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Na costa do Pacífico colombiano, Bahia Solano tem praia, selva e baleias

Felipe Floresti/UOL
Casa de madeira na praia de El Almejal, em Bahia Solano Imagem: Felipe Floresti/UOL

Felipe Floresti

Do UOL, na Colômbia

19/08/2014 07h00

Chegar à Bahia Solano, no litoral do Pacifico colombiano, é como entrar em outro mundo. Lá as rodovias ainda não chegaram. O fato, que deixa a pequena população praticamente isolada do resto do país, é uma benção para as milhares de espécies de animais e plantas que habitam um dos ecossistema mais biodiversos do planeta. O acesso se dá somente por barco ou avião, rotas bastante procuradas principalmente entre os meses de julho a outubro, época em que seus maiores visitantes, as baleias jubarte, chegam à costa, juntamente com um festival de migrações, que incluem tartarugas marinhas e diversas espécies de aves.

O choque se dá pouco antes do avião tocar o solo do pequeno e confuso aeroporto de Bahia Solano. Do alto, tudo que se vê é uma imensidão de mar e florestas até onde a vista não pode mais alcançar, com o pequeno povoado quebrando o padrão. Separada do restante da Colômbia pela cordilheira dos Andes e em uma da regiões com o maior índice pluviométrico do mundo, a costa do departamento de Chocó possui diversos projetos de estradas embarreiradas pela complexidade e custos das obras e dificuldade na negociação com as comunidades afrocolombianas e indígenas que habitam a região.

Já em terra, moto-taxis adaptados para comportar mais passageiros levam os turistas por uma esburacada estrada sem asfalto até o povoado em um passeio de 20 minutos, passando por comunidades indígenas da etnia Embera, que vivem em precárias casas de madeira e placas de zinco. Um soldado em frente a uma base do exército colombiano entrega panfletos divulgando os êxitos da instituição no combate à guerrilha, que por tanto tempo atuou na região e aparece em guias de viagens que alertam os turistas para o risco de sequestro. Hoje em dia, porém, moradores garantem que a situação está sobre controle e que por ali tudo é muito seguro.

Com cerca de 8.000 habitantes, a cidadezinha se destaca pela simplicidade. É possível contar nos dedos os carros que circulam por suas ruas de terra. Quase tudo que é consumido chega de barco vindo de Buenaventura, maior cidade portuária da Colômbia, salvo alguns vegetais cultivados nas redondezas. A escassez só não é regra quando o cardápio é peixe, base da alimentação. O grandioso hotel Balboa, construído pelo antigo líder do narcotráfico colombiano Pablo Escobar, chama atenção pela opulência em relação à vizinhança.

Felipe Floresti/UOL
Uma grande passarela de madeira foi construída sobre os mangues do Parque Nacional Natural de Utría para permitir o acesso de turistas Imagem: Felipe Floresti/UOL

As baleias jubarte são as maiores atrações da região. No mês de julho que começam a chegar algumas com até 17 metros de comprimento e 40 toneladas vindas do pólo sul em busca das águas mais quentes da costa do Pacifico colombiano. A tranquilidade da baía é um dos fatores que propiciam a procriação e amamentação dos filhotes. Em meados de setembro as baleias começam a deixar a costa, mas ainda é possível encontrá-las até a segunda semana de outubro.

A praia local, porém, não encanta os banhistas - um dos motivos é o fundo de lama, que deixa deixa a água escura. A atração é mais interessante para quem vai até a região para observar aves. As condições geográficas e o isolamento deste pedaço do litoral criou boas condições para um dos maiores endemismos de aves do mundo. Cerca de 25% das espécies são encontradas somente lá. Com o regime de marés do Pacifico, que recua até nove metros ao longo do dia, são formadas pequenas piscininhas na orla, aprisionando peixes e frutos do mar, que servem de banquete para aves. As matas da região também recebem um grande número de aves migratórias anualmente. Em outubro, diversas espécies, entre gaivotas e andorinhas, migram para o hemisfério sul fugindo do frio do inverno dos EUA e Canadá, ficando até abril.

Os praticantes de mergulho também podem se esbaldar com toda a biodiversidade sob a água. Muitas pedras submersas, arrecifes de corais e navios afundados escondem uma imensidade de raias, moreias, gigantescos meros e muitos outros peixes. As lanchas partem de Bahia Solano até diversos pontos da costa, incluindo o Parque Utría.

Quem está mais interessado em aproveitar o dia na praia pode optar por um dos resort em localidades próximas, como Playa Huina, Playa Potes e Playa de la Paridera, com conforto, águas claras e natureza exuberante. Outra opção é se dirigir para El Valle, situado a cerca de 20 km de Bahia Solano. Apesar de ser um povoado ainda menor, tem a grande vantagem de ficar perto da bela praia de El Almejal. Nela, grandes pedras dividem espaço com milhares de caranguejos vermelhos e pequenas lagoas criadas pelo recuo da maré, contando com a densa floresta de pano de fundo, um mar de águas claras e ondas que encantam os surfistas. Alguns hotéis estão espalhados pela praia, com restaurantes e chalés privados.

Para quem segue mais o estilo mochileiro, a dica é procurar pelo único albergue da região, La Tortuga Jorobada, com preços mais acessíveis. Basta buscar pelo hotel do “gringo” ou do Taylor por El Valle que qualquer um na simpática população local saberá indicar a direção para chegar ao agradável lugar. O estabelecimento é todo construído com materiais encontrados na região e aposta em conceitos ecologicamente corretos, como uso de banheiro seco, horta orgânica e destinação correta do lixo.

Com guias locais, os turistas podem fazer caminhadas para dentro da selva, aprender pesca artesanal e visitar cachoeiras e rios de águas cristalinas. Mas dentre todas as opções, é altamente recomendável (para quem conta com o orçamento necessário) reservar um dia (ou mais) para o Parque Nacional Natural Utría. Após uma trilha de três horas com guia ou de uma viagem de lancha (que custa cerca de 60 mil pesos colombianos ou R$ 72), chega-se a mais de 54 mil hectares de vegetação protegida, com belas praias e cachoeiras.

O preço de entrada no parque é de 37.500 pesos colombianos (cerca de R$ 45), o que dá direito a uma visita a enseada de Utría, local bastante procurado pelas baleias durante a temporada, e ao grande manguezal do parque, frequentado por peixes e arraias que utilizam as raízes submersas para procriação. O passeio de um dia também inclui a bela Playa Branca, uma ilhazinha dentro dos limites do parque onde uma máscara de mergulho te leva a um mundo de cores e vida subaquática, com peixes como moreias, meros e peixes-balão bem perto da praia.

O parque também conta com hotéis, que funcionam no esquema all-inclusive (exceto bebida alcoólica). Apesar de serem menos econômicas (200 mil pesos ou R$ 240), as hospedagens oferecem a oportunidade de desfrutar o parque intensamente. Lá é possível fazer passeios de caiaque pelos manguezais, caminhadas pela selva até cachoeiras, observar todo o tipo de vida presente na selva e em cada cantinho dos arrecifes de corais, além de ter a sensação de que toda a imensidão daquele paraíso é só sua. 
  
Como chegar

Barcos partem quase que diariamente da maior cidade portuária do país, Buenaventura, no Vale do Cauca, em uma viagem de cerca de 24 horas pela costa do oceano Pacífico. A opção mais prática é utilizar algum dos voos de duas companhias aéreas colombianas que partem de Medellín ou Quibdo, capital de Chocó, localizada no interior do departamento, até Bahia Solano ou Nuquí, outra pequena cidade da região que divide a recepção dos turistas. 

http://viagem.uol.com.br/album/guia/2014/08/18/bahia-solano-na-costa-do-pacifico-colombiano.htm?abrefoto=20

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