação tardia, iniciada, sobretudo, por dois fatores: a implantação de sistema de navegação fluvial no rio São Francisco e a descoberta de ouro na Serra do Assurá, onde hoje se localiza o município de Gentio do Ouro. Contudo, tal processo de povoamento foi mal sucedido e em pequeno número.

Irecê já teve importantes títulos como: Capital do Feijão e Capital Mundial da Mamona. Atualmente se destaca na irrigação de cenoura, cebola e outras hortaliças. Hoje vem chamando a atenção para a criação de avestruzes, uma atividade econômica em expansão. O solo, extremamente fértil para a agricultura, já fez da cidade a maior produtora de grãos da Bahia e do Nordeste, ainda na década de 80, apenas 60 anos após o início do povoamento efetivo. Hoje, é visitada por milhares de turistas na tradicional festa junina.

Será alvo de R$ 7,8 milhões de investimentos em pesquisa para exploração de zinco pela Votorantim Metais, vencedora de concorrência aberta pela Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM).

Onde ficar: Caraíbas Palace Hotel (av. Santos Lopes, 320; tel. 74 3641-7328); Fiesta Bahiana Clube Hotel (rod. BA-52, km 354; tel. 74 3641-3226); Golden Palace Hotel (av. 1º de Janeiro, 393; tel. 74 3641-4153); Hotel e Pousada Irecê (av. Santos Lopes, 1.465; tel. 74 3641-3235); Hotel Guanabara (rua Antônio Carlos Magalhães, 31; tel. 74 3641-2924); Kylle Lord Hotel (av. Caraíbas, 378; tel. 74 3641-9461).

Onde comer: Restaurante Ponto do Mocotó (r. Febrônio Barreto, 15; tel. 74 3641-2182); Bar e Restaurante Raio Layzer (Pç. Clériston Andrade, 66; tel. 74 3641-4850); Churrascaria Espeto de Prata (Tv. Otaviano Dourado, 323; tel. 74 3641-2737); Coisa da China (rua Augusto Pereira Nunes, 135, lj 110; tel. 74 3641-0355); Pizza House (rua Lafaiete Coutinho, 4; tel. 74 3641-4141).

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