Viagem

Roteiros de luxo

Seychelles mistura praias incríveis e natureza exótica na costa africana

Felipe Floresti*

Colaboração para o UOL, de Seychelles

13/07/2016 19h06

Seychelles é longe. Não só para quem parte do Brasil, em jornadas que ultrapassam 24 horas entre avião e aeroporto, mas também de seus vizinhos. Afinal, está a mais de mil quilômetros da ilha de Madagascar ou da costa da Somália, no continente africano.

Como em Galápagos, tanto isolamento fez do arquipélago uma reunião de espécies que aparentam terem saído da imaginação de alguém, como um coqueiro com o maior fruto do mundo ou a tartaruga gigante que pode ser comparada a um filhote de um jabuti com um Fusca.

A excentricidade da ilha, porém, não chega logo de cara. O arquipélago vai se revelando aos poucos. Deixar o aeroporto traz uma familiaridade agradável. As sinuosas curvas que cortam Mahé - a principal das 115 ilhas que formam Seychelles - são envoltas por uma densa vegetação que remete à Mata Atlântica em seus melhores dias.

Mahé é 70% coberta por mata virgem. As casas por lá, das mais simples às mais luxuosas, estão em sua maioria intercaladas por densas florestas. A vontade é de nunca mais deixar a ilha, e olha que ainda nem chegamos às suas principais atrações: as praias. São mais de 60 espalhadas pela costa. 

Felipe Floresti/UOL
Praia Anse Source D'Argent, na ilha La Digue Imagem: Felipe Floresti/UOL

A mais popular, com a maior concentração de hotéis, bares e restaurantes, é Beau Vallon, a noroeste da ilha. Turistas e locais se encontram em sua areia clara e mar tranquilo, ideal para um mergulho. Mas basta pegar um ônibus comum (ao preço de 5 rúpias seichelenses**, cerca de R$ 1,30) em qualquer direção para, em no máximo 20 minutos, se deparar com pequenos exemplos do paraíso.

A maioria das praias possui apenas um hotel em sua margem, mantendo a vegetação. Não é difícil encontrá-las praticamente desertas. Entre as mais bonitas, destaque para a Anse Royale. Protegida por uma enseada, tem água tranquila e de transparência surpreendente. Principalmente durante a maré baixa, é possível caminhar por centenas de metros dentro d'água, chegando às pequenas ilhas que compõem o cenário do local.

Quando você pensar que já encontrou a praia mais bonita que já viu na vida, chega a hora de deixar Mahé e partir para as outras ilhas. Dezesseis das pequenas ilhas do país são voltadas ao turismo - e em 12 delas há apenas um único hotel e mais nada. Tanta exclusividade, é claro, tem seu preço. Não por acaso é destino de milionários, como o casal real britânico, William e Kate, que escolheram o destino para a lua de mel.

Se você não está na mesma categoria da realeza, também existem outros roteiros no arquipélago. É verdade que as opções de voos, transporte (exceto pelo ônibus), hospedagem e restaurante são caras e exigem uma bela reserva financeiro, mas você pode concentrar o passeio em outras duas das maiores ilhas de país.

Praslin, a segunda maior, possui somente 37km² de área. Já na chegada, a primeira surpresa está no porto onde chegam os barcos de Mahé. Olhar para o mar sob as docas é como estar em um aquário: são milhares de coloridos peixes à espera de qualquer comida que seja jogada pelos turistas. 

Felipe Floresti/UOL
Anse Royale é protegida por uma baía, com água tranquila e transparente Imagem: Felipe Floresti/UOL

Perto dali fica a atração mais famosa de Praslin e, por incrível que pareça, não é uma praia. É a bela e curiosa reserva natural Vallé de Mai, considerada Patrimônio da Humanidade pela Unesco: uma floresta de palmeiras que permanece praticamente inalterada desde os tempos pré-históricos. Mas o que garante a popularidade do lugar são os frutos de única espécie de palmeira endêmica. O coco-de-mer é considerada a maior semente do mundo. Ela ainda chama atenção por ter um contorno que lembra o de um quadril feminino. Para completar, a flor da árvore tem formato fálico.

Depois dessa exótica visita, nada como relaxar nas praias da ilha. No extremo norte de Praslin, Anse Lazio é a mais famosa. Figura constante em listas de praias mais bonitas do mundo, é realmente de tirar o fôlego. O azul-turquesa intenso do mar e a areia branca fazem um lindo constaste com grandes pedregulhos alaranjados de granito.

Na saída, ainda dá para conhecer os pesados moradores da região: as tartarugas gigantes. Endêmicas no país, são poucas as encontradas em ambiente natural. Elas são criadas em cativeiro e, apesar do tamanho, esbanjam simpatia, principalmente depois de um carinho no pescoço. Como se fossem gatos cascudos, esticam-se para receber mais afagos. 

Felipe Floresti/UOL
Endêmica de Seychelles, a tartaruga gigante só é encontrada em cativeiro Imagem: Felipe Floresti/UOL

Para finalizar o tour pelas ilhas, La Digue é a quarta maior de Seychelles. Apesar de encontrar alguns carros circulando pelo tranquilo vilarejo, é a bicicleta o principal meio de transporte. Afinal, são cerca de 40 minutos de pedalada para dar uma volta na ilha. São 150 rúpias** (cerca de R$ 38) por um dia de aluguel.

Entre todas as rotas, a mais concorrida leva à L'Union Estate, uma antiga plantação de baunilha e coco. Mas não é a fazenda que leva os turistas a pagarem 100 rúpias** (cerca de R$ 26) para acessar o local, nem o antigo cemitério dos primeiros colonizadores da ilha. É a Anse Source D'Argent, considerada pela revista National Geographic a praia mais fotografada do mundo.

Chegando lá dá para entender bem o motivo. Rochedos gigantescos se espalham pela areia, avançando mar adentro, formando diversas pequenas prainhas, sempre com os elementos que já viraram rotina entre as praias do país: a água cristalina azul-turquesa e a areia branca. A cada rochedo, a tentação de imortalizar o momento em um clique é praticamente irresistível. Quem quiser fugir da lotação pode rumar para outra das 20 praias da pequena ilha, sempre com o encanto garantido.

* O jornalista viajou a convite do Seychelles Tourism Board
** Preços consultados em julho de 2016 e sujeitos a alterações

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