Viagem

Carnaval na América Latina brinca com dualidade entre o bem e o mal

Adriana Terra

Colaboração para o UOL, em São Paulo

02/02/2016 18h20

Em Oruro, na Bolívia, ele remete a tradições andinas em danças de mascarados que evocam um deus-demônio, brincando com dualidades e crenças. Já em La Vega, na República Dominicana, a figura do diabo aparece carregando sacos de couro para dar “tapinhas” nos foliões, enquanto em Guaranda, no Equador, a bebida da folia é uma espécie de aguardente azul.

Para quem tem interesse em ver como o Carnaval funciona além das nossas fronteiras, o UOL mostra algumas características das festas que já estão acontecendo nestes dias por cidades da América Latina.

Confira nossas dicas e veja se não vale, nos próximos anos, esticar aquela viagem por capitais como La Paz, Bogotá ou Montevidéu para conhecer um pouco mais das culturas de países próximos.

  • Imagem: iStockPhoto/Getty Images
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    Barranquilla, na Colômbia

    Localizada a duas horas de Cartagena, a cidade é bem famosa por seu Carnaval e por ser onde o rio Magdalena se encontra o mar caribenho. A festa mistura tradições tanto africanas (oriundas de povos escravizados na região) e indígenas quanto europeias (dos colonizadores espanhóis). Em 2016, o Carnaval "barranquillero" começou em 16 de janeiro e vai até 9 de fevereiro. Uma das atrações é a Batalha das Flores, onde uma carruagem atira flores ao público. Também tem a cumbia e a tradicional dança do garabato, que representa um duelo entre a vida e a morte ao som de chandé, ritmo percussivo afrocolombiano. Para quem vai visitar, a cidade oferece belas praias e faz parte do imaginário da literatura de Gabriel García Márquez, que viveu ali durante a infância. Leia mais

  • Imagem: Marcelo Chacón/Wikicommons / iStockPhoto/Getty Images
    Marcelo Chacón/Wikicommons / iStockPhoto/Getty Images
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    Oruro, na Bolívia

    Declarado Patrimônio da Humanidade em 2001 pela Unesco, o Carnaval deles é um dos mais famosos do mundo. Este ano acontece entre 30 de janeiro e 7 de fevereiro. Localizada no altiplano boliviano, a cidade é considerada a capital do folclore no país. A celebração por lá mescla tradições andinas e cristãs, com a Pachamama (mãe-terra) sincretizada na figura da Virgem Maria (ou del Socavón, padroeira do lugar), além das danças intituladas Diabladas, relembrando o culto ao Tio Supay, deus-demônio que carrega a dualidade bem versus mal. Partindo por terra de La Paz, a viagem dura cerca de quatro horas. Oruro é uma cidade de médio porte conhecida também por sua altitude. Leia mais

  • Imagem: Ricardo Rojas/Reuters
    Ricardo Rojas/Reuters
    Imagem: Ricardo Rojas/Reuters

    La Vega, na República Dominicana

    O evento será realizado durante os quatro domingos de fevereiro este ano, mas registros dão conta que o Carnaval começou a ser celebrado na cidade em 1510, quando as tradições espanholas se misturam com a herança africana local. A figura do demônio, assim como em Oruro, também é importantíssima. Ela é representada pelo "Diablo Cojuelo", que circula com máscaras coloridas carregando um pequeno saco de couro para dar "vejigazos", ou batidinhas, nos transeuntes. Por conta de sua tradição, o Carnaval também é apresentado em Santo Domingo, capital do país. Quem visita o destino, além da festa carnavalesca, pode curtir belas cachoeiras e parques naturais. Leia mais

  • Imagem: Cecília Puebla / EFE
    Cecília Puebla / EFE
    Imagem: Cecília Puebla / EFE

    Guaranda, no Equador

    Carros decorados com flores e pássaros desfilam pelas ruas junto a representações de figuras folclóricas no Carnaval da cidade, situada no centro do país. As origens mesclam tradições pré-colombianas, indígenas, e europeias, mas também existem os pratos e bebidas típicas: um assado de porco com batatas e ovos, além do famoso licor "pássaro azul", bebida típica local feita com aguardente de cana, folha de laranja, tangerina, anís e até mesmo caldo de galinha. Guaranda fica a 213km de Quito e também é conhecida como Cidade das Sete Colinas, por ser cercada por sete montes, ficando aos pés do Chimborazo, vulcão mais alto do Equador. O evento deste ano será realizado até o dia 9 de fevereiro. Leia mais

  • Imagem: iStockPhoto/Getty Images
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    Ponce, em Porto Rico

    Aqui, a figura do demônio, o "vejigante", aparece em máscaras coloridas feitas de papel machê que desfilam pelas ruas da cidade. De tão importante, a tradição ainda mantém vivo o ofício do artesão das peças, que podem ser fabricadas em diferentes formatos e estilos. Apesar do destino não pertencer a América Latina, atualmente o país é território americano, suas origens não deixam de ter um pé na parte Sul do continente. A festa deste ano acontece de 3 a 9 de fevereiro. Outra cidade portorriquenha que celebra o Carnaval de vejigantes é Loíza, onde as máscaras têm influência mais africana do que espanhola, sendo feitas com cascas de coco. Leia mais

  • Imagem: iStockPhoto / Getty Images
    iStockPhoto / Getty Images
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    Montevidéu, no Uruguai

    A festa na capital uruguaia dura cerca de 40 dias e tem muita ligação com o teatro e a herança africana local. Durante as festividades, as ruas recebem palcos com apresentações de teatro, música (o ritmo predominante é o candombe, cujos grupos são chamados de comparsas) e dança. A percussão do candombe pode ser ouvida principalmente no Desfile de Llamadas, uma das maiores manifestações da cultura afrouruguaia, que acontece nos bairros Sur e Palermo - redutos históricos da população negra de Montevidéu - e lembra a comunicação por tambores dos tempos de escravidão. Outra expressão do Carnaval local é a murga, apresentações musicais com sátiras sociais e políticas, de origem espanhola. Leia mais

  • Imagem: iStockPhoto/Getty Images / Pablo Aguilar/EFE
    iStockPhoto/Getty Images / Pablo Aguilar/EFE
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    Cajamarca, no Peru

    Localizada ao norte de Lima, a cidade possui o Carnaval mais conhecido do país, com direito a desfiles de carros alegóricos e a figura do "Ño Carnavalón", uma espécie de boneco gigante que é o principal personagem da festa, sendo morto e enterrado simbolicamente ao fim dela. Outra tradiçção é a Parada de Unshas, quando grupos cantam em torno de árvores ornadas com frutas, fitas coloridas e oferendas. Para quem visitar o destino, Cajamarca é uma cidade que ainda conserva alguns exemplares da arquitetura inca. Inclusive, em seus arredores, é possível visitar o sítio arqueológico de Cumbemayo, com formações pré-incaicas. O evento deste ano acontece de 6 a 10 de fevereiro. Leia mais

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