Campos de concentração mostram as marcas do Holocausto para visitantes na Europa

Da Redação

As marcas da perseguição e extermínio de judeus e minorias que ocorreram durante a Segunda Guerra Mundial na Alemanha e em outros países da Europa, como Holanda, Polônia e República Tcheca, podem ser vistas ainda hoje em algumas cidades que dedicam museus, cemitérios e até bairros inteiros à memória do Holocausto. Campos de concentração desativados tornaram-se pontos de visitação para turistas interessados nesse período da história do século 20.

Fabrizio Bensch/Reuters
Pilha de sapatos de prisioneiros expostos em museu de Auschwitz-Birkenau
CAMPOS ABERTOS A VISITANTES
Apesar de soar inusitado, visitar campos de concentração e de extermínio é um programa bastante popular. Só pelo campo de Auschwitz, na Polônia, já passaram até hoje mais de 25 milhões de pessoas. Em 2007, 1,22 milhão de turistas visitaram o local, 200 mil a mais que no ano anterior. A maioria dos campos que podem ser visitados tem entrada gratuita, mas só aceita maiores de 14 anos.

A 3 km de Auschwitz está o campo de Auschwitz II-Birkenau --o maior da Europa e onde a maioria das pessoas que chegavam a Auschwitz I eram assassinadas. Além de abrigar um importante monumento aos mortos, em Birkenau ainda é possível visitar o lago em que as cinzas vindas dos crematórios eram despejadas.

Outro campo de concentração aberto à visitação de turistas é o de Majdanek, no sudeste de Lublin. Das 150 mil pessoas que entraram no local durante a 2ª Guerra, mais de 80 mil não saíram vivas, sendo 60 mil judeus. Treblinka, campo de extermínio nos arredores da cidade de mesmo nome, na província polonesa de Mazowieckie, é outro memorial aberto à visitação.

Alemanha
Apesar de esse tipo de programa não ser muito popular entre os alemães, também é possível visitar campos de concentração no país. A 50 minutos de Hamburgo, no norte da Alemanha, os turistas podem visitar o campo de concentração de Neuengamme, onde morreram cerca de 55 mil pessoas. Outra opção não tão distante de Berlim é o campo de Sachsenhausen, que serviu de prisão para cidadãos vindos de 18 nações diferentes. Próximo a Munique, em Dachau, primeira cidade alemã a ter um campo de concentração, o visitante conhece de perto a câmara de gás e um crematório usados para extermínio de judeus durante a Segunda Guerra.

Martin Sterba/Efe
Turista observa tumbas cobertas de neve em um cemitério judaico de Praga
JOSEFOV, O BAIRRO JUDEU DE PRAGA
República Tcheca
O bairro judeu de Praga, chamado Josefov, surgiu no século 13 e atualmente é um dos conjuntos de monumentos da cultura judaica mais bem resguardados da Europa. O tour pelas construções históricas, que incluem o antigo cemitério judaico e quatro sinagogas, pode ser feito em duas horas. A uma hora de Praga, capital da República Tcheca, fica o campo de Terezín, aberto à visitação.

Holanda
Amsterdã também conta com monumentos e museus dedicados à memória do Holocausto. Um dos mais famosos é a casa de Anne Frank, onde a jovem alemã viveu escondida por dois anos com sua família, até serem descobertos pelos alemães e mandados para diferentes campos de concentração. O diário de Anne Frank, encontrado alguns anos depois, foi transformado em livro pelo pai da jovem, o único sobrevivente da família. No museu, é possível visitar o sótão onde a família se escondia e visualizar algumas passagens do diário da menina.

A Marcha pela Vida
Criada em 1988 para levar jovens --judeus em sua maioria-- a conhecerem os locais do Holocausto, a Marcha pela Vida (em inglês, March of the Living), que começa em Cracóvia, na Polônia, e visita diversos campos de concontração, deu início nesta terça-feira a sua 20ª edição. Desta vez, cerca de 400 brasileiros participam do evento mundial, que atrai até 8 mil pessoas todos os anos.

Arnd Wiegmann/Reuters
Treblinka, um dos campos de concentração por onde passa a Marcha pela Vida
CAMPOS POR ONDE A MARCHA PASSA
Aberta pela primeira vez para não judeus, a marcha conduzirá visitantes de todo o mundo pelos campos de Auschwitz, Birkenau, Treblinka e Majdanek, que depois seguem para Israel, último destino do trajeto. Neste ano, a Marcha da Vida irá virar livro e documentário. Com fotos de Marcio Scavone e texto de Marcio Pitliuk, o livro será lançado em seis línguas. Já o documentário será dirigido por Jessica Sanders, indicada ao Oscar de documentário de curta metragem em 2002.

A seguir, o UOL Viagem lista os mais conhecidos campos de concentração europeus e dá dicas para quem pretende visitá-los.

Na Polônia

Auschwitz e Birkenau
Há ônibus que partem da rodoviária de Cracóvia com bastante freqüência. A viagem dura cerca de 1 hora e meia e o final da linha é na entrada do campo. O trem, que sai da estação central, leva o mesmo tempo de viagem, mas tem menos saídas, e a estação de chegada em Oswiecim é bem mais longe, sendo necessária uma razoável caminhada ou tomar um ônibus local. Os campos de Auschwitz estão abertos todos os dias das 8h às 15h (dezembro a janeiro), das 8h às 16h (março e novembro), das 8h às 17h (abril e outubro), das 8h às 18h (maio e setembro) e das 8h às 19h (julho a agosto). A entrada em ambos é gratuita. Os visitantes são acompanhados por um guia e a visita dura, no mínimo, uma hora e meia. O campo de Auschwitz propriamente funciona como um museu e o de Birkenau (ou Auschwitz II) é uma espécie de grande memorial.http://www.auschwitz.org.pl

Majdanek
www.majdanek.pl

Na Alemanha

Campo de concentração de Neuengamme e Memorial judaico
De Hamburgo, pegue o trem (S-Bahn) S21 até a estação Bergedorf e de lá o ônibus 327 para Neuengamme. A viagem leva aproximadamente 50 minutos. O centro de informações turísticas da estação central de trem de Hamburgo fornece lista com os horários de ônibus que chegam lá. Abre de abril a setembro, abre de terça a sexta, das 10h às 17h, sábado e domingo até às 18h. De outubro a março, abre de terça a domingo, das 10h às 17h. A entrada é gratuita.

Campo de Concentração, Memorial e Museu de Sachsenhausen
Tomar o trem (S-Bahn) S1 até Oranienburg (não confundir com a estação de metrô Oranienburg). Leva cerca de 45 minutos. De lá, pegue o ônibus 804 até a parada Gedenkstätte, ou siga a pé. Aberto de terça a domingo (de 15/8 a 14/3, de 8h30 às 16h30; de 15/3 a 14/8, das 8h30 até as 18h). Entrada gratuita. www.stiftung-bg.de/gums/en/index.htm

Campo de Concentração de Dachau
De Munique, pegue o trem (S-Bahn) S2 até a estação Dachau, e depois o ônibus 726 até a porta do Memorial. Abre de terça a domingo, das 9h às 17h. Entrada gratuita. www.kz-gedenkstaette-dachau.de

Na República Tcheca

Bairro judeu de Praga (Josefov)
Em Praga, desça no metrô Staromestská. Aberto todos os dias, exceto sábado. No inverno, das 9h às 16h30 e no verão das 9h às 18h. jewishmuseum.cz/en/aexpo.htm

Na Holanda

Casa de Anne Frank
Aberta de março a setembro, das 9h às 21h, sábados das 9h às 22h. Em julho e agosto, aberta todos os dias das 9h às 22h. De 15 de setembro a 14 de março, todos os dias das 9h às 19h. www.annefrank.org

Agências de viagem

Polônia
Nascimento Turismo - www.nascimento.com.br
New Age - www.newage.tur.br
Intravel - www.intravel.com.br

Alemanha
CVC - www.cvc.com.br
Flot - www.flot.com.br
Submarino Viagens - www.submarinoviagens.com.br

República Tcheca
CVC - www.cvc.com.br
Flot - www.flot.com.br
Intravel - www.intravel.com.br
Vivere - www.vivere.com.br

Com informações do Guia da Europa
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