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Roteiros gastronômicos

Conheça seis paradas obrigatórias para comer bem em Maceió

Camila Fróis e Fernando Angeoletto

Colaboração para o UOL, de Maceió*

15/09/2015 20h09

O dadinho de tapioca com queijo coalho na nata e bacon crocante do Restaurante Carne de Sol do Picuí não poderia abrir melhor um tour gastronômico pela capital alagoana. Em 2015, a cidade completa dois séculos de história. É a mais jovem do Nordeste, mas já ostenta tradições culinárias que merecem ser degustadas sem pressa em menus que te levam do mar ao sertão entre a entrada e a sobremesa.

Por trás do cobiçado cardápio do Picuí, por exemplo, está um acervo de seletos ingredientes regionais que ganharam a leveza da nova cozinha nordestina, sem perder a personalidade.

Nascido no semiárido nordestino, o premiado chef da casa, Wanderson Medeiros, já acumulava aos 8 anos os cargos de vendedor de picolé, depenador de frango e confeiteiro assistente da banqueteira mais famosa de Picuí, sua terra natal. Hoje, ele circula pelos principais eventos gastronômicos do Brasil e do mundo, como o Madrid Fusion, como uma espécie de embaixador do Nordeste. Na mala, não faltam a carne seca, a manteiga de garrafa, a pimenta rosa, o leite de coco, o coentro, a castanha de caju, o mel dos engenhos alagoanos, os queijos artesanais, entre outras iguarias que atestam suas inegáveis influências interioranas.

Nos pratos de Wanderson, estes ingredientes ganham uma estética apurada, em porções menores, mais elaboradas e muito aromáticas. Uma prova? Teste o queijo coalho dourado, coberto com tomate seco e manjericão e flambado à mesa com licor de laranja - só para abrir o apetite.

Wesley Menegari/Semptur
As tradicionais jangadas ainda são utilizadas na pesca artesnal em Maceió Imagem: Wesley Menegari/Semptur

Em Maceió, essa cozinha sertaneja reinventada - embora ainda marcada pelo clássico sabor da macaxeira e das carnes curadas - se encontra com o frescor dos ceviches do Wanchaco, primeiro restaurante peruano do País, e com o surrealismo do SUR, casa que mistura gastronomia e arte na cozinha contemporânea.

Intercâmbio gastronômico
Com o frescor da gastronomia alagoana, vem também um crescente intercâmbio cultural, já que, além da chegada de alguns cozinheiros gringos no estado, nos últimos anos, outros chefs maceioenses se formaram em universidades conceituadas da Europa, viajaram por diferentes destinos gourmet do mundo e voltaram trazendo a tiracolo influência mediterrânea, métodos franceses e muita criatividade.

Apensar das técnicas internacionais, em geral, as matérias-primas destes restaurantes são fornecidas por comunidades locais como o Pontal da Barra, um pitoresco bairro de rendeiras e pescadores, à beira da Lagoa do Mundaú. Exibindo o pôr do sol mais cênico de Maceió, o point merece uma visita com direito a degustação dos diversos frutos da lagoa, como sururus e massunins, em caldinhos regados a muito leite de coco.

Além dos rústicos botecos à beira da lagoa, o UOL Viagem reuniu seis paradas obrigatórias para quem quer desfrutar dos prazeres da mesa na capital alogoana. Confira abaixo as sugestões.

Divulgação/Akuaba
Polvo ao vinagrete, criação do restaurante Akuaba Imagem: Divulgação/Akuaba

Akuaba
O cartão de visita da casa é a apimentada gastronomia afro-baiana, apresentada com traços requintados no espaço gourmet Vera Moreira. Nele, o filho da dona Vera, o chef baiano Jonas Moreira, formado pela francesa Paul Bocuse, investe em tradições nordestinas e na cozinha litorânea, com destaque para as exclusivas ostras depuradas de Coruripe.

Entre os pratos "afro", o calulu é imperdível: camarões grandes cozidos com rodelas de quiabo e camarão defumado, temperado com azeite de dendê, castanha de caju, amendoim, cebola e gengibre. A combinação que faz referência ao tradicional recheio do acarajé prova que, além de extremamente saborosa, a culinária baiana pode ser um tanto quanto sofisticada.

ONDE: Av. Álvaro Calheiros, 6, Mangabeiras
www.akuaba.com.br

Felipe Brasil/Divulgação SUR
O Romeu e Julieta do restaurante SUR Imagem: Felipe Brasil/Divulgação SUR

SUR
A inventividade dos chefs Felipe Lacet e Sérgio Jucá e sua "cozinha alagoana criativa" não tem limites. Os amigos, que descobriram a paixão pelas panelas na Espanha, voltaram à terra natal com muita disposição para revolucionar alguns conceitos da culinária nordestina. Hoje, a proposta principal da casa é conferir um estilo contemporâneo às receitas regionais, que às vezes ganham uma estética quase surrealista.

Entre as divertidas criações do menu degustação está a tapioquinha de bacalhau. Apresentada na forma de rolinho em fatias, é recheada com creme de bacalhau e tintas comestíveis de pimentão vermelho e amarelo, azeitonas roxas, azeite alioli e ervas. As cores intensas são inspiradas na obra do artista plástico alagoano Delson Uchoa. Outra brincadeira dos chefs artistas com quitutes populares resultou no cachorro-quente de lagosta, que também é um sucesso da casa. Acompanha mostarda dijon, queijo prima donna e macaxeira-palha.

ONDE: Rua Professora Maria Esther da Costa Barros, 306, Jatiúca
www.surartegastronomica.com.br

Divulgação/Wanchako
Peixe curtido no limão do Wanchako Imagem: Divulgação/Wanchako

Wanchako
Dividido em vários ambientes à meia luz, o Wanchaco (tradução de Pueblo Libre) é certamente o espaço gastronômico mais original e um dos mais aconchegantes da capital alagoana. Nas paredes, as cortinas, cerâmicas e máscaras incas remetem à paixão da chef Simone Bert pela terra ancestral do marido e sócio, José Luiz.

Considerada uma veterana da alta gastronomia em Alagoas, ela abriu o primeiro restaurante peruano do País há quase duas décadas - em uma época em que no Brasil mal se sabia o que significava ceviche e a culinária dos hermanos estava longe do frenesi que vive nos últimos anos.

Hoje a casa é cobiçada não apenas pelo design arrojado e a alegria envolvente dos anfitriões, mas também pelas combinações delicadas e cheias de personalidade do menu. Além dos clássicos ceviches, temperados com muito aji, Simone investe também em variações da cozinha Nikkei, que mescla as tradições peruanas e japonesas, e se vale ainda de adaptações com ingredientes regionais.

Uma opção interessante para conferir essas influências é a lula recheada com arroz de shitaki acompanhada de filé de peixe em salsa levemente picante. O arroz de polvo também é bastante apreciado.

ONDE: R. São Francisco de Assis, 93, Jatiúca
www.wanchako.com.br

Divulgação/Picuí
Tapioquinhas de carne seca com queijo coalho e bacon do Picuí Imagem: Divulgação/Picuí

Picuí
Quando assumiu o comando do restaurante da família em Alagoas, o chef Wanderson Medeiros foi aos poucos apurando as técnicas que aprendeu com o bisavô, produtor de carne de sol, e a avó, quituteira. O resultado: Wanderson acabou surpreendendo os paladares mais exigentes.

Uma receita clássica que faz jus à fama sertaneja da casa é a carne de sol puxada na manteiga de garrafa, servida na abóbora com molho cremoso de queijo coalho. Para quem não abre mão dos sabores do mar, há várias opções litorâneas, como o siri perfumado (siri de coral refogado, com pimenta, leite e água de coco, servido com purê de batata-doce, aromatizado com hortelã).

Para a sobremesa, a sugestão do chef é o exclusivo sorvete de rapadura. O Picuí é único restaurante de Maceió localizado no bairro histórico do Jaraguá, que preserva um interessante casario secular.

ONDE: Avenida da Paz, 1140, Jaraguá
www.picui.com.br

Nide Lins/Divulgação Alphazema
O cordeiro braseado do restaurante Alphazema Imagem: Nide Lins/Divulgação Alphazema

Alphazema
Dedicado aos sabores do Mediterrâneo, um dos mais jovens restaurantes da capital oferece algumas variações interessantes à gastronomia regional, com saladas elaboradas, entradinhas saudáveis e os cobiçados pratos à base de cordeiro.

Em uma das opções, a carne passa por oito horas de cozimento no vinho e é acompanhada de cuscuz marroquino, legumes e a manteiga de ervas. O prato é uma das criações do chef Pablo Carvalho (formado pela francesa Le Cordon Bleu), que também investe em azeites aromatizados e interessantes refogados de legumes como acompanhamento para conferir mais elegância às criações. Também surpreendem os pratos com frutos do mar, como o conchiglione com recheio de siri ao molho de tomate e páprica.

As porções são bem servidas e o couvert é por conta da casa: focaccia com shot de gaspacho. A dica, porém, é conter a empolgação nas primeiras etapas, porque a sobremesa é um dos pontos fortes. A dúvida vai ser escolher entre o tiramisu, o brownie e o petit gateau com recheio supercremoso. As opções também são servidas na acolhedora cafeteria do restaurante.

ONDE: Rua José Luiz Calazans, 31, Jatiúca

João Schwartz/Divulgação Divina Gula
A costela na brasa do restaurante Divina Gula Imagem: João Schwartz/Divulgação Divina Gula

Divina Gula 
Com um jardim aconchegante e amplo, o Divina é uma ótima pedida para escapar do burburinho cercado por muito verde e acompanhado de uma boa dose de cachaça artesanal de entrada. Inaugurado ainda na década de 80, homenageia a terra natal do casal de mineiros que comandam o restaurante, André e Cláudia Generoso.
 
O clima de fazenda está nos detalhes impecáveis dos utensílios, artesanatos e cantinhos bastante charmosos, como o da coleção de cachaças. Como não poderia deixar de ser, o menu também faz jus às origens da dupla. Um destaque é a costela de boi desfiada e confitada na manteiga de garrafa, refogada com ora-pro-nobis, servida sob uma polenta mole feita com fubá de moinho de pedra e acompanhada de queijo meia cura. As comidinhas clássicas também fazem sucesso: tutu mineiro, frango com quiabo, torresmo, feijão tropeiro, angu e jiló na chapa. 
 
ONDE:Av. Eng. Paulo Brandão Nogueira, 85, Jatiúca
www.divinagula.com.br
 
*Os jornalistas viajaram a convite da Secretaria Municipal de Promoção do Turismo de Maceió

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