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Ecoturismo

Na Islândia, turistas nadam entre placas tectônicas e entram em um vulcão

Rafael Mosna

Colboração para o UOL, em Reykjavik (Islândia)

29/01/2016 16h42

Reykjavik, a capital da Islândia, parece até uma cidade do interior, dessas com casas de tetos coloridos e pouquíssimos prédios. Seu parlamento fica em uma esquina, em uma residência de paredes brancas, sem muros e nenhum policiamento.

Também é um destino pra lá de excêntrico. Como exemplo, imagine a cena: durante a chamada noite cultural, realizada no mês de agosto, o prefeito da capital convida quem quer que esteja na cidade para tomar sorvete com waffle em sua própria casa. Sério.

No turismo, hotéis, albergues e agências trabalham juntos. Em qualquer um deles, dá para reservar os tours oferecidos nas proximidades. O ideal é guardar no mínimo um dia inteiro para conhecer outros três municípios da região, sempre mantendo Reykjavik como base.

O tradicional Golden Circle, que passa pelo parque nacional de Thingvellir, pelas cataratas de Gullfoss e pelo gêiser Strokkur no vale de Haukadalur, é um passeio considerado essencial. Se puder, alugue um carro para conhecer esse circuito fugindo da leva de turistas.

Placas tectônicas
Deixe para contratar uma agência em casos imprescindíveis, quando não for possível fazer o tour sem ela. É o caso do “snorkeling” (mergulho em que o praticante permanece na superfície da água) na Silfra (120 euros), uma fenda entre as placas tectônicas dos continentes americano e europeu. Localizada no Parque Nacional de Thingvellir, trata-se de um dos raros locais onde a água é tão translúcida e pura que a visibilidade através dela passa dos 100m de distância. A sensação é de estar boiando no ar, mas avistando pedras multicoloridas e algas ao fundo.

Rafael Mosna/UOL
Água cristaliníssima da Silfra, no parque nacional de Thingvellir Imagem: Rafael Mosna/UOL

Proveniente de uma geleira e filtrada por rochas de lava, essa água demora de 30 a 100 anos para chegar ao lago. Sua temperatura fica em torno de 2ºC a 4ºC durante todo o ano. Para driblar o efeito congelante, as empresas oferecem roupas especiais e impermeáveis que tornam o frio (quase) imperceptível. Rosto e lábios ficam expostos à água, mas depois de alguns minutos acostuma-se. 

No outro lado da moeda, a Blue Lagoon tem suas águas geotermais quentinhas e nada translúcidas. De tom leitoso azulado, elas perambulam por mais de dois mil metros solo abaixo, quentíssimas, até chegarem à superfície em uma temperatura entre 37ºC e 40ºC. Carregam minérios como a sílica, bons no quesito “cuidados da pele”.

O local é preparado com infraestrutura para receber turistas, oferecendo opções de tíquetes (a partir de 35 euros) que podem incluir empréstimo de toalha e roupão. Uma pulseira pessoal dá acesso a armários no vestiário e funciona como uma comanda para gastos.

Dentro de um vulcão
A área da Islândia tem menos de metade do tamanho do estado de São Paulo, com uma população total de cerca de 320 mil habitantes (São Paulo tem mais de 44 milhões).

Nesse diminuto país para os padrões brasileiros, há um total de aproximadamente 130 vulcões ativos e inativos. Lembra da erupção do impronunciável vulcão Eyjafjallajökull em abril de 2010, que causou caos aéreo por quase uma semana em boa parte da Europa?

Rafael Mosna/UOL
Elevador desce 120 metros a partir do topo do vulcão Thrihnukagigur Imagem: Rafael Mosna/UOL

Perto da capital, é possível conhecer o vulcão Thrihnukagigur (mais um nome difícil; "cratera de três picos", em tradução livre). O tour (a partir de 300 euros) começa com uma trilha de nível fácil até a base do monte (45 minutos). De lá, um elevador leva os turistas até o fundo do vulcão, uma descida de 120m.

É aí que começa a graça do passeio. O grupo permanece em silêncio, apenas interrompido por gotas d’água que caem sem parar. Cada um toma seu rumo, caminhando entre pedras multicoloridas, em tons amarelados e rosados, iluminadas por holofotes de luz.

Garantem os guias que. por lá, não existem motivos para se preocupar. Thrihnukagigur teve sua última atividade há quatro mil anos e permanece desde então dormindo, sem sinal de uma nova erupção num futuro próximo.

Tédio não
Reykjavik tem uma cena noturna movimentada, com bares abertos até as 5 horas da manhã nos fins de semana. A maioria se concentra no centro, e é fácil pular de um para o outro até encontrar o que vai bem com o humor da noite.

E não faltam cervejas de qualidade. Tente o Skúli e o Micro Bar, com variedades islandesas, e o dinamarquês Mikkeller & Friends, com bons rótulos internacionais servidos em chope.

Para se arriscar na culinária tradicional, que inclui carne fermentada de tubarão, carne defumada de carneiro, peixe seco e carnes de baleia e "puffin" (papagaio-do-mar), algumas opções são o 3 Frakkar, Kaffi Loki e Hereford.

Rafael Mosna/UOL
O bar Skúli tem variedades de cervejas islandesas servidas em chope Imagem: Rafael Mosna/UOL

Já se a ideia for conhecer a cena gastronômica contemporânea, o Reykjavik Food Tour (96 euros) dá conta do recado em poucas horas. Fundado e comandado por dois amigos que perceberam a inexistência de um passeio focado em comida na capital islandesa, a comilança passa por cerca de oito locais, com direito a petiscos, prato principal e uma boa dose de bebidas. Sem miséria.

Entre um ponto e outro, o guia aproveita para contar histórias e curiosidades sobre a arquitetura e a cidade como um todo. Durante o tour, a reportagem provou mexilhões da baía de Breiðafjörður, carré de carneiro (os islandeses têm orgulho de suas ovelhas e seus carneiros, que, dizem eles, têm a melhor carne do mundo), queijos locais, carne de cavalo e de ganso, entre outros quitutes.

Também passou por lojas de produtos orgânicos e supermercados, com dicas de produtos regionais e tradicionais. Não faltou a indicação de onde comprar a famosa carne fermentada de tubarão, mas seguida de uma ressalva. "O cheiro realmente é muito ruim. Se abrir esse pote agora, o mercado inteiro vai se infestar com o odor", avisou o guia -e ele não pareceu estar de brincadeira.

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