Viagem

Agroturismo desvenda os sabores das montanhas capixabas

Cris Gutkoski/UOL
Imagem: Cris Gutkoski/UOL

CRIS GUTKOSKI

Enviada especial ao Espírito Santo*

De aperitivo, berinjela no pão e socol -um embutido de carne de porco fortemente condimentado. No almoço, moqueca capixaba, com tintura de urucum e sem dendê, para o gosto do peixe sobressair. De sobremesa tem queijo branco com geléia de morango, compota de figos ou doce de limão e, para arrematar, o aromático café do tipo arábica cereja.

Um passeio pela Rota do Mar e das Montanhas do Espírito Santo revela estes e outros sabores do agroturismo local, fonte de renda e de prazeres gastronômicos em municípios como Venda Nova do Imigrante, Domingos Martins, Marechal Floriano e Vargem Alta, entre outros da fria região serrana. A Rota das Montanhas começa a cerca de uma hora de automóvel de Vitória, pela BR-262.

Venda Nova do Imigrante, a 103 km de Vitória, foi premiada pelo Ministério do Turismo pelo seu pioneirismo no agroturismo, em 2006. A infra-estrutura que atualmente recebe os visitantes interessados em conhecer propriedades rurais para degustar café, aguardente, biscoitos, queijos, doces e salgados conta com uma loja e posto de informações logo na entrada da cidade, que distribui mapas, roteiros e agendas de eventos, alguns deles em português e inglês.

"Aqui a gente consegue evitar a evasão dos moradores da roça", diz Danilo Carnielli, dono de uma propriedade especializada em queijos e cafés. Ele se refere à geração de empregos e renda por conta da produção agropecuária, aberta à visitação em dezenas de estabelecimentos da região.

Carnielli elabora queijos do tipo parmesão e resteia, de origem italiana, e também as variedades morbier e frommage blanc. Cremoso e consistente, este é servido em pequenos potes com geléias de ameixa ou morango. "Já recebemos elogios até de franceses", garante.

Histórias de imigrantes

No trajeto, mudam os aromas e as paisagens também. De uma propriedade que vende queijos ou mel até outra onde são degustados salames, avistam-se colinas cobertas por plantações de café, roseirais, frutas e legumes. Em Domingos Martins, o sítio Irmãos Coragem tem o sistema "colha e pague" de morangos.

Cris Gutkoski/UOL
Embutido socol em processo de maturação
O ingresso na própria casa dos agricultores também se traduz em aconchego. Fotos antigas, objetos e móveis contam as histórias de trabalho dos antepassados. Na Famiglia Lorenção, pioneira na produção do embutido socol, trazido pelos imigrantes do norte da Itália, a matriarca Cacilda Caliman Lorenção acompanha as visitas até a sala fria em que a iguaria de lombo de porco é maturada por cinco meses, pendurada no teto. Ela vai explicando que a superfície do embutido se cobre de mofo e o produto perde 40% do peso, diminuindo de tamanho dentro da rede elástica.

O nome socol vem de 'ossocolo', no dialeto vêneto. A receita artesanal inclui especiarias diversas para a conservação da carne, e a família aconselha servi-lo em fatias finas.

Parque da Pedra Azul

A Pedra Azul é o principal cartão-postal da região serrana do Espírito Santo. A formação rochosa, cujo topo está a 1.882m de altitude, adquire às vezes um tom azulado, dependendo da luminosidade da hora e dos efeitos dos raios solares sobre o líquen da rocha, daí o nome. Mas a pedra também pode surgir no horizonte em tons de verde, cinza, marrom etc.

Além da cor, impressiona um apêndice fino e comprido colado à rocha, chamado de lagarto. Como se fosse o monstro Godzilla surgido da mata atlântica, e não do fundo do mar, petrificado para sempre antes de alcançar o topo. O Parque Estadual da Pedra Azul tem trilhas de 480m a 1.200m de extensão, com mirantes, piscinas naturais e contato com a fauna de macacos, tamanduás e aves.

Em Domingos Martins e Vargem Alta, nas proximidades da Pedra Azul, existem várias opções de hospedagem e gastronomia. Entre dezenas de hotéis e pousadas, destacam-se a aventura de uma casa na árvore no sítio Urtigão e os requintes de piscina aquecida e campo de golfe, com nove buracos e 3.202 jardas de extensão, no Bristol Monte Verde Golf & Resort.

Festas das flores e da polenta

Cris Gutkoski/UOL
Orquidário da rota do agroturismo capixaba
Os meses de setembro a novembro são os mais indicados para arregalar os olhos nos orquidários da região. A Blummenfest, a Festa das Flores de Domingos Martins, se realiza em outubro, na praça central. Mas os turistas podem visitar as grandes estufas em qualquer época do ano, especialmente nos finais de semana.

Em Marechal Floriano, os guias recomendam os orquidários Florabela e Vital Schunk Nego Plantas. Em Domingos Martins, tem tradição a Reserva e Orquidário Kautsky. Em Venda Nova do Imigrante, o pesquisador Sávio Caliman recebe de curiosos a especialistas brasileiros e estrangeiros no tema. São milhares de orquídeas e mudas de plantas alinhadas nas caixas, parte delas destinadas a melhoramentos genéticos, em grandes galpões onde entra luz por todos os lados, com as telas transparentes deixando ver o contorno das montanhas ao fundo.

"Aqui nós fazemos eventos de janeiro a dezembro", diz o secretário de Turismo de Venda Nova do Imigrante, Jorge Uliana. Tem festa do tomate, do café, do socol, da pizza... E a principal delas, a mais italiana de todas: a Festa da Polenta, que completa 30 anos em 2008.

A data está marcada para um feriadão nacional, de 10 a 12 de outubro. A programação inclui shows, bailes, eleição da rainha e o chamado 'tombo da polenta', em que uma tonelada quente do prato cremoso é derramada de um panelão, para ser servida aos festeiros. Com molho, claro. O centro de eventos ganhou apelidos carinhosos: Polentão ou Polentódromo.

* A jornalista CRIS GUTKOSKI viajou a convite da Tourlines Operadora e de Bristol Hotels

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