Em Paris, tacadas e gin fizz na madrugada

ELAINE SCIOLINO

New York Times Syndicate

  • Richard Harbus/NYT

"Há muita magia quando você está em Paris", diz a canção de Stephen Stills, "Midnight in Paris", uma celebração de um homem em uma dança sem fim com uma bela mulher em algum lugar da cidade.

Paris gosta de fingir ser uma cidade da noite. Certamente, ela cintila quando o sol se põe e as luzes acendem. Mas encontrar magia após a meia-noite pode ser um desafio. A prefeitura desliga as luzes da maioria das estruturas públicas, incluindo a Torre Eiffel, por volta da 1 hora da manhã. A maioria dos bares fecha uma hora depois.

Há clubes que funcionam a noite toda, é claro, muitos deles espaços globalizados que podem fazer você esperar na fila e podem até mesmo permitir jovens de 16 anos se seus vestidos de festa foram suficientemente bacanas. Um destino turístico seguro --mas previsível, lotado e muito caro-- é a Publicis Drugstore na ponta da Champs-Elysées, um ponto de fim de noite para comer, beber, comprar jornais e fazer compras de conveniência.

Mas para uma perfeição pós-meia-noite, faça uma boa ceia perto de Les Halles, no Chez Denise (rue des Prouvaires, 5; 33-1-42-36-21-82), para alho poró ao vinagrete e fígado de vitelo com fritas, ou o menos caro Le Tambour (rue Montmartre, 41; 33-1-42-33-06-90) para a confiável sopa de cebola à moda antiga e foie gras caseiro.

Então, se estiver com espírito aventureiro, vá ao Cercle Clichy Montmartre (rue de Clichy, 84; 33-1-48-78-32-85; aberto até às 5h45 da manhã) perto da Place de Clichy para um jogo de bilhar. Um reduto de apostas de cavalheiros no século 19, reformado como um restaurante de classe operária em 1901, o Cercle foi usado pelos nazistas como estábulo de cavalos e alojamento militar durante a Segunda Guerra Mundial. Reaberto em 1947, ele deslumbra com seu pé direito de 9 metros, molduras entalhadas e grandes espelhos. Cadeiras e bancos de bar de madeira curvada velhos, pisos ladrilhados remendados e paredes marrom-amareladas manchadas de nicotina dão a ele um ar zolesco.

Um vitral que toma grande parte do teto com seus querubins e toques florentinos de azul e dourado é, para dizer a verdade, feito de Plexiglas. Há vários anos, os painéis de vidro do teto começaram a cair. O Plexiglas era uma forma segura e menos cara de substituí-lo, disse Luc Richard, o dono do Cercle, que herdou o negócio de seu sogro há três décadas.

O código de indumentária (boas calças e "sapatos sociais" para os homens) raramente é exigido, apesar de uma placa de décadas anunciar que ainda vale. Sinuca americana, bilhar francês sem caçapa e até snooker britânico podem ser jogados aqui.

O único desestimulo é a taxa de 30 euros para filiação anual (exigida por lei neste ano, já que há jogos de azar como pôquer e uma forma bizarra francesa de roleta chamada multicolore nos fundos).

Pergunte por Richard, um homem vestindo um terno enorme e que fala um inglês de Maurice Chevalier. Ele vai para casa, virando a esquina, toda noite para jantar às 20h, mas está de volta às 23h. Ele está tentando criar um sistema para reembolsar a taxa de filiação aos jogadores de bilhar. Por ora, ele oferecerá um drinque aos recém-chegados --um gin fizz, talvez, ou um brandy-- e servi-lo com uma história cativante.

Tradução: George El Khouri Andolfato


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