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Cachoeiras, índios e ilha das cobras: conheça o lado B do litoral sul de SP

Felipe Floresti

Colaboração para o UOL, de São Paulo

08/03/2016 21h07

Guarda-sóis, coqueiros, calçadão e quiosques: esse é o cenário predominante para quem percorre os mais de 90km de orla entre as cidades de Praia Grande e Peruíbe, ao sul da Baixada Santista. Mas a região também esconde seus segredos. Praias desertas, cachoeiras, aldeias indígenas e grandes áreas de Mata Atlântica intocada são verdadeiros refúgios. Tem até a ilha mais perigosa do mundo, dominada por cobras venenosas. O UOL te mostra o caminho da natureza no litoral sul de São Paulo.

Felipe Floresti/UOL
No parque Poço das Antas é possível encontrar pequenas piscinas e quedas d'água Imagem: Felipe Floresti/UOL

Poço das Antas
A primeira parada fica na cidade de Mongaguá. Seguindo pela Rodovia Padre Manoel da Nóbrega, pouco antes de cruzar o rio que empresta nome à cidade, uma ruazinha à direita conduz à entrada do Parque Turístico Umberto Salomone.

Logo ao entrar, passados o estacionamento e alguns bares e lanchonetes, um bosque leva os visitantes ao Poço Maior, a maior atração do parque. É uma cascata de cinco metros que escorre pelas pedras, até formar uma grande piscina natural. Durante a alta temporada os turistas ainda podem curtir uma tirolesa.

Como é de se esperar, o poço principal é sempre o mais concorrido. Mas quem gosta de tranquilidade basta seguir por uma das trilhas do parque. Bem sinalizadas e com nível de dificuldade baixo, seguem o curso dos rios Bichoró e Mineiro, que se unem para formar o Rio Mongaguá. No caminho, é possível desfrutar de diversas pequenas quedas d'água e poços de águas cristalina. Apesar de proibido, muitos jovens aproveitam para fazer mergulhos acrobáticos das pedras.

É uma imersão na Mata Atlântica, a menos de 10 km do centro de Mongaguá. O tour pode ainda contar com a companhia de bichos-preguiça, aves silvestres, lagartos e até, mais raramente, as antas, que deram o nome popular ao parque, ao deixar a floresta para beber água no poço.

Quando: Diariamente, das 8h às 17h
Quanto: Os ingressos custam R$ 2 por pessoa, R$ 4 por moto e R$ 10 por carro
Onde: R. das Cascatas, s/n, Bal. Pedreira, Mongaguá

Divulgação/Prefeitura de Itanhaém
A região da bacia do rio Itanhaém é conhecida como Amazônia Paulista Imagem: Divulgação/Prefeitura de Itanhaém

Amazônia Paulista
Seguindo sentido Itanhaém, prepare-se para encontrar 300km² de Mata Atlântica praticamente intocada: é mais da metade de toda a área do município. Mas é onde o rio Itanhaém nasce que surgiu a comparação com um dos principais biomas do mundo. Não pelo tamanho: assim como no Norte do país as águas do Rio Negro e Solimões criam uma das maiores atrações turísticas de Manaus, em Itanhaém as águas escuras do Rio Preto, que nasce em Peruíbe, encontram-se com as águas cristalinas que vêm da Serra do Mar.

Os passeios para visitar o encontro dos rios partem do centro de Itanhaém, em um roteiro de 3 a 4 horas de duração. Dá para observar a biodiversidade ao longo do trajeto, dominado por manguezais nas margens do rio Itanhaém, transformando-se em restinga quando segue pelos outros rios. Para quem gosta de pescar, prevalecem espécies de águas salobras, como o robalo, tainha, parati e o bagre.

No fim do percurso, o passeio ainda conta com uma parada no Country Club, com bar e restaurante, além da possibilidade de alugar caiaques para explorar esse cenário.

Os passeios saem do portinho na Alameda Emídio de Souza, ao lado da ponte, próximo ao Itanhaém Iate Clube. Para agendar seu passeio, entre no site.

Divulgação/Pesca com Bill
Barco levam turistas para os arredores da Ilha das Cobras, a 35km da costa de Itanhaém Imagem: Divulgação/Pesca com Bill

Ilha das Cobras
O nome oficial é Queimada Grande, mas é impossível não relacionar essa ilha, a 35 km da costa de Itanhaém, com seus principais habitantes: cerca de duas mil serpentes da espécie Jararaca Ilhoa, parentes das jararacas continentais, mas com veneno de 12 a 20 vezes mais forte.

A ilha é um pedregulho de granito com 430 mil m² de área, que segue praticamente intocada ao longo do tempo. Acredita-se que as cobras habitam a ilha desde a era glacial. O isolamento deu status de topo da cadeia alimentar às serpentes, que dominam a ilha. Elas podem ficar até seis meses sem comer, alimentando-se dos pássaros que resolvem botar seus ovos por lá.

Apesar de não haver nenhuma placa que indique, é proibido desembarcar sem a autorização da Marinha. Mas não precisa nem avisar, afinal, quem seria louco de botar os pés lá?

Passeios de barco partindo de Itanhaém saem do portinho na Alameda Emídio de Souza, ao lado da ponte, próximo ao Itanhaém Iate Clube. São longas 2h40 para chegar nos arredores da ilha, que também é um concorrido destino de pesca esportiva e um dos principais pontos de mergulho de São Paulo, inclusive com um cargueiro naufragado em 1933. Se der sorte, ainda existe a chance de um grupo de golfinhos acompanhar os turistas durante o trajeto.

Divulgação/Vivência na Aldeia
Na divisa entre Itanhaém e Peruíbe fica a terra indígena Piaçaguera Imagem: Divulgação/Vivência na Aldeia

Terra indígena Piaçaguera
Quem está com saudades da praia encontra a orla inalterada pelo homem na divisa entre as cidades de Itanhaém e Peruíbe. A área, que alguns anos atrás quase foi ocupada por um empreendimento hoteleiro, é reserva dos Piaçaguera, última aldeia tupi-guarani na orla do Oceano Atlântico. Um dos últimos lugares no litoral sul brasileiro que uma grande área de restinga se encontra com a praia.

Além de desfrutar dos encantos de uma praia virgem, os visitantes ainda podem fazer uma imersão na terra dos habitantes originais do país. Algumas vivências esporádicas levam os visitantes a conviver durante o fim de semana na comunidade chamada de Awa Porungawa Dju.

Além de trocar experiências e assistir a apresentações de cantos e danças tradicionais, os visitantes ainda participam de oficinas de educação ambiental, além de ajudar na construção de casas utilizando materiais naturais encontrados na região, aprendendo sobre os princípios da bioconstrução e permacultura. Mais informações sobre a vivência no site.

Felipe Floresti/UOL
O rio Guaraú separa a praia que leva seu nome da Serra da Jureia Imagem: Felipe Floresti/UOL

Reserva da Jureia
Entre todas as preciosidades do litoral sul, com certeza é no final de Peruíbe que fica a maior delas. Um portal de boas vindas à região da Jureia marca o caminho pela sinuosa estrada de Guaraú. Parcialmente urbanizada, a pequena e charmosa praia é limitada pelo início da serra e o rio que dá nome ao lugar. É lá que ficam as melhores pousadas e restaurantes para quem vai conhecer a Jureia.

Mas é uma mal conservada estrada de terra que leva ao verdadeiro encanto da região. A Estação Ecológica Jureia-Itatins mantém preservada uma área de 79.240 hectares, indo do nível do mar a altitudes que chegam a 1.240m. Além da beleza natural, o lugar é fundamental na preservação da Mata Atlântica, já que por ali estão concentrados dois terços dos últimos 5% de cobertura vegetal nativa do Estado de São Paulo. Estende-se pelos municípios de Iguape, Miracatu, Itariri e Pedro de Toledo. Protege espécies nativas como a onça-pintada, o macaco mono carvoeiro, o palmito juçara, o tucano de bico preto, dentre outros integrantes raros e endêmicos da Mata Atlântica.

Antes mesmo de chegar à portaria que dá entrada à Estação Ecológica, está a primeira atração: um desvio na estrada leva à cachoeira do Perequê, com um poço de água límpida que torna irresistível um mergulho.

Otto Hartung/Fundação Florestal
A cachoeira do Paraíso é uma das principais atrações na Estação Ecológica Jureia-Itatins Imagem: Otto Hartung/Fundação Florestal

Seguindo pela estrada, na portaria do parque, o segurança pergunta o destino da visita: as praias ou a cachoeira do Paraíso. Localizada na área conhecida como Núcleo Itinguçu, uma das poucas abertas ao turismo, a cachoeira tem o limite de 270 visitantes diários. Por isso, vale chegar cedo para desfrutar dessa queda d'água de 17m que forma diversos poços naturais. É acessada por uma trilha de aproximadamente 500m em meio a mata ciliar.

Mas se seu negócio é praia, o ideal é seguir para a vila de Barra do Una. Apesar de minúscula, com ruas de areia, oferece alguns restaurantes e campings. Uma faixa de 80m de vegetação separa a vila da praia. Quase sempre deserta, é o ponto de partida para explorar a área, mas sempre com limites, já que não existe muita sinalização nem é permitido vagar perdido na região.

Vale a pena contratar um guia para explorar alguns dos 12 km de trilhas que percorrem sete praias da reserva. Com diferentes tamanhos e características, todas têm em comum o fato de serem praticamente intocadas pelo homem. Para contratar um guia você pode entrar em contato com Luis Martinez Lopes pelo telefone (13) 99776-2900.

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