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Sem badalação, ilha caribenha de Santa Lúcia era refúgio de Amy Winehouse

Daniel Nunes Gonçalves

Colaboração para o UOL, de Santa Lúcia*

27/10/2015 18h15

Santa Lúcia, uma pouco conhecida ilha paradisíaca do Caribe, acaba de ganhar a atenção de quem assiste ao documentário "Amy", do diretor britânico Asif Kapadia, que estreou no Brasil no final de setembro.

Localizada a 3h40 de voo de Miami ou 40 minutos da ilha vizinha Barbados, esta pequena porção de terra do Caribe Oriental é retratada como o refúgio favorito de Amy Winehouse, polêmica cantora inglesa morta em 2011, aos 27 anos.

Era para lá que a autora de sucessos como "Rehab" e "Back to Black" gostava de viajar para fugir do assédio dos paparazzi e dos infortúnios da fama que tiravam seu sossego em sua Londres natal. Tanto que, em 2009, ela chegou a passar seis meses ali.

Distante das drogas pesadas da metrópole, Amy gostava de caminhar à beira do mar de mil tons de azul – do turquesa ao marinho, além de interagir com a população local (especialmente as crianças) e, claro, de fazer festa com seus amigos locais.

Reprodução/Youtube
Santa Lúcia era o refúgio favorito de Amy Winehouse, morta em 2011 aos 27 anos Imagem: Reprodução/Youtube

Ilha pacata
Santa Lúcia não tem o barulho, a poluição e a violência do continente e está fora do circuito badalado de ilhas do Caribe, que vai de Bahamas a Saint Barth, passando por Aruba e Bonaire. Oito em cada dez turistas são casais em lua de mel que buscam privacidade e romantismo nos resorts de luxo lá localizados.

Também desejada por mergulhadores e praticantes de snorkeling, a ilha se diferencia das vizinhas caribenhas por seu relevo acidentado. Entre suas belas montanhas destacam as Pitons – Gros Piton e Petit Piton, cartão-postal de tantas fotos ao pôr do sol e destino de caminhadas íngremes dos mais aventureiros.

Há sequências radicais de tirolesa, cachoeiras de água morna aquecidas pelo solo vulcânico e belos caminhos para pedaladas – às vezes, entre ruínas seculares dos tempos da colônia. Ingleses e franceses se alternaram no domínio da ilha 14 vezes entre os anos de 1650 e 1814, o que deixou marcas culturais evidentes, tais como a mão inglesa no trânsito e a língua crioula, tão falada quanto o inglês.

Tamanho é o foco na natureza que vários hotéis da área mais nobre da ilha, no entorno da vila de pescadores de Soufriere, abriram mão da quarta parede. Com isso, seja da cama (sempre com bons mosquiteiros) ou da banheira, o hóspede sempre sente a brisa do mar e pode ver a paisagem das Pitons e do mar azul.

Divulgação/Hotel JadeMountain
Uma das tendências da hotelaria de Santa Lúcia é o quarto sem a quarta parede Imagem: Divulgação/Hotel JadeMountain

Tentações
Não deve ter sido fácil para Amy Winehouse, que sofria de dependência química e bulimia, resistir às tentações de Santa Lúcia. É comum os nativos se reunirem para comer peixe à beira-mar nas noites de sexta e sábado. A produção de cacau e de chocolate é de primeira linha, e a fartura de banana transformou em souvenir o ketchup e o molho barbecue feitos a base da fruta.

Também é impossível dizer não ao rum, uma saborosa tradição caribenha. Tanto que Amy deu vexames notórios ao circular alcoolizada pelas praias – às vezes, de topless, pelos hotéis de Castries (capital da ilha) e até no Festival de Jazz, que costuma lotar a bela Pigeon Island, perto da agitada Rodney Bay, em abril e maio.

Maio, por sinal, marca o fim da melhor temporada para visitar Santa Lúcia, iniciada em novembro. Junho a outubro são meses de furacões no Caribe, mas o local não recebe muitos deles. A tormenta mais recente da ilha foi mesmo uma cantora de jazz, com voz poderosa e espírito rebelde, chamada Amy Winehouse.

 * O jornalista viajou a convite do Turismo de Santa Lúcia, com apoio da American Airlines e do Jade Mountain

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