Viagem

Por volta da meia-noite, bares de Copenhague servem de antídoto ao modelo de capital certinha

Jakob Dall/NYT
Imagem: Jakob Dall/NYT

SETH SHERWOOD

New York Times Syndicate

04/05/2008 16h00

Com seus encantos às vezes exageradamente rústicos --ruas de pedras arredondadas, telhados com telhas laranjas, grupos de ciclistas soando as campainhas de suas bicicletas-- Copenhague pode parecer um cartão-postal esboçado por um Norman Rockwell nórdico. É aquela rara metrópole com consciência de cidadania onde todos fazem fila para qualquer serviço, os trens partem no horário e ninguém atravessa a rua no farol fechado.

Quando este lado certinho se torna opressivo, um lado altamente degenerado de Copenhague floresce em seus muitos bares. Ganhando vida por volta da meia-noite, estes antigos bares ricos em caráter e encharcados de álcool oferecem um antídoto sociável à face pública perfeita da capital dinamarquesa.

Tudo é vermelho dentro do bar ao estilo bordel Bo-Bi Bar (Klareboderne, 14; 45-33-12-55-43): o papel de parede estilo barroco desbotado, as cortinas puídas, as luminárias cheias de fumaça e especialmente os rostos inchados e sorridentes dos vários freqüentadores. Poucos bares em Copenhague atraem um clientela tão diversa, que em uma noite recente incluía alguns garotos bacanas de 20 e poucos anos, alguns intelectuais trintões e algumas moscas de bar magras atemporais com nomes como Ole e Jonas. Fundado em 1917, a instituição no centro da cidade permanece resolutamente tradicional. Celulares não podem ser usados em seu interior, câmeras digitais só podem ser usadas com permissão e a principal atração do cardápio com três itens é o ovo cozido. ("São um ótimo alimento quando você está bêbado", disse o barman Nanna Sarauw. "Eles botam as pessoas em pé.")

Entrando em outro bar desafiadoramente sem encantos, o Cafe Viking (Aegirsgade, 36, 45-35-83-14-93), é como entrar em um porão de recreação dinamarquês por volta de 1974. Entre as paredes de painéis de madeira e a iluminação pálida, tudo parece escolhido a dedo para ofender as sensibilidade dos jovens profissionais elegantes no altamente badalado bairro de Norrebro. A recompensa é uma das melhores cartas de cervejas da cidade, que inclui a larger Brooklyn e cerca de 20 microcervejarias dinamarquesas. Para produzir a Stone Ale (cujo rótulo exibe um Mick Jagger de aparência bêbada), pedras de lava superaquecidas são jogadas na cerveja, que carameliza em um elixir doce com potente graduação alcoólica de 7,7%.

Há muito tempo no Funch's Vinstue (Norre Farimagsgade, 55, 45-33-11-54-45), um trabalhador podia fazer uma refeição quente e assistir um show de cabaré pelo equivalente a 15 centavos de dólar. Esses dias são coisa do passado, mas o bar esfumaçado, revestido em madeira, ainda oferece um bom negócio para sua mistura de clientes regulares de meia-idade e jovens descolados: uma cerveja Carlsberg e uma dose de Gammel Dansk com sabor licoroso sai por 40 coroas, US$ 8,40 com o dólar cotado a 4,80 coroas dinamarquesas. Pegue um tabuleiro de gamão, mas não soe o sino na parede a menos que se sinta rico.

"Se soar uma vez, significa uma rodada de bebidas para as pessoas sentadas ao bar", explica Paul Kurtzau, um taxista e cliente há 15 anos. "Se soar duas vezes, é rodada para todos os presentes. E se soar três vezes, é hora de ir para casa."

Tradução: George El Khouri Andolfato


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