Ho Chi Minh

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Imagens relativas ao Budismo fazem parte do Suoi Tien Cultural Amusement Park, em Ho Chi Minh, no Vietnã Divulgação

Em Ho Chi Minh, no Vietnã, buzinas, aromas e história se misturam nas ruas

Se você está trás de lojas caras, shopping centers luxuosos e marcas famosas (pelo menos as originais), risque Ho Chi Minh do seu roteiro de viagens. O espetáculo da maior cidade do Vietnã acontece bem longe dos circuitos internacionais de consumo. Suas cores são as da vistosa paisagem tropical, sua trilha sonora é a das onipresentes buzinas de motocicletas e seu cheiro é o da deliciosa sopa phobo (pronuncia-se fô-bô). E o interesse maior está nas ruas de uma metrópole marcada pelos resquícios do passado rural ainda recente para boa parte de seus habitantes.

Isso não quer dizer que Ho Chi Minh – ou Saigon, se preferir – tenha virado as costas para o comércio de nariz empinado. Nas beiras da rua Dong Khoi, prédios gigantescos abrigam hotéis de luxo e filias de grifes estrangeiras tentam emplacar seu estilo. Mas se tornam quase exóticas em contraste com a pobreza de uma população que está apenas uma posição acima da Índia em renda per capita na Ásia. Isso faz com que a diversão ocorra a céu aberto e com bem poucos recursos. Futebol no parque, crianças nos playgrounds públicos, cervejadas em banquinhos improvisados na calçada, refeições com o prato na mão e cochilos no meio da rua – inevitáveis com o calor escaldante – fazem a alegria de uma população que, aos poucos, aprende a explorar o turismo. Portanto, não se aborreça se um vendedor se recusar a interromper a soneca para pegar seu pedido ou uma atendente do famoso mercado Ben Thanh puxar sua camisa para fazer as ofertas. E, na hora das compras, nas lojas ou nas ruas, prepare-se para pechinchar no peculiar inglês local. Isso porque os preços quase nunca estão escritos e, para estrangeiros, eles começam pelo menos três vezes mais alto que o original. O que não significa lá muita coisa – pagar o triplo de 30 centavos por uma água de coco continua sendo razoável.

Os preços vietnamitas são de deixar boquiabertos os turistas, inclusive brasileiros. Por pouco menos de 20 reais janta-se no muito saboroso Huong Lai, com sua bela variedade de pratos locais e atendimento caprichado. Já uma refeição completa numa das lojas do Pho 24 custa cerca de oito reais e prepara para um dia todo de caminhadas. Num país que ainda não foi dominado pelos molhos prontos e congelados, comer o que quer que seja é sempre uma experiência e tanto. Vegetais fresquíssimos temperados com o sabor marcante do molho de peixe nuocman, carnes cozidas por muitas horas na água de coco e os preciosos rolinhos nem cuon, feitos com papel de arroz, são sempre recompensadores. No café da tarde, pare em uma cafeteria qualquer ou em uma das lojas da rede Highlands Café para saborear a bebida na versão local, feita de um jeito bem diferente do nosso.

Um mundo só de motos
A vida em Ho Chi Minh começa bem cedo, com os primeiros vendedores circulando pelas ruas com seus famosos chapéus em formato de cone, e termina tarde, com os jovens locais namorando ao redor dos parques em cima de suas inseparáveis bicicletas. E não são só as paqueras que acontecem no lombo de duas rodas – homens, mulheres, animais, famílias inteiras andam a velocidades inferiores a 40 km numa cidade que dispensou as quatro rodas. Não há semáforos e as faixas de pedestres são enfeites. Atravessar a rua na capital econômica do Vietnã (a política de Hanói) é sempre uma aventura. Se tiver muitos problemas, a dica é: cole num local e ele vai conduzi-lo são e salvo ao outro lado.

Com boa parte dos pontos turísticos localizados em volta do centro, Ho Chi Minh não precisa de meios de transporte para ser visitada. Exceto pelo bairro Cholon, a Chinatown, que reúne alguns dos melhores templos da cidade. Para chegar lá, use um táxi (o percurso não vai sair mais de dez reais) ou um tuk-tuk, espécie de bicicleta não motorizada com espaço para um passageiro. Mas tome cuidado para não ser enganado: o ideal é escrever o preço no papel e conseguir o consentimento do motorista. Se ele oferecer mais outros destinos, desconfie: a conta no final pode ser maior. O passeio sairá por volta de seis ou sete reais, ida e volta.

Memórias da Guerra
Costuma-se dizer que as guerras são contadas sempre do ponto de vista do vencedor. Essa máxima, no entanto, não vale para a Guerra do Vietnã. Embora tenha vencido a guerra, o país pouco disse ao mundo sobre o conflito que até hoje marca a fundo a população local. Com o incentivo do governo socialista, os vietnamitas falam com orgulho sobre a vitória e não medem palavras ao contar as atrocidades a que assistiram. Um exemplo é o Museu da Guerra, que relembra em fotos chocantes os terrores do passado. Em vez de prejudicar, o abandono das instalações complementa a experiência de ver de perto a verdade dos conflitos armados.

Bem diferente é o Palácio da Reunificação, construído em 1966 pelo Vietnã do Sul para servir de sede ao governo filiado aos Estados Unidos. Suntuoso na parte acima da terra, embaixo dela ganha ares de filme, com instalações para servir de fuga ao presidente em caso de bombardeio do prédio. Mapas, telefones de emergência, máquinas de datilografar para envio de mensagens secretas – tudo foi mantido exatamente como era.

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