Viagem

Roteiros culturais

De igrejas ao cadáver de Lênin, Moscou tem passeios gratuitos fascinantes

Marcel Vincenti

Colaboração para o UOL, de Moscou

11/11/2016 12h36

Moscou já foi uma das cidades mais caras do mundo para turistas. Há alguns anos, porém, desde que o rublo se desvalorizou, a capital russa está bem mais acessível a viajantes sem muito dinheiro no bolso. E melhor ainda: além de suas tradicionais atrações que cobram ingresso (como o Kremlin e o Teatro Bolshoi), a cidade oferece passeios fascinantes que não custam nada.

São parques, praças históricas, edifícios da era socialista, igrejas ortodoxas e até um mausoléu que abriga o corpo do principal nome da era soviética: Vladimir Lênin. Todos com entrada gratuita e capazes de fascinar o viajante brasileiro.

Para ir até eles, é só tomar o metrô moscovita, que chega aos principais cartões-postais da metrópole e irá gerar um custo pequeno para o orçamento do turista. 

Abaixo, veja sete lugares fantásticos que não cobram entrada em Moscou (e saiba quais são as estações de metrô mais próximas).

Praça Vermelha

Alexander Zemlianichenko/AP
Imagem: Alexander Zemlianichenko/AP

Caminhar pela Praça Vermelha, o principal cartão-postal de Moscou, é uma atividade gratuita. Este espaço de 400 metros de comprimento por 150 metros de largura no coração da capital russa está cercado por lindos monumentos históricos, como a Catedral de São Basílio, a murada do Kremlin e o luxuoso shopping center GUM. Entre na Praça Vermelha através do Portão da Ressurreição (do lado oposto ao rio Moscou) e você terá todos esses edifícios no seu campo de visão, formando uma das paisagens mais famosas do mundo. E vale a pena visitar a área tanto de dia (ideal para tirar fotos) como à noite (quando o local fica com uma atmosfera extremamente romântica). A praça está aberta 24 horas. É preciso pagar ingresso para entrar no Kremlin e na Catedral de São Basílio. Estação de metrô mais próxima: Ploshchad Revolyutsii.

Mausoléu de Vladimir Lênin

Sergei Karpukhin/AP
Imagem: Sergei Karpukhin/AP

Quer chegar bem perto de uma das figuras políticas mais importantes do século 20? Na própria Praça Vermelha, reserve um tempo para entrar no mausoléu de Vladimir Lênin, o primeiro líder da União Soviética e que morreu em 1924. O corpo dele está embalsamado e à mostra neste local, protegido por uma redoma de vidro e guardado por homens armados do governo russo. A entrada no local é gratuita, mas, infelizmente, os visitantes podem ficar pouco tempo dentro do mausoléu (mas é o suficiente para se impressionar com a figura imóvel do revolucionário bolchevique). Ao sair de lá, é possível ver, ao lado do muro do Kremlin, os túmulos de outros líderes da União Soviética, como Leonid Brejnev e o famigerado Josef Stálin. O mausoléu abre para o público das terças às quintas e aos fins de semana, das 10h às 13h. Estação de metrô mais próxima: Ploshchad Revolyutsii.

Catedral de Cristo, o Salvador

Alvesgaspar/Creative Commons
Imagem: Alvesgaspar/Creative Commons

Caso você não queira pagar para entrar na Catedral de São Basílio, mas esteja com vontade de conhecer o interior de alguma igreja ortodoxa russa, vá andando do Kremlin até a Catedral de Cristo, o Salvador. Menos de dois quilômetros separam os dois monumentos, e a caminhada pode ser feita pelas margens do rio Moscou. A catedral é um dos monumentos mais grandiosos da capital russa e tem uma história interessante: um templo cristão ortodoxo foi erguido neste mesmo local no século 19, para comemorar a vitória do Império Russo contra as tropas de Napoleão Bonaparte. Durante os tempos ateus da União Soviética, Stálin mandou destruir a igreja e, no local, o sucessor Nikita Kruschev montou uma enorme piscina pública ao ar livre. O edifício que vemos hoje foi erguido em 1997, alguns anos depois da queda da URSS: sua estrutura tem mais de 100 metros de altura e, em seu interior, o turista pode admirar lindos ícones de Jesus e da Virgem Maria. Aberta diariamente das 10h às 17h30. Estação de metrô mais próxima: Kropotkinskaya.  

Parque Gorki

Akkt/Creative Commons
Imagem: Akkt/Creative Commons

Batizado em homenagem ao famoso e genial escritor Máximo Gorki (1868-1936), este parque é uma das áreas verdes públicas mais lindas de Moscou. Além de amplas paisagens arborizadas (que oferecem uma pausa necessária ao ritmo frenético da capital russa), o local tem espaços para a prática de ioga, zonas de meditação, agradáveis cafés e fotogênicas vistas para o rio Moscou. No inverno, é possível se divertir por aqui em pistas de patinação no gelo. Já no verão, o parque Gorki é talvez um dos melhores lugares da capital russa para pegar um sol. O local fica aberto 24 horas por dia. Estação de metrô mais próxima: Park Kulturi. 

Art Muzeon

Dino/Creative Commons
Imagem: Dino/Creative Commons

Perto do Parque Gorki, o Art Muzeon é um espaço ao ar livre (e de entrada gratuita) que abriga estátuas de símbolos e líderes socialistas que adornavam as ruas de Moscou durante a União Soviética – além de obras contemporâneas feitas por diversos artistas russos. Há mais de 700 esculturas em exposição no local, coberto por uma paisagem amplamente arborizada e, na primavera, belos jardins floridos. Quer ver bustos monumentais de Marx e Lênin no seu tour moscovita e sentir que você voltou no tempo? É ao Art Muzeon que você deve ir. De lá é também possível admirar a ponte Krymsky, um das mais icônicas estruturas que cruzam o rio Moscou. O local fica aberto todos os dias das 8h às 23h. Estação de metrô mais próxima: Park Kultury.

VDNKh

Dmitri Ivanov/Creative Commons
Imagem: Dmitri Ivanov/Creative Commons

Caso você queira continuar no clima soviético após visitar o Art Muzeon, não deixe de ir até o VDNKh – siglas que, traduzindo do russo, significam Exibição das Conquistas da Economia Nacional. Trata-se de uma área que abriga uma série de edifícios opulentos erguidos nos anos 1930, cada um representando uma república soviética. Essas construções são separadas por enormes alamedas, fontes e gramados, espaços nos quais o turista também pode admirar monumentos em homenagem à revolução bolchevique e até antigos foguetes – tudo inicialmente feito para mostrar a prosperidade da URSS (e que, assim como o Art Muzeon, faz o forasteiro sentir que está voltando no tempo – ou visitando uma Disneylândia vermelha). Aberto diariamente das 9h às 23h. Estação de metrô mais próxima: VDNKh. 

Mercado Izmaylovo

Deror Avi/Creative Commons
Imagem: Deror Avi/Creative Commons

Funcionando em uma área que foi um polo turístico durante a União Soviética, o Mercado Izmaylovo é um dos centros comerciais de rua mais legais de Moscou. No local, são vendidos alguns dos mais interessantes suvenires da Rússia, como miniaturas do Kremlin, réplicas de ovos Fabergé, roupas de camponeses russos, relíquias soviéticas e, logicamente, as bonequinhas russas conhecidas como matrioscas (na foto). Mesmo que você não queira comprar nada, o passeio vale a pena: será uma diversão observar as tendas coloridas e ver nativos e turistas negociando com os vendedores da área. Aberto diariamente das 10h às 20h. Estação de metrô mais próxima: Partizanskaya.

SERVIÇO

Brasileiros estão entre as poucas nacionalidades que não precisam de visto para entrar na Rússia. O carimbo de ingresso é dado facilmente nos aeroportos de Moscou e São Petersburgo (é importante, porém, que você esteja com sua reserva de hospedagem e sua passagem de volta impressas: os oficiais de imigração podem pedir para vê-las. O tempo máximo de estadia na Rússia é de 90 dias para cada entrada no país).

Como indicado no texto acima, use o metrô para se locomover entre os pontos turísticos gratuitos de Moscou. Além de se movimentar com mais agilidade, você poderá admirar as fantásticas estações metroviárias da capital russa, que estão entre as mais lindas do mundo. Para isso, vale a pena comprar o bilhete de 20 viagens, que custa 650 rublos (cerca de R$ 35, na cotação 11 de novembro de 2016) e permite que o viajante entre e saia do metrô pagando menos do que se comprasse bilhetes individuais para cada jornada. 

Como todos sabem, o frio na Rússia chega a níveis extremos. Caso você não goste de neve e temperaturas abaixo de zero, tente não viajar pra lá entre novembro e março. A melhor época para explorar o país é entre maio e julho, quando o clima tende a estar mais ameno. 

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