Viagem

Rota de carro pela costa norte da Escócia tem belas praias e castelos

Rafael Mosna

Colaboração para o UOL, na Escócia*

06/06/2016 19h14

Quase uma versão britânica da famosa Rota 66, nos Estados Unidos, a North Coast 500 é um percurso turístico lançado em março de 2015, que percorre toda a costa do norte da Escócia tendo Inverness, capital das Highlands, como ponto de saída e chegada.

Provavelmente não tão ensolarado quanto o seu "gêmeo" americano, o percurso escocês conta com 500 milhas de distância (805km) e traz paisagens igualmente impressionantes. Seu principal intuito é atrair visitantes para essa região, digamos, mais erma do país.

O UOL fez o trajeto e te mostra um roteiro das principais atrações. Para quem pretende se aventurar pelos asfaltos do norte, a principal dica é investir no aluguel de um carro que, além de confortável, seja de um tamanho médio, pois algumas estradas são bastante estreitas.

Vale lembrar ainda que o sentido de circulação é ao estilo inglês, pela esquerda. Como o volante fica no lado direito do carro, um câmbio automático pode facilitar a vida, visto que a mudança deve ser feita com a mão esquerda, ao contrário do que estamos acostumados no Brasil. Nada que seja difícil de se acostumar em pouco tempo, é claro.

Observadores curiosos

Rafael Mosna/UOL
Grupo de cervos vistos na estrada entre Applecross e Shieldaig Imagem: Rafael Mosna/UOL

Trecho: de Inverness a Shieldaig
Distância percorrida: 168km

No dia 1, seguimos em direção ao vilarejo de Lochcarron, com lagos e mais lagos de água azul celeste ao redor. Após parada estratégica para fotos, pedimos para abastecer nossas garrafas em uma das casas particulares com vista para um espelho-d'água que refletia montanhas e pinheiros. “Entrem, entrem. De onde vocês são?”: enquanto o marido insistia para que sentássemos em uma das poltronas da varanda e contava sobre a vida que tinha deixado para trás em Edimburgo, a esposa vinha com duas garrafas seladas. “Quero dar estas aqui para vocês.”

Problema de sede resolvido, seguimos para o ponto alto do dia: a estrada Bealach Na Ba, considerada a terceira mais alta da Escócia -- vai do nível do mar aos 626m de altura. De mão única, bem estreita e cheia de curvas, não é recomendada para motoristas iniciantes. Em dias claros, como era o caso, a vista de cima é deslumbrante.

No caminho em que beirávamos a costa rumo ao hotel em Shieldaig, mais paisagens bonitas e animais bem próximos da pista. Não foi preciso fazer esforço para ver um grupo de cervos que parou a refeição para nos observar (foto acima). Eles também ficaram curiosos. 

Não deixe de: enganar o tempo e tomar um chá ou café no The Tee-Off Café, que tem mesas ao ar livre com vista para o lago Carron.
Experimente: as ostras frescas, o lagostim bem temperado e as vieras graúdas e suculentas do Applecross Inn
Aproveite para: dirigir sem pressa (dê preferência para os carros locais e deixe-os ultrapassar) e admirar a calmaria e beleza da região.

Caminhadas e trilhas

Rafael Mosna/UOL
Paisagem vista a partir de estrada próxima a Torridon Imagem: Rafael Mosna/UOL

Trecho: de Shieldaig a Ullapool
Distância percorrida: 152km

No segundo dia, após um café da manhã caseiro com vista para o lago Shieldaig (que possui o mesmo nome do vilarejo), o percurso reservava várias estradas pequenas e trechos com ovelhas caminhando pelo asfalto. Em cerca de 20 minutos estávamos em Torridon (foto acima), uma pequena vila procurada por quem gosta de caminhadas e trilhas, mas que também interessa geólogos e naturalistas.

Na região estão as montanhas de Liathach (1.055m acima do nível do mar), que pode ser explorada em uma trilha de 10 km, e Beinn Alligin (985m acima do nível do mar), cuja trilha possui a mesma distância.

Adiante, em Gairloch, há uma caminhada promissora saindo do estacionamento do clube de golfe local até uma praia da região (a ventania e o chuvisco incessantes impediram que essa atividade se concretizasse).

Seguindo em direção ao hotel em Ullapool, uma parada estratégica em Corrieshalloch Gorge fechou o dia com uma paisagem pitoresca arrebatadora: uma ponte suspensa de 25m de extensão, construída em 1874 e com vista para um desfiladeiro e uma série de quedas-d'água.

Não deixe de: parar no Loch Torridon Centre, que comercializa trabalhos de artistas locais.
Experimente: os scones de queijo e alecrim, tradicionais pãezinhos britânicos, no Mountain Coffee, que também é uma livraria.
Aproveite para: caminhar e conhecer os pubs de Ullapool.

Charme em ruínas

Rafael Mosna/UOL
As ruínas do castelo Ardvreck podem ser vistas da estrada Imagem: Rafael Mosna/UOL

Trecho: de Ullapool a Tongue
Distância percorrida: 202km

O terceiro dia amanheceu chuvoso, mas o clima já estava bem mais ameno quando chegamos nas proximidades do Loch Assynt. E uma curta caminhada nos levou perto das ruínas do castelo Ardvreck (foto acima), que data do século 16.

Rumo a Durness, já no extremo norte da Escócia, praias, lagos e ilhotas formavam a paisagem vista a partir das estradas de pista única. Nela, os carros trafegam em mão dupla, mas não há largura suficiente para que mais de um veículo passe por vez. Se dois deles estão dirigindo em direções opostas, é necessário que um espere em um dos "espaços de passagem" para que o outro continue. Estradas assim são bem comuns em várias partes do interior da Escócia.

Durness tem praias belíssimas. Balnakeil e Sango Sands são algumas que merecem uma parada para esticar as pernas. Durante o verão, "puffins" (papagaio-do-mar) podem ser observados nas proximidades. 

A atração mais peculiar na região é a Smoo Cave, uma caverna posicionada entre falésias de calcário com tamanhos consideráveis: 60m de comprimento e 40m de largura, com a cavidade de entrada medindo 15m de altura.

De volta à estrada, chegamos ao hotel em Tongue, pequeníssimo vilarejo que ostenta em sua paisagem um onipresente castelo medieval em ruínas. Para jantar, o pub do Tongue Hotel tem pratos bem feitos, como ostras frescas, vieiras com couve e “black pudding” (espécie de embutido feito com sangue), além de carne de cordeiro local, tenra e saborosa, servida com lentilhas, abóbora e molho de alecrim.

Não deixe de: caminhar, curtir a paisagem e fazer um piquenique em Knockan Grag, parte do North West Highlands Geopark.
Experimente: os chocolates artesanais do Cocoa Mountain, feitos na pequena fábrica que pode ser vista pela parede de vidro bem na entrada da loja.
Aproveite para: conhecer as atrações com calma, sem nenhum visitante ao redor - fato corriqueiro durante os cinco dias de viagem deste repórter.

"Topo" da Escócia

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Dunnet Head, o ponto mais setentrional do Reino Unido Imagem: Rafael Mosna/UOL

Trecho: de Tongue a Wick
Distância percorrida: 152km

No quarto dia, começamos passando pela praia de Melvich, que costuma receber surfistas. Dunnet Head está poucos quilômetros à frente, numa entrada à esquerda da pista principal. Trata-se de um grande penhasco, excelente ponto para observação de pássaros, inclusive "puffins" durante o verão. E nem é preciso muito esforço: os animais voam e cantam incessantemente.

Nessa área também está o The Castle and Gardens of Mey (fechado durante nossa passagem, mas aberto para quem planeja a viagem entre 18 de maio e 30 de setembro). A propriedade foi comprada pela mãe da Rainha Elizabeth 2ª, que restaurou o local e costumava se hospedar ali durante os verões após a morte de seu marido, o rei George 6º.

Em Wick, é possível ver as ruínas do Old Castle. Construído próximo a penhascos, supostamente no ano 1100, ele seria um dos mais antigos que ainda podem ser vistos na Escócia.

Não deixe de: parar em John O’Groats, Dunnet Head e Thurso. Os locais são, respectivamente, a vila, o ponto e a cidade mais setentrionais (mais ao Norte) do Reino Unido.
Experimente: gin regionais no Old Smiddy Inn, um pub supersimples frequentado por moradores locais. 
Aproveite para: almoçar em Thurso, que possui várias opções de restaurantes.

Penhascos

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As escadarias de Whaligoe Steps são cheias de histórias Imagem: Rafael Mosna/UOL

Trecho: de Wick a Inverness
Distância percorrida: 194km

O último dia de estrada amanheceu ensolarado. Partimos rumo a Whaligoe Steps, que é formada atualmente por 330 degraus (originalmente, eram 365, quando construídos no século 19). As escadarias vão do topo do penhasco à praia de pedras e tem uma vista impressionante pelo caminho. 

Elas foram erguidas para o transporte de peixes. Navios ancoravam no local e mulheres, muitas na casa dos 70 anos, eram responsáveis por levar a mercadoria em cestas no ombro.

Mais de 80km adiante está o vilarejo de Dornoch, local claramente mais “fino”. A cantora Madonna, por exemplo, já foi vista praticando yoga em uma das suas praias.

Em vez de seguir a rodovia diretamente a Inverness, saímos do caminho em direção à costa do vilarejo de Portmahomack. Foi por ali onde, ao pedirmos uma recomendação sobre um local para tomar chá, uma senhora respondeu: "Não sei dizer, mas entrem aqui em casa que eu faço um chá para vocês, sirvo com bolo e podemos tomar na varanda, olhando o mar”. Uma maneira inusitada para finalizar a viagem, não?

Não deixe de: visitar a catedral em Dornoch, onde Madonna batizou um de seus filhos no ano 2000.
Experimente: os pratos indianos no Cafe India, em Dingwall. 
Aproveite para: tomar café ou chá no Anta, próximo ao vilarejo de Fearn. O local vende cerâmicas e outros produtos fabricadas na região.

* O jornalista viajou com o apoio do Visit Britain.

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