Viagem

36 horas em Dublin - Centro da cidade se tornou ímã para jovens de toda a Europa

Fotos Derek Speirs/NYT
Imagem: Fotos Derek Speirs/NYT

GEORGE LENKER

New York Times Syndicate

22/07/2008 20h25

O Tigre Celta, o motor econômico que começou a rugir nos anos 90, pode estar apenas ronronando no momento, mas Dublin ainda se deleita em sua recém-encontrada prosperidade. O centro compacto da cidade, na foz do rio Liffey, se tornou um ímã para jovens de toda a Europa, dando à capital irlandesa um toque moderno e internacional. Lojas de ervas asiáticas e galerias polonesas agora compartilham as ruas cheias de história com casas do século 18 e velhos pubs (onde é proibido fumar). Mas as tradições irlandesas ainda resistem. Assim, se estiver à procura da Dublin clássica, a cidade ainda conta com uma abundância de refúgios onde é possível se enfiar com um quartilho (pint) de cerveja e um bom livro.



Sexta-feira


15h30 - Portas georgianas
A luz da tarde propicia um momento esplêndido para estudar a arquitetura georgiana de Dublin, um estilo formal e simétrico popular no século 18 e início do século 19, durante os reinos dos primeiros quatro reis ingleses chamados George, e conhecida por suas portas coloridas, às vezes espalhafatosas. Um bom lugar para começar é a Merrion Square, que já foi lar de Oscar Wilde (nº 1) e William Butler Yeats (nº 82). A Lower Baggot Street também conta com portas coloridas, muitas imortalizadas em um cartaz clássico chamado "As Portas de Dublin".




Portas em estilo georgiano em casas na Merrion Square, que já foi lar de Oscar Wilde


19h30 - Cardápio escada acima
Há uma velha piada irlandesa que diz que uma refeição celta com sete pratos é apenas um pacote com seis cervejas Guinness e uma batata. A verdade é que a última década trouxe um afluxo de culinária suntuosa, muito além da carne enlatada e o repolho. Ela pode ser encontrada no Winding Stair Restaurant & Bookshop (40 Ormond Quay; 353-1-872-7320; www.winding-stair.com), onde pratos tradicionais irlandeses se harmonizam perfeitamente com a nouvelle cuisine. Não há muitos lugares em Dublin onde é possível comer um parfait de fígado de pato com chutney de ameixa picante (10,95 euros, ou US$ 17,41, com o euro cotado a US$ 1,59), seguido por uma torta de pastinaca e chalota com queijo Gubeen (19,50 euros). A maioria dos ingredientes é orgânica e cultivada localmente. Algumas mesas dão vista para o Rio Liffey e, sim, os andares inferiores abrigam uma livraria singular.

22h - Cervejas incomuns
Não há nada errado com a Guinness Stout, mas às vezes ela parece ser a única cerveja na cidade. Para um sabor diferente, suba o Liffey até a Porterhouse (16-18 Parliament Street; 353-1-679-8847; www.porterhousebrewco.com), uma das surpreendentemente poucas microcervejarias da cidade. As cervejas pretas saborosas incluem a Wrassler's XXXX, baseada em uma receita de County Cork do início dos anos 1900, e a Oyster Stout, feita com ostras frescas, que adicionam um toque picante a uma cerveja seca. Nota: os barmen não esperam gorjetas na Irlanda, mas, caso faça amizade com um, pagar um quartilho para ele ou ela é um gesto apreciado.



Sábado


9h - Café da manhã real
Acompanhe o estouro da boiada para o café da manhã no Elephant & Castle (18-19 Temple Bar; 353-1-679-3121; www.elephantandcastle.ie), onde grande parte de Dublin parece ir para o brunch. Experimente o brioche francês torrado com xarope de bordo (6 euros) ou o cogumelo irlandês com aveia, uva sultana e avelã (4,25 euros). Se estiver se perguntando a respeito do nome, ele vem de um pub londrino que era chamado Enfanta de Castile. Os moradores locais entenderam errado o nome e ele se tornou Elephant and Castle (elefante e castelo).

11h - Com ou sem o U2
Apesar do Salão da Fama da Música Irlandesa ter fechado em 2001 por causa da baixa visitação, os fãs de música ainda podem procurar por um pedaço da história do rock em Dublin no ex-endereço do Windmill Lane Studios, em Windmill Lane. É onde U2, Van Morrison, Elvis Costello e outros gravaram. O antigo estúdio está vazio, mas os fãs forraram o prédio de dois andares coberto por tábuas em uma nuvem psicodélica de grafites inspirados no U2. Depois, siga para a Harry Street e preste um tributo ao falecido Phil Lynott, da banda Thin Lizzy. Lá se encontra uma estátua de bronze em sua homenagem.




Grafites inspirados na banda irlandesa U2 tomam a fachada do prédio onde foi o estúdio Windmill Lane


13h - Roupas usadas
Volte no tempo, pelo menos no que se refere à moda, visitando a Flip (3-4 Upper Fownes Street; 353-1-671-4299; www.flipclothing.com), uma butique no Temple Bar que vende roupas antigas da Alemanha, França e dos Estados Unidos, assim como sua própria linha badalada de moda urbana. Espere encontrar jaquetas de motoqueiro estilo Marlon Brando (a partir de cerca de 75 euros) e calças boca-de-sino Brady Bunch (a partir de 30 euros). Se a Flip não fizer seu estilo, caminhe uma quadra até outro brechó, a Eager Beaver (17 Crown Alley; 353-1-677-3342). A loja vende Levis usadas (24,95 euros) e casacos de tweed de todo tipo. Também pare na fachada cor-de-rosa da Sesi (11 Fownes Street; 353-1-677-4779) para jóias e bijuterias peculiares, bolsas e roupas do Chile, Japão e outros países.

15h30 - Busca intelectual
Caso se sinta oprimido pelas livrarias maiores na Grafton Street, a área de varejo da cidade, caminhe até a Books Upstairs (36 College Green; 353-1-679-6807; www.booksupstairs.com), uma livraria independente com abundância de pechinchas. E, como fica próxima dos portões do Trinity College, há uma fartura de livros sobre a história irlandesa e crítica literária, assim como uma boa seleção de literatura gay e feminista. A simpática sacada oferece uma vista das ruas abaixo, desde que não haja pilhas de livros no caminho.

20h - Um bom peixe irlandês
Para peixes e frutos do mar ao estilo do Velho Mundo, vá ao Lobster Pot (9 Ballsbridge Terrace; 353-1-660-9170; www.thelobsterpot.ie), que exibe sua pesca diária em um balcão de peixes que são explicado com perícia pelos funcionários. Se tiverem, peça as patas de caranguejo, delicadamente grelhadas com manteiga de alho e que derrete maravilhosamente em sua boca. Poupe espaço para os crêpes suzette, um crepe flambado cheio de açúcar caramelizado e licor. É um pouco caro (24,50 euros para dois), mas vale a pena a gastança.

22h - Dublin dançante
Enquanto os turistas se espremem nos vários bares em Temple Bar, você pode encontrar um lugar mais bacana do outro lado do rio Liffey, na área do Centro Internacional de Serviços Financeiros da cidade, bem debaixo da Estação Connolly. Situado em um antigo banco, o Vaults (Harbourmaster Place; 353-1-605-4700; www.thevaults.ie) é composto de várias câmaras divididas em quatro salas com paredes espessas de pedra e que é lar de parte do melhor soul e rhythm and blues de Dublin. A pista de dança atrai um público igual a de uma rave, incluindo jovens hiperativos que mantêm seus óculos escuros a noite toda. As outras salas ficam cheias com pessoas das faixas de 20 e 30 anos usando camisetas de futebol ou ternos executivos. Caso seu dinheiro esteja ficando curto, vá às sextas para os drinques especiais e petiscos gratuitos.




Jovens na pista de dança do Vaults, lar de parte do melhor soul e rhythm and blues de Dublin


Domingo


12h30 - Vá para a prisão
A história da luta da Irlanda pela independência pode ser mais bem contada de dentro da prisão. A apenas 5 km do centro da cidade, o Museu Histórico Kilmainham Gaol (Inchicore Road, Kilmainham, Dublin 8; 353-1-453-5984; www.heritageireland.ie) atualmente abriga um centro educativo que cobre tanto as lutas heróicas quanto trágicas dos anos 1780 quanto dos anos 1920. Também é onde Patrick Pearse, James Connolly e outros pais fundadores foram presos e mortos. A visita de 45 minutos é concluída no pátio onde os presos quebravam pedras e onde alguns dos rebeldes foram executados. O ingresso custa 5,30 euros.

14h - Caminhada no parque
Uma caminhada pós-brunch por Saint Stephen's Green estimulará a imaginação. O parque de 11 hectares no centro da cidade, ao lado da Grafton Street, conta com vários jardins, incluindo um para os cegos que possui sinais em Braille e plantas aromáticas como ervas que podem ser manuseadas repetidamente sem risco. Não deixe de visitar o Jardim William Butler Yeats. Há uma escultura do poeta de autoria de Henry Moore e uma estátua de Wolfe Tone, o pai do republicanismo irlandês, que é conhecido como "Tonehenge" por causa das colunas parecidas com Stonehenge que a cercam -o que mostra que uma coisa não se perdeu na nova Dublin globalizada: o senso de humor irlandês.



Informações básicas


Para chegar do Aeroporto de Dublin à cidade, pegue o ônibus Airlink por 6 euros, ou US$ 9,54, com o euro cotado a US$ 1,59 (353-1-873-4222; www.dublinbus.ie), uma viagem que leva 30 minutos. Ou pegue um táxi, que custa cerca de 30 euros.

O Dylan (Eastmoreland Place, Dublin 4; 353-1-660-3000; www.dylan.ie) é um hotel butique cheio de estilo com decoração elegante, que varia de art déco até ultramoderno. Toques de luxo incluem banheiros grandes com piso aquecido e televisores embutidos. Quartos duplos a partir de 199 euros.

O Merrion Dublin (Upper Merrion Street; 353-1-603-0600; www.merrionhotel.com), um hotel de luxo no meio da Dublin georgiana, oferece quartos delicados e serviço ao estilo do século 18 a partir de cerca de 455 euros.

Para um local mais barato, mas ainda elegante, experimente o Waterloo House (8-10 Waterloo Road; 353-1-660-1888; www.waterloohouse.ie), não distante de Saint Stephen's Green. Procure pelas portas duplas vermelhas. O hotel tem 17 quartos clássicos, mas com móveis modernos, com quartos duplos custando a partir de 145 euros e um cão de guarda no jardim dos fundos.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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