Viagem

Ecoturismo

Neve no deserto? Região do Egito confunde turista com paisagens fantásticas

Marcel Vincenti

Do UOL, em Qasr al-Farafra (Egito)*

07/07/2015 09h12

Neva no deserto? Essa é primeira pergunta que o turista pode se fazer ao viajar pela região que cerca a vila de Qasr al-Farafra, no centro-oeste do Egito, e avistar, de longe, o principal cartão-postal da área: o Sahara al-Baida – ou, traduzindo do árabe, o Deserto Branco, dono de paisagens que parecem uma ilusão de ótica constante. 

O local, hoje um Parque Nacional egípcio, é uma área a aproximadamente 500 quilômetros do Cairo que mistura, em 300 km², as areias do norte da África com monumentos branquíssimos de calcário esculpidos pelo vento e que, com seus diversos metros de altura, podem assumir variadas formas aos olhos do visitante: um camelo aqui, um cogumelo ali, uma tartaruga entre eles.

E não é efeito de nenhuma substância que os beduínos colocam no chá servido ao turista: a paisagem da região é naturalmente alucinante. Ao final do dia, a luz do sol poente faz com que as formações rochosas brancas adquiram uma tonalidade violeta inacreditável. E com a chegada da noite, é hora de olhar pra cima: o céu é subitamente tomado por estrelas que dominam o campo de visão do forasteiro e, se a lua estiver cheia, o solo volta a ficar iluminado para o deleite dos presentes. 

Longe das pirâmides

O Parque Nacional do Deserto Branco é um tour cada vez mais popular entre as pessoas que visitam o Egito e que não querem restringir seus passeios a apenas templos faraônicos. Mas é preciso um certo fôlego para explorar o local: quase sempre feitas com agências turísticas, as expedições têm como ponto de partida, antes das seis da manhã, a cidade do Cairo. Para chegar ao Sahara al-Baida, são pelo menos seis horas de jornada, entre as paisagens poeirentas e vilas empobrecidas do território egípcio. 

Marcel Vincenti/UOL
Formação rochosa que parece um cogumelo marca a paisagem do Deserto Branco Imagem: Marcel Vincenti/UOL

Porém, ao entrar no terreno ondulante e montanhoso que cerca o Deserto Branco, é difícil lembrar de qualquer exaustão. O passeio é feito com veículos 4x4 e os motoristas, quase sempre nativos da região, fazem questão de mostrar ao forasteiro que conhecem cada palmo do terreno, realizando manobras de dar frio na espinha sobre as dunas e colinas do local. 

No campo de visão do viajante, irão aparecer as branquíssimas formações de calcário que dão fama à região, mas também cenários como o cartão-postal conhecido como al-Akabat, que exibe rochas de tonalidade ocre com dezenas de metros de altura que se parecem com corcovas de camelo. 

Não é difícil se imaginar em um destino extraterreno. "É uma sensação de estar na Lua, por conta das formações rochosas brancas", conta o viajante brasileiro Gabriel Pellegrino, de 22 anos, que visitou o Deserto Branco neste ano e que também destacou como ponto positivo da jornada "a hospitalidade dos beduínos que nos guiaram e a comida que eles prepararam".  

Marcel Vincenti/UOL
Turistas caminham entre as formações rochosas de al-Akabat Imagem: Marcel Vincenti/UOL

Os veículos que conduzem os turistas passam bem ao lado das esculturas naturais do Sahara al-Baida e param em mirantes onde o forasteiro pode relaxar com um copo de chá, ouvir as piadas dos animados guias locais e admirar o panorama, que inclui o oposto do Deserto Branco: o Deserto Negro (Sahara as-Suda), recheado de escuras pedras vulcânicas e que parece que acabou de sair de um incêndio. 

A paisagem é tão macabra quanto fascinante, e ainda fica relativamente perto da imponente Gebel al-Dist, uma montanha que (só para lembrar que o viajante está no Egito) exibe um formato de pirâmide. 

SERVIÇO

Há viajantes que exploram o Deserto Branco sozinhos, mas, devido ao isolamento da atração, é altamente recomendável que o passeio seja feito com guias turísticos, que podem ser contratados facilmente em agências que operam na região da Praça Tahrir, no centro do Cairo.

Um preço justo para o tour é 650 libras egípcias (cerca de R$ 270), que inclui o ônibus do Cairo para a vila de Qasr al-Farafra ou Bahariya, a locomoção com veículo 4x4, alimentação e uma noite de acampamento no deserto (o que é uma parte bem divertida da jornada). Um dos estabelecimentos cairotas que oferecem guias confiáveis é o Dahab Hostel, um hotel de baixo custo localizado perto da Praça Tahrir. O serviço costuma ser oferecido apenas para os hóspedes, mas é possível contratar o passeio mesmo não sendo um cliente do estabelecimento.  

O Egito se mostrou seguro para turistas quando a reportagem visitou o país. Porém, há atualmente um clima tenso entre o autoritário governo do presidente Abdel Fatah al-Sisi e grupos islâmicos, como a Irmandade Muçulmana, que pode gerar episódios violentos. Informe-se sobre a situação no Egito antes de realizar uma viagem à nação árabe. 

*O repórter Marcel Vincenti viajou ao Egito com o apoio da Turkish Airlines

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