Bem localizados, hotéis históricos dos EUA são a nova moda dos turistas de negócios

PAUL BURNHAM FINNEY

New York Times Syndicate

  • Barbara P. Fernandez/NYT

Há não muito tempo, hotéis históricos freqüentemente eram um pouco decadentes, desdenhados em troca de alternativas mais novas como os hotéis-boutiques da moda.

Mas muitos hotéis foram reformados nos últimos anos, suas escadarias de mármore polidas e seus carpetes espessos limpos ou substituídos. Como resultado, viajantes a negócios estão cada vez mais optando por se hospedar nesses lugares, que oferecem uma noite ou mais sem o tédio de uma estadia regular em hotéis de negócios.

"Hotéis históricos são um nicho com melhor desempenho", disse Bjorn Hanson, que monitora os altos e baixos do setor hoteleiro para a PricewaterhouseCoopers.

Veja o Peabody, em Memphis, com seu desfile diário de patos pelo lobby das 11h às 17h (inspirado pela viagem de caça ao pato feita pelo gerente geral a Arkansas, há cerca de 75 anos). Seus quartos, piscina coberta e academia de ginástica foram reformados há dois anos. Ele também oferece acesso à Internet sem fio em seus quartos, um conforto do século 21 atualmente encontrado em muitos hotéis históricos.

"Antes do wi-fi, hotéis históricos encontravam um obstáculo -literalmente um prédio freqüentemente digno de ser preservado- quando se tratava de cabear os quartos", disse Shirley Talbert, especialista em reservas da Historic Hotels of America (Hotéis Históricos da América), uma organização de marketing que conta com 210 membros e está ligada ao Fundo Nacional de Preservação Histórica.

A organização começou com apenas 32 hotéis em 1989. Entre as celebridades históricas estão o Algonquin em Manhattan, endereço da Mesa Redonda, onde escritores e intelectuais se reuniam nos anos 20, e o resort American Club ao estilo Tudor, a uma hora de carro de Milwaukee, construído pela empresa de canos Kohler em 1918 para abrigar trabalhadores imigrantes.

Para quem pode

"Os viajantes pensam que a maioria das propriedades históricas são hotéis de luxo -e estão certos", disse Kelly Earnest do Peabody, cuja diária dos quartos Club Floor custa a partir de US$ 345. "Cerca de 25% de nossos clientes são viajantes executivos."

No ano passado, segundo a Hospitality Sales and Marketing Association International, o setor hoteleiro nos Estados Unidos contava com uma taxa de ocupação de 63,2%, com uma diária média de US$ 104, enquanto o mercado de luxo contava com uma taxa de ocupação de 72%, com uma diária média de US$ 288.

"Desfrutar das propriedades mais antigas é em grande parte para executivos que podem escolher e arcar com este tipo de viagem", disse Bill Carroll, professor da Escola de Administração Hoteleira de Cornell e ex-executivo da Hertz. "No minuto em que todos descobrem estes hotéis distintos, eles deixam de ser aconchegantes como um clube."

A Historic Hotels não tem o monopólio das propriedades com mais de 50 anos, o mínimo para se tornar membro. "Eu acho que entre 30 mil hotéis nos Estados Unidos, 6.000 são independentes e, entre eles, 600 a 900 são históricos", disse Robert A. Gilbert, o presidente do conselho e presidente-executivo da organização.

Mas por que se incomodar com hotéis que às vezes possuem os maneirismos que surgem com a idade?

"O grande lance é o senso de lugar", disse Mary Billingsley, uma porta-voz da Historic Hotels of America. "Você passa pelas portas e está em um mundo diferente." "Com grande freqüência os funcionários se consideram guias históricos", ela acrescenta.

Outro atrativo para os viajantes a negócios é um antigo conforto -a localização. "Nossos hotéis corporativos ficam no centro, onde tradicionalmente se encontram as empresas -hotéis como Saint Paul das Twin Cities, em estilo revival do renascimento italiano, e o River Street Inn, em um antigo depósito de algodão em Savannah", disse Talbert, do grupo de hotéis históricos.

Indenização garantida

Apesar de algumas críticas de hóspedes no site TripAdvisor da Expedia incluírem queixas, geralmente em relação aos preços e serviços, assim como elogios efusivos, a maioria das propriedades leva a sério seu status de luxo e indeniza quando criticada.

"Os proprietários costumam sacrificar alguns trocados para manter os clássicos vivos", disse Gilbert. "Eles não são como as grandes redes que estão sob pressão em relação ao desempenho."

As taxas de ocupação geralmente altas dos hotéis históricos não são surpreendentes. Em um estudo conjunto das metas de viagem dos adultos feito pela Associação da Indústria de Turismo e pela revista "Smithsonian", 81% dos viajantes nos Estados Unidos disseram gostar de visitas históricas e culturais.

O estudo revelou que os viajantes gostavam de "aprender algo novo" ao visitarem um museu, local histórico ou participarem de um evento cultural ou performance de arte e que gastariam cerca de 25% a mais por uma viagem "histórica/cultural" (excluindo custos de transporte).

Alguns dos melhores hotéis antigos, mas rejuvenescidos, estão no Texas, onde os magnatas construíram hotéis como vitrine de seus milhões.

Em Dallas, o Rosewood Mansion on Turtle Creek, que segue o estilo de um palácio da renascença italiana, era originalmente lar de um magnata do algodão, Sheppard King. A herdeira do petróleo, Caroline Rose Hunt, comprou a propriedade em 1979 e a transformou em um hotel, que mantém o ambiente de uma residência particular.

San Antonio tem seu Watermark Hotel and Spa com quatro anos de idade, situado ao longo do rio Walk no edifício L. Frank Saddlery do século 19 (onde selas sob medida eram fabricadas para Theodore Roosevelt e seus Rough Riders, assim para John Wayne). Ao lado do Álamo se encontra o Menger Hotel repleto de história, que foi inaugurado em 1859 no local da cervejaria Menger. Ele já teve como hóspedes os generais Robert E. Lee e Ulysses S. Grant e os presidentes William McKinley, William Howard Taft e Dwight D. Eisenhower.

Em Nova York, o Plaza, que recentemente concluiu uma reforma interna de US$ 400 milhões, é um ímã único para viajantes executivos bem-remunerados. Um símbolo de luxo, o palácio ao estilo chateau francês comemorou seu 100º aniversário em outubro, com queima de fogos e um bolo de 3,6 metros reproduzindo o hotel em escala.

O hotel Monumental, atualmente administrado pela Fairmont Hotels and Resorts, deverá reabrir no próximo mês com diárias a partir de um preço que só pode ser descrito como moderno: US$ 865, com serviço de mordomo incluso.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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