Roteiros em família

Trabalho por trás da diversão: conheça os bastidores de um parque aquático

Vivian Ortiz

Do UOL, em Fortaleza (CE)*

Quem frequenta parques aquáticos não imagina a engrenagem necessária para fazer com que tudo funcione perfeitamente. Será que a água da piscina costuma ser trocada? Os brinquedos são realmente seguros? E se alguma coisa nojenta for parar na água?

Para descobrir as respostas, o UOL foi até o Beach Park, localizado em Aquiraz (CE) e considerado o parque aquático mais bem avaliado da América Latina pelo "Travalers' Choice Parques de Diversões e Aquáticos", prêmio concedido pelo site TripAdvisor. Confira!

Piscina sempre cheia

Divulgação
Imagem: Divulgação

“As pessoas imaginam que secamos as piscinas uma vez por mês para trocar a água, mas isso não é o que acontece”, explica o gerente operacional Saulo Almeida de Carvalho. Na verdade, segundo ele, cada piscina conta com a sua própria estação de tratamento e as águas são filtradas -e não trocadas- diariamente por aproximadamente nove horas.

“De modo geral, os parques costumam colocar 1 ppm (partes por milhão) de cloro para tratar a água, pois as bactérias não resistem. Nós, porém, trabalhamos com uma média de 3ppm, pois, com a demanda de visitantes e o sol, acaba existindo uma reposição muito grande de água e, consequentemente, precisamos manter o nível de cloro", conta.

Arrumando a casa

Vivian Ortiz/UOL
Imagem: Vivian Ortiz/UOL

Pode acontecer do visitante chegar e notar que seu brinquedo favorito está fechado para manutenções programadas (foto). Geralmente, elas são realizadas quando o parque está fechado, mas, muitas vezes, é necessário resolver algo durante o horário de funcionamento.

Se a correção for na parte estrutural, pode ser feita sem paralisar o brinquedo - são montados andaimes do lado de fora da atração, evitando comprometer a segurança dos visitantes. “Mas se a manutenção for na parte interna, programamos a parada durante o funcionamento do parque", explica Carvalho. 

Qualidade da água

Vivian Ortiz/UOL
Imagem: Vivian Ortiz/UOL

O Beach Park conta com um laboratório localizado dentro do parque onde são coletadas amostras de água das piscinas quatro vezes ao dia, para checar se o líquido está dentro dos parâmetros de qualidade. Antes, esse serviço era terceirizado e o laudo demorava uma semana. 

"Hoje, o resultado sai no dia seguinte, o que ajuda a resolver qualquer problema o mais rápido possível”, diz Israel Berreras, químico responsável pela operação. “Essa análise é importante porque estamos em uma região de muitas folhas, que quando caem na piscina liberam uma substância que diminui o teor de cloro”.

Sempre de fralda

Vivian Ortiz/UOL
Imagem: Vivian Ortiz/UOL

Uma situação nojenta, mas que é possível acontecer, é alguém fazer cocô na água, principalmente crianças - que, inclusive, não podem andar sem fralda no local. Mas, mesmo assim, incidentes acontecem. Antigamente, o procedimento usado para resolver o problema era simplesmente retirar o "objeto estranho" com uma peneira. “Como temos a medida ideal de cloro, a bactéria morria na mesma hora”, conta Carvalho. No entanto, muita gente tinha a impressão de que isso não era o suficiente. 

Hoje, quando isso acontece, os visitantes são retirados da piscina. Com o local isolado, os responsáveis chegam com uma roupa especial e colhem uma amostra, fazem uma análise e adicionam mais cloro na água na frente das pessoas. “É uma maneira de mostrar que nos preocupamos", conta. "Mas não há o que temer”.

Denúncia incômoda

Marcel Vincenti/UOL
Imagem: Marcel Vincenti/UOL

E o xixi? O parque não usa qualquer tipo de produto que possa dedurar quem urinou na água. “Estaríamos constrangendo nosso cliente. Imagina se a piscina ficasse roxa cada vez que isso acontecesse? Até porque existem crianças e idosos que fazem isso, é involuntário”, explica o gerente operacional. O parque prefere focar no uso do cloro, para que isso não cause problemas aos visitantes.

Tô me afogando, só que não

Vivian Ortiz/UOL
Imagem: Vivian Ortiz/UOL

O parque cearense possui 68 salva-vidas e 48 instrutores, que são aquelas pessoas que avisam sobre os procedimentos de segurança do brinquedo, incluindo a forma correta de sentar para não se machucar. Carvalho garante que sua equipe nunca precisou fazer um grande resgate no local. O que costuma acontecer, segundo ele, são intervenções.

O brinquedo Hupa&Hopa, por exemplo, possui toboáguas que levam os visitantes até uma piscina de 2,3m de profundidade. Muita gente sabe nadar, mas se surpreende por não dar pé na hora que cai na água e perde a noção, não conseguindo vir a tona por um instante. É aí que entra o trabalho do salva-vidas.

No geral, são cerca de 150 a 200 intervenções por mês. Carvalho conta que os brinquedos são seguros, mas cada um tem a sua posição de descida. "O que pode acontecer é a pessoa se machucar ao abrir o braço na hora errada, por exemplo", diz. "Por isso é importante sempre seguir as instruções."

Fama de mau

Vivian Ortiz/UOL
Imagem: Vivian Ortiz/UOL

A maior reclamação dos visitantes do parque, acredite se quiser, é que os salva-vidas são antipáticos. Apesar das placas explicativas pelo local, muitas pessoas tentar conversar com os profissionais, mas eles são orientados a falar apenas o necessário com o visitante.

“Se ele parar para informar sobre o brinquedo ou as horas, isso pode tirar a atenção da piscina e deixar alguém desprotegido”, diz Carvalho. “É como um motorista de ônibus: não pode ficar conversando, senão perde a atenção”, completa. 

Sem fila

João Melo/Beach Park
Imagem: João Melo/Beach Park

Outra sugestão comum dos visitantes é pedir á administração para colocar uma escada rolante que os ajude a chegar com menos esforço ao topo dos brinquedos, já que são muitos lances de escada até o início dos tobogãs. O que muitos não sabem é que os degraus estão lá por uma questão de fluxo, pois, sem isso, a fila aumentaria e muito.

Ou seja, enquanto a pessoa A ainda está subindo, a pessoa B deixa o brinquedo. Se todos subissem de uma vez só pela escada rolante, demoraria horas até que todos conseguissem aproveitar a atração.

Centro de comando

Vivian Ortiz/UOL
Imagem: Vivian Ortiz/UOL

O espaço em que trabalham os responsáveis pela supervisão do parque funciona bem próximo à entrada. Ali fica um grande mapa das instalações, onde os funcionários anotam as medidas que deverão tomar caso aconteça algum problema.

Tudo é setorizado: um empregado fica responsável pela bilheteria e armários. Outros três cuidam da administração dos brinquedos, da fotografia e assim por diante.

Check-list

Reprodução/Today.com
Imagem: Reprodução/Today.com

O Beach Park possui um sistema de manutenção alimentado pelos funcionários, uma espécie de "prontuário médico". "Trata-se de um histórico de todos os brinquedos, que mostra por quantas manutenções já passaram ou o número de vezes que foi trocado determinado parafuso de um equipamento, entre outras informações essenciais”, conta Carvalho

Um empregado determinado para a tarefa vai até a atração com uma lista de itens para checar. Alguns são avaliados todos os dias, outros mensalmente ou mesmo a cada semestre. A parte interna dos toboáguas, por exemplo, faz parte da verificação diária.

24 horas

Vivian Ortiz/UOL
Imagem: Vivian Ortiz/UOL

O maior atrativo da região onde fica o Beach Park é o mar. No entanto, esse também é o seu grande problema: tudo culpa da maresia, que causa um desgaste muito mais rápido nos mais de 160 equipamentos instalados no local.

Segundo Carvalho, nenhum computador dura muito por ali, pois como ficam úmidos, o processo de ligar e desligar leva a um curto-circuito. Quando o estrago acontece, é preciso substituir o aparelho por uma máquina nova. Por isso, os terminais permanecem ligados 24 horas por dia, incluindo aqueles que ajudam a organizar o acesso ao parque (foto). 

*A jornalista viajou a convite do Holiday inn Fortaleza - IHG

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