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Roteiros culturais

Barcelona e arredores são garantia de sol, cultura, praia e boa gastronomia

Adriana Ferreira Silva

Colaboração para o UOL, de Barcelona

11/09/2015 23h38

Não é necessário pensar muito para se convencer de que vale a pena conhecer Barcelona. Sol, praia, ramblas, monumentos históricos deslumbrantes, comida gostosa e gente bonita e simpática estão entre os atrativos que fazem da capital da Catalunha um daqueles destinos que bastam ao turista.

Uma vez ali, é difícil largar a boa onda para se arriscar por outras paradas, mas, com disposição e um mínimo de espírito aventureiro, vale a pena traçar um roteiro que inclua a vizinhança. Figueres, no interior, e Roses, na Costa Brava, são cidadezinhas encantadoras que garantem boas surpresas à jornada.

O período ideal para visitar a região, no nordeste da Espanha, é na primavera e no início do verão, quando os dias são longos e o calor ainda não está tão intenso, ou em setembro, mês de temperaturas amenas. O alto verão (julho e agosto) coincide com as férias dos europeus - que adoram "Barça"- e é preciso disputar um lugar ao sol com hordas de turistas. Quem dispensa o pé na areia, no entanto, encontrará opções charmosas de passeios também no outono e inverno.

O tempo destinado a cada uma das locações fica ao gosto do freguês. O mais adequado é guardar ao menos quatro dias para conhecer Barcelona e desbravar Figueres e a Costa Brava em outros seis (quatro deles para as praias). Por isso, é indicado fazer a rota completa de carro, a partir de Barcelona, o que permite otimizar os deslocamentos e tirar maior vantagem de cada parada.

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Comece por Barcelona
Chegando à capital catalã, basta calçar sapatos confortáveis e se preparar para bater perna pelas ramblas, que concentram a agitada vida cultural barcelonense. Nesses calçadões, o clima é sempre de festa, com intenso fluxo de curiosos que buscam explorar cada cantinho: dos bares que espalham suas mesas pela calçada às tendas de bibelôs.

Uma ideia para dar uma ordem à caminhada é criar tours temáticos. O primeiro, sem dúvida, deve ser dedicado ao arquiteto Antoni Gaudí, responsável por projetos como o da impressionante catedral A Sagrada Família, o parque e o palácio Güell, o complexo residencial La Pedrera e as casas Mila, Vicens e Batlló. O restante da rota pode ser dividida por bairros, incluindo o gótico, que abriga construções medievais; a Gràcia, polo gastronômico e cultural; e La Barceloneta, onde está a praia que foi remodelada para os Jogos Olímpicos de 1992.

A culinária espanhola, atualmente uma das melhores do mundo, merece uma agenda à parte, pois endereços badalados, como os bares e restaurantes dos irmãos Albert e Ferra Adrià, são concorridos e precisam ser reservados com antecedência. O bacana, contudo, é que mesmo as populares casas à beira-mar surpreendem, servindo paellas fartas e saborosas e frutos do mar suculentos por bons preços. Para acompanhar essas delícias, taças de cavas geladíssimas, nas versões branca e rosé, são um refresco nos dias de calor.

Rumo à terra de Dalí
Em 1h30 percorre-se os 140 km que separam a efervescente Barça da bucólica Figueres. A cidade de 45 mil habitantes entrou para a história como a terra natal do pintor Salvador Dalí, que criou ali um museu. A extravagante construção surrealista é o principal chamariz do local e atrai todos os dias centenas de visitantes.

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O prédio que abriga o Dalí Teatro-Museu foi inaugurado em 1974, no mesmo local onde, no século 19, havia um teatro, destruído no final da Guerra Civil Espanhola (1936-1939). O artista se apropriou dos destroços e usou todas as artimanhas de sua vasta imaginação para transformá-los num lugar extravagante, considerado por ele uma de suas mais importantes obras.

Os altos muros externos, que dão à instituição ares de uma fortificação da Idade Média, são recobertos por pequenas esculturas que representam os pãezinhos típicos da cidadela, ainda vendidos nas padarias de Figueres. Dentro, pinturas e esculturas em grandes dimensões, joias, rascunhos, fotos e outras relíquias fazem do passeio inesquecível, revezando momentos de contemplação a outros de interatividade e diversão.

O espírito de Dalí - e também o de sua mulher e musa, Gala - extrapolam as paredes do museu e espalham-se por toda a localidade, em homenagens oficiais ou nas dezenas de lojas que vendem lembrancinhas surrealistas.

Entre uma compra e outra, a cidade vai revelando seu encanto. Ruas estreitas desembocam em pátios e ramblas, cercadas por árvores, que convidam ao descanso. No comércio, há mercearias especializadas em presuntos ibéricos ou torrones, numa variedade que leva os fãs de gastronomia à loucura.

Como em Barcelona, comer bem em Figueres não é problema. Há opções populares em torno das ramblas, em casas que vendem tapas típicas (como o pão com tomates ou as tortillas), acompanhadas por cavas, e restaurantes mais sofisticados, mas com valores acessíveis. Para aproveitar tudo isso, dois dias são suficientes, incluindo um pernoite em um dos hotéis no centro.

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Praias da Costa Brava
Com o porta-malas forrado de torrones e bugigangas inspiradas em Dalí, é hora de retomar a direção ao mar, percorrendo os 20 km até Roses, uma das cidades que integra a Costa Brava. A praia está entre as mais populares da região, com diversas opções de hotéis, bares e restaurantes, e fácil acesso às vizinhas Empuriabrava, Cadaqués e Girona.

De seu passado como antiga colônia grega, o balneário guarda as ruínas da comuna de Rhodes, fundada em 776 a.C., que hoje estão dentro de um conjunto histórico batizado de Ciutadela. Esse flerte entre o moderno e o antigo reflete-se por todas as construções do lugar, de águas límpidas e tranquilas, procurado por quem gosta de velejar, praticar esportes como kite surf ou fazer caminhadas em meio à natureza, em parques naturais como o de Cap de Creus.

A escolha da hospedagem em Roses merece atenção, pois muda completamente a perspectiva que se tem da praia. Quem gosta de movimentação será feliz à beira-mar, no centro, área repleta de bares, restaurantes, lojas e atrações turísticas. Se a ideia é descansar ou fazer um programa romântico, a sugestão é buscar um dos hotéis nas encostas, com vista privilegiada e praticamente uma praia particular, pois não são muitos os viajantes com disposição para explorar toda a faixa de areia.

O que importa é se deixar levar pelo seu clima e paisagem encantadores, características que seduziram o chef espanhol Ferran Adrià a instalar no alto de uma das montanhas locais o restaurante El Bulli, eleito cinco vezes o melhor do mundo pela revista "The Restaurant" - recorde que pode ser quebrado pelo também espanhol El Celler de Can Roca, na vizinha Girona. A casa fechou em 2011, mas a placa indicando o caminho em sua direção continua lá, sinalizando a boa fama gastronômica do lugar, onde é possível comer bem numa das bodegas do centro ou em casas bem avaliadas por guias importantes, como o francês Michelin.

A atmosfera é tão agradável que dá vontade de encerrar a aventura por ali, sem explorar as outras belas praias da Costa Brava. Resistir à tentação, ao final, é a única dificuldade dessa viagem. 

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