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Roteiros culturais

Museu dinamarquês tem mirante que coloca turista "dentro" de um arco-íris

Rafael Mosna

Colaboração para o UOL, de Aarhus (Dinamarca)*

06/09/2016 19h58

Um lugar onde é possível andar dentro de um arco-íris, ver uma estátua gigante hiperrealista de uma criança e ainda fazer uma volta ao passado, entre outras experiências culturais. Esta é Aarhus, distante 187km da capital Copenhague e considerada a segunda maior cidade da Dinamarca, com aproximadamente 330 mil habitantes.

Com um estilo jovem e universitário, ela é conhecida por sua vida cultural agitada e também por ter ficado em segundo lugar no ranking dos dez melhores destinos europeus para se conhecer em 2016, publicado pelo famoso guia de viagens “Lonely Planet”, atrás apenas de Peloponeso, na Grécia, e à frente de Veneza, na Itália.

Ao chegar na cidade, o museu ARos, por exemplo, não deve ficar de fora em uma visita. Lá, o “Your rainbow panorama” é uma das instalações permanentes do local. Finalizada em 2011, se transformou em um dos cartões-postais dinamarqueses.

Criada pelo artista islandês/dinamarquês Olafur Eliasson, trata-se de um grande tubo circular de 150m de comprimento por 3m de largura, no último andar do edifício. De vidro, suas cores se alteram ao longo do caminho, inspirado nos tons do arco-íris e oferecendo uma vista panorâmica de toda a região.

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Visitante passeia na instalação "Your rainbow panorama" Imagem: Rafael Mosna/UOL

Outra peça contemporânea que ganha a atenção e cliques dos visitantes é a grande escultura de um menino feita pelo australiano Ron Mueck, artista que levou mais de 400 mil pessoas a sua exposição em São Paulo, em 2015. A obra no museu dinamarquês tem 4,5m de altura e pesa 500kg e é hiperrealista: é possível observar os detalhes e nuances da pele, inclusive as veias, como se fosse uma pessoa real.

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Na escultura é possível observar detalhes e nuances da pele Imagem: Rafael Mosna/UOL

De volta ao passado
A cerca de 10km ao sul do centro de Aarhus, o museu de Moesgård mostra a evolução do homem desde a idade do bronze, em 1700 a.C., até os vikings, a partir de 800 a.C ao ano 1060, um prato cheio para os vidrados no tema. Seu edifício foi erguido em meio ao bosque local e próximo ao mar. No verão, seu teto inclinado é amplamente utilizado como uma área para piqueniques.

Já o Den Gamle By é um museu a céu aberto. Basicamente, uma pequena cidade com ruas, casas e lojas, mostrando a vida na Dinamarca tal qual no passado. As regiões são divididas nos anos 1700/1800, 1927 e 1974. Lá, é possível comprar e experimentar um bolo ao estilo “de 1885”.

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Museu mostra vida na Dinamarca tal qual nos anos 1700/1800, 1927 e 1974 Imagem: Rafael Mosna/UOL

Em expansão
O bairro Aarhus Leste está a apenas 25 minutos de caminhada (ou sete minutos em bicicleta) da estação central e é considerado uma nova área pela população local. Antigo porto de contêineres, ele vem se transformando em um local cada vez mais cheio de vida.

O trabalho mais icônico desse novo espaço é, sem dúvida, o complexo residencial Iceberg, construído em formas pontiagudas, com coberturas em um vaivém em sobe e desce. Todo branco, com detalhes em azul, traz um visual semelhante a uma grande pedra de gelo, com seus blocos cortados por linhas irregulares.

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O edifício, com suas coberturas pontiagudas, se assemelha a um iceberg Imagem: Rafael Mosna/UOL

O conceito buscou potencializar a luz do sol e a vista para a baía da cidade em todos os apartamentos (são 208 no total). Ao lado, há uma horta comunitária, com galinheiro e apiário, onde é possível emprestar uma minichurrasqueira para matar o tempo e a fome por ali mesmo, nas redondezas.

Aarhus abriga vários prédios de arquitetura contemporânea, alguns deles inteiramente projetados para utilização de energia ecológica. À beira-mar, uma torre de observação aberta ao público também foge do convencional. Com duas plataformas, a primeira avança 7,5 metros sobre o cais e a segunda, no topo, oferece vista de 360 graus da cidade.

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Sino toca quando alguma criança nasce Imagem: Rafael Mosna/UOL

Fora dali, próximo ao centro, o novo DOKK1, aberto em 2015, é uma mistura de biblioteca pública, escritórios, atendimento aos habitantes e centro cultural.

Com grandes janelas de vidros e vista para o porto, oferece salas que podem ser “emprestadas” por qualquer cidadão, seja para uma reunião ou um trabalho escolar, por exemplo.

Há desde playgrounds para crianças a intervenções artísticas, uma delas chamada The Gong, um grande sino tubular conectado ao hospital da cidade.

Sempre que uma criança nasce, a mãe tem a opção de acionar um alarme que faz com que o som do sino reverbere por todo o complexo.

Capital da cultura
Aarhus e a região da Jutlândia Central, onde a cidade está situada, preparam-se para receber uma grande leva de turistas, já que foi eleita a próxima Capital Europeia da Cultura. A frase “Nos vemos em 2017” está espalhada por panfletos e pelas ruas da cidade, com um evento de abertura marcado para 21 de janeiro.

Dentre a programação especial estão as esculturas de 12m feitas em concreto, que flutuarão pelas águas da região. Os três barcos são de autoria da artista norueguesa Marit Benthe Norheim. O espetáculo “Watermusic” também é aguardado e reunirá artistas, coral, esquiadores aquáticos e mergulhadores em um show sobre as águas. Veja a programação completa clicando aqui.

Como chegar
Desde 2001, brasileiros são isentos de visto para entrar na Dinamarca. A maneira mais conveniente para chegar em Aarhus vindo de Copenhague -- apesar de não ser a mais barata -- é utilizando o hidroavião que liga as duas regiões centrais da cidade. O trajeto é feito em 50 minutos e custa 1.800 coroas dinamarquesas (R$ 872**) por trecho.

Há também a opção de avião convencional entre o aeroporto de Copenhague e o de Aarhus, que fica a cerca de 50 minutos da região central. A passagem custa a partir de R$ 300** o trecho. A Ryanair tem voo direto do aeroporto de Stansted, em Londres, com trechos a partir de R$ 74**. Já a viagem de ônibus entre Copenhague e Aarhus demora entre três e quatro horas e custa a partir de 100 coras (cerca de R$ 50**).

* O jornalista viajou com o apoio do Visit Denmark.
** Preços pesquisados em junho de 2016. Valores convertidos em 06/09/2016.

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