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New York Times: Berlim de volta ao glamour dos tempos de Bowie e Iggy

Oliver Hartung/NYT
Imagem: Oliver Hartung/NYT

RALPH MARTIN

New York Times Syndicate

19/12/2007 18h15

O Hansa Studios, em Berlim, onde David Bowie, Iggy Pop e Nina Hagen gravaram álbuns que foram marcos de suas carreiras, dá vista atualmente para um moderno complexo residencial de tijolos vermelhos atrás da nova e reluzente Potsdamer Platz. Mas, no final dos anos 70, quando Bowie e companhia estavam gravando ali, a paisagem era desoladoramente romântica: uma área deserta cheia de areia marcada apenas pelo Muro de Berlim, que inspirou a monumental canção "Heroes", de Bowie.

Aquela era a Berlim cool original, com seu próprio estilo de glamour soturno, estranho, muito antes dos distritos de Mitte e Friedrichshain de Berlim Oriental entrarem para o mapa dos turistas.

Em parte como uma reação ao badalado Oriente, o glamour de Berlim Ocidental está voltando lentamente, na forma de novas galerias de arte e revitalização dos restaurantes e hotéis da época de Bowie. No ano passado, Sassa Trulzsch abriu uma pequena galeria (Kurfurstenstrasse, 12; 49-163-707-7079; www.sassatruelzsch.com) em um pátio no bairro de Tiergarten. "Mitte também possui muitas lojas de rede e butiques; é comercial demais", ela disse. Uma recente abertura de uma exposição da artista Karin Sander estava lotada com o que parecia contar com um público mais descolado do que as hordas que visitam as galerias em Mitte.

Mas o clima final dos anos 70 é igualmente responsável pela atração de uma geração de personalidades de volta ao oeste. Ulf Poschardt, o editor da edição alemã da "Vanity Fair" e líder de um grupo de jornalistas trintões da noite, disse: "Para ficar à frente das coisas é preciso evitar os clichês e, apesar de adorar a nova Berlim Oriental e Mitte, eles se tornaram clichês. E, para minha geração, a Berlim de Bowie e Iggy Pop sempre foi a Berlim cool".

Poschardt tem uma casa de campo em um lago em Berlim Ocidental; outros, como Niklas Maak, editor de arte do jornal "Frankfurter Allgemeine Zeitung", vive no bairro luxuoso de Charlottenburg. "A reação anti-Mitte realmente está acontecendo -todos os donos de galeria de arte estão se deslocando para o oeste", disse Maak. "Não atrapalha o fato de ser um dos berços da arquitetura modernista."

Maak e seu grupo de artistas e escritores costumam se congregar no Paris Bar (Kantstrasse, 152; 49-30-313-8052), onde Iggy Pop certa vez deu a um repórter da "Rolling Stone" uma entrevista tão bêbado que ela terminou com ele estirado na calçada em frente. Como naquela época, o lugar está repleto de uma mistura de freqüentadores de respeitabilidade duvidosa de Berlim, incluindo astros de cinema e pintores e os jornalistas que os seguem. O cardápio é de pratos de bistrô, incluindo um entrecosto passável por 19,50 euros, ou cerca de US$ 29, com o euro a US$ 1,50.

Perto dali, no Florian (Grolmanstrasse, 52; 49-30-313-9184; www.restaurant-florian.de), outro baluarte dos dias de glamour, os freqüentadores podem desfrutar de um clima mais discretamente glamouroso, jantando entre apresentadores de televisão e diretores de cinema, mas em meio a uma comida muito melhor. A decoração simples (carpetes institucionais, o balcão sólido de carvalho) parece inalterado em comparação a 1979, assim como o cardápio, que oferece pratos alemães clássicos como tafelspitz (vitela cozida e raiz-forte). Uma ampla adega de vinho que conta com rieslings e Bordeaux ajuda a assegurar a sensação de velha escola. (Os aperitivos custam 8,50 euros; os pratos principais a partir de 15 euros.)

E há os fãs de música. Nick Jackson, um inglês que atua como guia para a Sandeman's New Europe Tours (www.newberlintours.com), disse: "Há um grupo de turistas jovens, descolados, que estão cientes do período David Bowie e que vêm por causa disso. 'Onde Bowie morou?' é a pergunta mais freqüente".

A Fritz Music Tour (49-30-3087-5633; www.musictours-berlin.com) fornece a resposta: o passeio semanal em inglês (19 euros) leva você de van até o antigo endereço de Bowie na Hauptstrasse, 155. O prédio de apartamentos não está pichado nem contém oferendas de fãs (mas o número do prédio foi roubado no ano passado, alguns dizem como um presente pelo 60º aniversário de Bowie). Em Hauptstrasse, 157, fica o Neues Ufer, um café branco e clube noturno gay onde, como colocou o ex-proprietário, Gerhard Hoffman, "Bowie podia trazer alguém e sentar sem ser incomodado. Os freqüentadores regulares não ligavam".

Tradução: George El Khouri Andolfato

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