Viagem

Roteiros para badalar

Turismo LGBT em Noronha: moradores da ilha indicam os melhores points

Eduardo Vessoni

Colaboração para o UOL, de Fernando de Noronha (PE)*

09/09/2015 19h29

Os tons azulados do mar, as trilhas selvagens e o melhor ponto do mergulho do Brasil já são belos atrativos, mas Fernando de Noronha oferece muito mais aos viajantes gays. A ilha é daqueles poucos lugares do País que conseguiu abrir o turismo para todos os perfis: há casais em lua de mel, famílias com crianças, jovens com orçamento mais apertado e, claro, o público LGBT.

O destino vem se firmando como gay friendly há alguns anos. Em qualquer lugar que se vá, de pousadas simples a praias isoladas, vai ter sempre alguém para reforçar o clima colorido da ilha, sem levantar, necessariamente, bandeira alguma. “Em Noronha, todo lugar é gay. A balada por aqui é misturada”, afirma o produtor cultural Pedrinho Noronha.

Tanto é que há alguns anos o local organiza a Love Noronha, festival que virou referência no universo LGBT. Com quatro dias de duração, a 4ª edição aconteceu em agosto de 2015. “O evento acabou virando um encontro entre ilhéus e turistas”, descreve Maria do Céu, empresária da noite gay de Recife e criadora da festa. Festa ao por do sol, rave e desfiles de moda fazem parte da animada programação.

Mas o que fazer por lá no resto do ano? O UOL Viagem esteve em Fernando de Noronha e selecionou as atrações e baladas recomendadas pelos próprios moradores locais para os turistas gays.

BALADAS
O Pico: Inaugurado em 2013, no bairro Floresta Nova, este é sem dúvida, o mais descolado dos bares de Fernando de Noronha.

Não só pela decoração arrojada, com caixotes de madeira e xilogravuras temáticas de Noronha assinadas pelo artista J. Borges, mas também pela programação cultural, como os encontros mensais de cinema (o último foi comandado pela atriz Carol Castro, em agosto) e a música ao vivo que atrai casais e o público jovem, aos domingos, das 20h às 23h.

Destaque também para a lojinha com artesanato nordestino, roupas de praia e fotografias do fotógrafo francês Patrick Muller que atraem não só clientes do restaurante. Saiba mais: www.opiconoronha.com.br

Patrick Muller/Divulgação
A rave LGBT no Bar Meio é uma das atrações gays durante o "Love Noronha" Imagem: Patrick Muller/Divulgação

Muzenza: Outra casa que ferve em quase todos os dias da semana é este bar, curiosamente localizado do lado da Igreja de Nossa Senhora dos Remédios, cuja parede lateral recebe projeções, aos sábados, de acordo com as apresentações que acontecem ali no vizinho.

O local não tem público exclusivo e varia de acordo com a programação de shows do dia. De terça e sábado, há MPB tocada ao vivo, em que os clássicos nacionais fazem a público assumir a pista em frente ao palco. Às quartas, é a vez do chorinho e do samba rock; e às quintas, acontecem as concorridas apresentações de reggae. O samba também tem vez, nas noites de domingo.

Para o esquenta pré-balada, a casa conta com uma cozinha discreta que funciona até às 23h, cujos destaques são as pizzas feitas com massa de mandioca. Nos finais de semana, a partir das 5h, baladeiros notívagos são recepcionados com café da manhã (R$10 por pessoa) com pães, bolos, sucos e frutas.

Bar do Cachorro: Inaugurado há quase 30 anos, este bar sobre um mirante com vista exclusiva para a Praia do Cachorro é uma referência no quesito balada de Noronha.

Para cada dia da semana, uma programação diferente, que vai desde festas temáticas com brega funk, como a surreal “Festa da Piriguete” que aconteceu em agosto, às sessões intimistas de chorinho, aos sábados, acompanhadas de feijoada.

A eclética balada inclui ainda maracatu, às segundas-feiras, às 22h30, forró, às quartas e sextas, e “forronejo”: mistura de forró e sertanejo, aos sábados.

A fama desse bar, segundo os próprios donos, é o público formado, harmoniosamente, por turistas e moradores locais. Não é raro encontrar por lá os mesmos ilhéus que prestam serviços turísticos durante o dia. Saiba mais: www.bardocachorro.com.br

Bar da Dice: Basta acabar a balada da Vila dos Remédios, no centro histórico da ilha, para começar a movimentação de táxis em direção ao bairro Três Paus.

É ali que funciona, apenas a partir das 2h do sábado para o domingo, aquela que podemos chamar de a mais underground das opções de balada de Noronha. O tecnobrega e outros sons populares rolam em altíssimo som sob um galpão instalado no quintal da noronhense Lenice, mais conhecida como Dice.

O estabelecimento, que serviu de cenário para o longa nacional “Sangue Azul” (de 2014, que tem Daniel de Oliveira no elenco), é o endereço mais famoso com pegada gay de toda a ilha e seu público inclui também casais e solteiros héteros.

Eduadro Vessoni/UOL
A Praia do Porto de Santo Antônio é considerada reduto gay aos domingos Imagem: Eduadro Vessoni/UOL

TRILHAS
Para quem quer fugir dos ambientes para “ver e ser visto”, cada vez mais comum na ilha, certas trilhas são obrigatórias. Sem falar no visual exclusivo e inusitado que certas caminhadas proporcionam aos mais dispostos, como a selvagem trilha longa da Atalaia, um roteiro de 6,2 km de extensão que margeia o Mar de Fora e passa por piscinas naturais para banho; e a exigente Trilha do Capim Açu, que passa pelo ponto mais extremo de Noronha e segue até a Praia do Leão, considerada a mais longa e difícil de toda a ilha, com 10 km, aproximadamente.

Visitantes com menos preparo físico contam também com versões bem estruturadas de trilhas feitas sobre madeira sintética, como os inocentes 320m de extensão que dão acesso ao mirante da Praia do Sancho e o da vizinha Baía dos Porcos.

PRAIA
Conhecida como o “Havaí brasileiro”, faixas de areia exclusivas, quase desérticas, e mar de tonalidades incríveis não faltam em Fernando de Noronha. Que o diga o título de “praia mais bonita do mundo” que a Praia do Sancho ganhou, pelo segundo ano consecutivo, de acordo com votação do site TripAdvisor.

Mas os habitantes locais dizem que a tranquila Praia do Porto de Santo Antônio, de onde saem as embarcações turísticas da ilha, é uma espécie de endereço gay, aos domingos. Isso sem deixar de ser um reduto para famílias e para ilhéus, que buscam o local devido às suas águas calmas e de pouca profundidade.

Criado em 1988, o Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha preserva ícones locais, como a Praia do Sancho e a Baía dos Porcos, os cartões-postais mais famosos do destino; as impactantes piscinas naturais da Atalaia, cujo tempo de mergulho livre é acompanhado pelos rígidos fiscais do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade); a familiar Praia do Sueste; e a isolada e deserta Praia do Leão, famosa pela desova e soltura de tartarugas marinhas, em certas épócas do ano. O Parque é administrado, desde 2012, pela concessionária Econoronha.

* O jornalista Eduardo Vessoni viajou a convite da Atlantis Divers (www.atlantisdivers.com.br)

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