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Em cidade do "pai" do masoquismo, bar erótico chicoteia e algema clientes

Marcel Vincenti

Colaboração para o UOL, de Lviv (Ucrânia)

09/09/2016 09h46

A entrada do bar é um enorme buraco de fechadura e, ao atravessá-lo, o turista já recebe um "presente" de boas-vindas: uma chicotada nas nádegas desferida por uma sensual garçonete usando um vestido que lhe realça os seios. 

Após o susto causado pelo golpe inesperado, vem a surpresa com a decoração do lugar: um ambiente cavernoso pintado parcialmente de vermelho e com paredes que sustentam imagens, à primeira vista, contrastantes: quadros em preto e branco com retratos de um senhor de aparência aristocrática ao lado de fotos de mulheres nuas e pênis feitos de gesso. No meio de tudo isso, correntes e algemas surgem sobre os sofás e no teto.

Enquanto o visitante se deslumbra com todo o cenário, leva mais uma chicotada na bunda. 

Marcel Vincenti/UOL
Cliente é chicoteada por garçonete do Masoch-Cafe. O "serviço" é gratuito Imagem: Marcel Vincenti/UOL

A aparência e experiência únicas deste lugar não são ao acaso: estamos na cidade de Lviv, local em que, em 1836, nasceu o escritor Leopold Ritter von Sacher-Masoch, autor de um livro chamado "A Vênus das Peles" (concluído em 1870) e que tem um personagem curioso: Severin, um homem que gostava de ser açoitado e humilhado por sua amada.

Anos mais tarde, Masoch e sua obra inspirariam o psiquiatra alemão Richard von Krafft-Ebing a cunhar o termo masoquismo, para descrever o comportamento de pessoas que sentiam prazer ao sentir dor (principalmente relacionada ao sexo).

Hoje, o Masoch-Cafe é uma espécie de homenagem a Sacher-Masoch, além de ser uma das atrações mais interessantes de Lviv, cidade que atualmente faz parte da Ucrânia. 

E não se trata de um lugar que atrai apenas masoquistas. A maioria dos frequentadores são turistas e nativos que não gostam de apanhar, mas que estão atrás de uma balada inusitada. "É um lugar engraçado para ver pessoas pedindo para serem açoitadas", diz a ucraniana Lesia Dzinkunska, de 26 anos e moradora de Lviv. "E aqui eles também têm ótimos coquetéis, alguns com nomes interessantes e eróticos [leia mais sobre isso abaixo]". 

Divulgação/Café Masoch
Retratos de Leopold Ritter von Sacher-Masoch adornam o Masoch-Cafe Imagem: Divulgação/Café Masoch

Além das chicotadas súbitas dadas pelas garçonetes (geralmente indolores), os clientes podem se submeter a pequenas situações de humilhação e tortura no meio do bar: isso inclui ser algemado às cadeiras com alguma violência e se inclinar sobre as mesas para, aí sim, levar fortíssimas chicotadas nas nádegas e nas costas (tudo sob o olhar sério do sr. Masoch, o homem que aparece nos retratos em preto e branco espalhados pela casa).   

Os gritos de dor, seguidos das risadas dos amigos do torturado que se reúnem em volta para filmar tudo, interrompem a cada instante as conversas dos casais que estão ali apenas para curtir o ambiente exótico e tomar alguns coquetéis.

"Foi um momento diferente da minha viagem", diz o alemão Klaus Weigand, de 28 anos, que visitou Lviv e resolveu ser chicoteado para valer no Masoch-Cafe. "É algo que eu nunca tive prazer em fazer, mas, aqui, após algumas doses de vodca, virou algo divertido".    

"Porn food"

O menu do Masoch-Cafe segue o mesmo perfil do resto do bar. Em oferta, há drinques com nomes como "Sexo Oral" (feito com gim e grenadina e vendido por cerca de R$ 17, na conversão da hryvnia, a moeda local) e o não-alcoólico "Sonho Erótico" (que mistura sucos de limão, pêssego e abacaxi e custa aproximadamente R$ 6).

O menu também tem uma seção chamada "Orgasmos", onde é possível encontrar algumas opções da mais pura "porn food": uma das mais populares delas é uma sobremesa que traz uma banana, duas bolas de sorvete de creme e chantilly (custa um pouco mais de R$ 7*).

Divulgação/Café Masoch
O menu do Masoch-Cafe tem legítimas opções de "porn food" Imagem: Divulgação/Café Masoch

E, para completar, uma televisão no topo de uma das paredes mostra uma sequência de imagens curiosas: cenas quentes de filmes eróticos (mas sem sexo explícito) intercaladas com sessões do Parlamento ucraniano, nas quais se amontoam os engravatados que fazem as leis do país sobre suas cadeiras de couro (e que hoje são muito criticados na Ucrânia por, vejam só, práticas de corrupção).

"Essa é uma mensagem para todos nós: cenas de sexo dão menos vergonha do que a atuação dos nossos políticos", diz a jovem Lesia. 

SERVIÇO   
O Masoch-Cafe fica no número 7 da rua Serbska, ao lado da praça Rynok e no coração do centro histórico de Lviv. O bar costuma ficar aberto diariamente entre as 16h e as 4h da manhã (uma vantagem, pois a maioria dos bares locais fecha por volta das 23h). 

Lviv, por sua vez, é um destino fácil de ser visitado em uma viagem pelo Leste Europeu. A cidade está a aproximadamente 540 km da capital ucraniana de Kiev e a cerca de 330 km da cidade polonesa de Cracóvia (ambas as rotas facilmente percorridas de transporte público).

Brasileiros não precisam de visto para entrar na Ucrânia e, atualmente, a ex-república soviética está bem barata: com R$ 50, é possível ter um bom jantar com vinho por lá. Só tome cuidado para não exagerar na vodca no Masoch-Cafe (doses a R$ 5) e terminar pelado e açoitado sobre uma das mesas do bar.   

Para saber sobre boas opções de hospedagem em Lviv, acesse: www.booking.com

Mais informações sobre o Mascoh-Cafe: www.fest.lviv.ua/en/restaurants/masochcafe/

*Os preços citados nesta reportagem estão sujeitos a alteração. 

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