Viagem

36 Horas em Melbourne - A interessante e injustiçada cidade australiana

FINN-OLAF JONES

New York Times Syndicate

18/01/2008 15h56

Edwina Pickles/NYT
Mecca Bah, restaurante à beira-rio em New Quay, região animada de Melbourne
AUSTRÁLIA: SYDNEY É VIBRANTE

É difícil não sentir alguma compaixão por Melbourne. Freqüentemente ignorada pelos viajantes enquanto percorrem as três grandes atrações turísticas da Austrália -a deslumbrante metrópole de Sydney, a beleza assombrosa da Grande Barreira de Corais e o sítio histórico aborígine de Uluru (rochedo Ayers)-, esta cidade relaxada é um lugar que exige algum tempo para ser apreciada.

Mas Melbourne cresce lentamente no seu conceito à medida que você caminha pelo centro da era vitoriana imaculadamente preservado ou ao longo da zona portuária revitalizada de Yarra ou faz uma hora tomando uma xícara de "flat white" em um dos cafés da moda na Chapel Street (onde a simples menção do nome Starbucks é recebida com horror).

E em janeiro, pelo menos, ela tinha algo que Sydney e aqueles outros lugares não tinham: o Aberto da Austrália. Este é um país que adora tênis e, por duas semanas, esta cidade parece uma festa ininterrupta, uma em que a chance de um herói local finalmente conquistar o título é debatida toda noite nos bares e onde até mesmo uma partida de duplas jogada em uma quadra externa e contando com jogadores do Leste Europeu que estão fora do ranking conta com platéia lotada. Quem precisa da Ópera de Sydney?



Sexta-feira


17h - Austrália à beira-rio
Diga bom dia para a velha e nova Melbourne nas Docklands, o antes abandonado estaleiro que foi transformado em uma minimetrópole. Para uma mistura escultural de prédios comerciais curvilíneos, torres de apartamentos, arte ao ar livre e teatro de rua, caminhe pelo distrito New Quay, onde os artistas e jovens profissionais da cidade se reúnem à noite para desfrutar de uma cerveja ou duas no calçadão animado.

19h30 - Além das Barbies
New Quay também conta com restaurantes extraordinários, dispostos ao longo da antiga zona portuária como uma área de alimentação internacional. Especialmente popular é o Mecca Bah (New Quay Promenade, 55A, 61-3-9642-1300; www.meccabah.com), um restaurante casbá-chique em um pavilhão envidraçado à beira-rio onde as mulheres bonitas de Melbourne mordiscam pratos fusion do Oriente Médio, como pizza com abóbora assada, queijo feta e geléia de romã (16,30 dólares australianos, ou cerca de US$ 14,25 com o dólar valendo 1,17 dólar australiano) e kebab (churrasco) de peixe-espada (20 dólares australianos), enquanto esperam o pôr-do-sol iluminar o horizonte do outro lado do rio.



Edwina Pickles/NYT
Grafite aprovado em Melbourne, que tem rede de ruas com cultura popular

21h - Não chame de pichação
Se solte nas laneways de Melbourne, uma rede desconcertante de ruas estreitas onde a cultura popular dá espaço a instalações de arte com negatoscópios, janelas falsas e grafite aprovado por galerias. E há os bares das laneways. Escondidos ao longo de travessas escuras, freqüentemente atrás de portas não marcadas, muitos desses bares são decorados de forma tão extravagante que poderiam se passar por arte conceitual, se não fosse pelos ótimos drinques. Entre os lugares mais cheios de estilo estão o Baroq House, um salão neo-século 18 (Drewery Lane, 9-13, 61-3-8080-5680; www.baroqhouse.com.au); o Sister Bella, que parece uma loja country dos anos 70 (Sniders Lane); e o Section 8, que é mobiliado com engradados de transporte (Tattersalls Lane, 27-29, 61-4-3029-1588).



Sábado


10h - Arte aborígine
Reencontre seu rumo no novo ponto de encontro de Melbourne, a Federation Square (www.fedsq.com), que parece um palco de teatro gigante cercado de vidro e zinco. Após pegar um "tall blonde" -café expresso com leite na Austrália- confira o Ian Potter Centre na National Gallery of Victoria (61-3-8620-2222; www.ngv.vic.gov.au), que possui uma das melhores coleções de arte folclórica aborígine. E, se o tempo cooperar, como geralmente coopera, dê um pulo na Golden Mile, assim chamada pela riqueza das mansões vitorianas e escritórios construídos durante a corrida do ouro em Melbourne, em meados do século 19.

12h30 - Gororoba de pub
Com sede? Dê uma parada na Mitre Tavern (Bank Place, 5, 61-3-9670-5644; www.mitretavern.com.au), um bar célebre onde você pode entrar em contato com os jovens profissionais de Melbourne em meio a um pint (quartilho) ou dois de cerveja local (3,40 dólares australianos), acompanhada de excelente comida de bar. Experimente a salada de cordeiro (18 dólares australianos) ou peixe flathead com fritas (18,90 dólares australianos).

14h - Fuga da prisão
A Old Melbourne Gaol (a forma como os australianos soletram "jail", cadeia) foi construída no século 19 com rocha vulcânica e é tão austera que poderia ter saído de um romance de Charles Dickens. Ela deixou de funcionar como cadeia em 1929 e agora é um museu assustadoramente fascinante (Russell Street, 61-3-8663-7228; www.oldmelbournegaol.com.au) sobre os primórdios da história da Austrália. A forca no bloco principal foi onde Ned Kelly, o bandoleiro de espírito livre que se transformou em herói folclórico no país, foi enforcado em 1880.

15h30 - SoHo australiano
Com seus depósitos convertidos, galerias fragmentadas e lojas bacanas, Flinders Lane é freqüentemente comparada ao SoHo em Nova York. Ele vende utilidades domésticas de grife e bijuterias de artistas locais, incluindo uma cesta de plástico que parece grama tramada delicadamente (320 dólares australianos). E, para a moda australiana, cheque o Christine (No. 181, 61-3-9654-2011). Itens populares incluem enormes anéis feitos de pérola de Baroda (4.000 dólares australianos) e suéteres de cashmere suave feitos com a fina lã de New South Wales (550 dólares australianos).

20h - Oriente encontra o Sul
Para um prova do esplendor do multicultural de Melbourne, percorra os quarteirões estreitos de Chinatown e prepare-se para se surpreender com o Flower Drum Restaurant (Market Lane, 17, 61-3-9662-3655), amplamente considerado um dos restaurantes mais finos da Austrália. Sente-se no interior elegantemente minimalista e explore os refinados pratos cantonenses como ostras gigantes fritas e haliote à caçarola. O cardápio de degustação custa 150 dólares australianos. Se está com o dinheiro contado, você não terá como errar no sem luxo Supper Inn (Celestial Avenue, 15, 61-3-9663-4759), um café-restaurante úmido, revestido com placas de madeira, que serve pratos baratos e deliciosos como miúdos de porco (15 dólares australianos), moluscos vivos (18 dólares australianos) e pombo crocante (14 dólares australianos).

23h - Clubes noturnos unidos!
Não sabe ao certo se deseja andar com os fashionistas ou com os poseurs de arte? Vá para o Curtin House (Swanston Street, 252), uma ex-sede do Partido Comunista que atualmente é lar de três zonas da vida noturna. No primeiro andar, você encontrará jovens profissionais elegantes no Cookie (61-3-9663-2015 www.cookie.net.au), um restaurante tailandês e bar gigante repleto de livros antigos. Um andar acima se encontra o Toff in the Town (61-3-9639-8770; www.thetoffintown.com), um conjunto de cabines privadas e sala de música que parece uma presunçosa casa de ópio. As bandas independentes variam de música eletrônica com acordeom cigano a heavy metal ambiente. O último andar abriga o Rooftop Cinema (61-3-9663-3596; www.rooftopcinema.com.au), onde é possível assistir a filmes tão clássicos como os coquetéis do bar e admirar o horizonte da cidade em cadeiras de plástico de jardim.



Domingo


10h - Caminhada na praia


Edwina Pickles/NYT
Entrada do Luna Park, um parque de diversões à moda antiga

Pegue o bonde Nº 96 para uma viagem de meia hora até Saint Kilda Beach, um paraíso litorâneo um pouco surrado que lembra Coney Island. Se estiver com crianças, leve-as ao enferrujado Luna Park (61-3 9525- 5033; www.lunapark.com.au), um parque de diversões à moda antiga com uma grande roda-gigante. Ou relaxe na praia calma e arenosa de Port Phillip Bay. Mas, antes de esticar sua toalha, passe no adorado Monarch Cake Shop (103 Acland Street, 103, 61-3-9534-2972), famoso por seus bolos de ameixa e queijo polonês e kugelhopf (tipo de bolo) de chocolate. É uma tradição dominical.

14h - Entrando na cúpula do trovão
As regras do futebol australiano (uma variação do rúgbi) não são para os sensíveis. Os jogadores não podem ser expulsos, então tudo, de faltas a brigas, fica mais horripilante. As principais equipes são de cidades vizinhas, de forma que os torcedores de ambos os lados freqüentemente exibem fervor pelo time da casa. Se estiver visitando entre março e agosto, vá ao Melbourne Cricket Ground (Jolimont Terrace, 61-3-9657-8888, www.mcg.org.au), onde os grandes jogos são realizados. Se perder a temporada, passe na Australian Football League Shop (Swanston Street, 292, 61-3-8660-5555) para seu souvenir desta cidade louca por esportes.

Informações básicas
Do Aeroporto de Melbourne, pegue o Skybus (www.metlinkmelbourne.com.au), que parte para o centro de Melbourne a cada 10 minutos nos horários de pico e custa 3,30 dólares australianos, cerca de US$ 2,85, com o dólar valendo 1,17 dólar australiano. Fora o ônibus, um táxi para a cidade custa a partir de 40 dólares australianos.

O Adelphi Hotel (Flinders Lane, 187, 61-3-8080-8888; www.adelphi.com.au), em um ex-depósito, possui uma piscina de cobertura com fundo transparente que se estende sobre a calçada abaixo. As diárias dos quartos duplos coloridos, modernos, custam a partir de 240 dólares australianos.

O Victoria Hotel (Little Collins Street, 215, 61-3-9669-0000), antes um dos maiores hotéis de Melbourne, agora é um ponto alegre e barato popular entre os grupos de excursão. Quartos duplos a partir de 120 dólares australianos.

O Prince (Acland Street, 2, Saint Kilda, 61-3-9536-1111; www.theprince.com.au) é um hotel cheio de estilo perto da orla marítima de Saint Kilda, com decoração minimalista e um spa. Quartos duplos a partir de 250 dólares australianos.

Tradução: George El Khouri Andolfato
 

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