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Badaladas, selvagens e familiares: Floripa tem praias para todos os estilos

Eduardo Vessoni

Do UOL, em Florianópolis

14/04/2015 15h02

A mais cobiçada das estações do ano já é passado (pelo menos até a próxima temporada de meses quentes), mas ainda dá tempo de encarar as faixas de areia das cerca de cem praias de Florianópolis. E mesmo na época de frio, moradores e visitantes podem ser contemplados com janelas de calor que surpreendem até quem já não esperava mais dias de praia.

Com uma temporada de dias quentes que vai de setembro a maio, o litoral da ilha de Santa Catarina é destino para todos os estilos de banhistas. E para cada um deles, um endereço diferente, ao longo dos quase 420 km² banhados pelo Mar de Fora e pela baía voltada para o continente.

Confira a lista das praias imperdíveis de Floripa para estender a canga ou fincar a prancha na areia (de acordo com a sua pegada) e corra para o Sul do Brasil, pois esta é sua última chance até a próxima temporada.

AS SELVAGENS

Naufragados: Com acesso apenas por barco ou trilha, a praia mais ao sul da Ilha de Santa Catarina recebe esse nome em referência aos diversos naufrágios que ocorreram na região, como a embarcação de origem açoriana que afundou no local, em 1753. O trekking bem marcado de 3 km começa em Caieira da Barra do Sul e termina em Naufragados, cujo mar é conhecido pelas ondas fortes.

Da Solidão: O nome já diz tudo. Situada entre a Costa de Dentro e o Saquinho, essa discreta faixa de areia marcada por águas calmas está isolada no extremo sul da ilha e é considerada uma das mais belas de Santa Catarina. É dali que parte a trilha até a Praia do Saquinho, uma caminhada marcada por costões e trechos de Mata Atlântica que também dá acesso à Praia de Naufragados.

Lagoinha do Leste: O esforço vale a pena, mas para chegar a essa atração escondida, no sul da ilha, é preciso encarar algumas das duas opções de trilhas que partem do Pântano do Sul (1h de duração) e da Praia do Matadeiro (3h), caminhadas por mata fechada, morros e chão irregular, que devem ser feitas com acompanhamento de quem conhece a região. Destaque para o mirante na metade do caminho que tem vista para o Pântano do Sul e para a Lagoinha; e o Morro da Coroa, outro ponto local com vista panorâmica da praia.

PARA PEGAR ONDAS 

Eduardo Vessoni/UOL
Na democrática Praia do Campeche, no sul da ilha, todas as tribos se encontram Imagem: Eduardo Vessoni/UOL

As melhores praias para surfe estão no leste da Ilha de Santa Catarina como Joaquina e Moçambique (considerada a mais longa da ilha, com mais de 12 km de extensão); no sul, como Morro das Pedras, Armação e Matadeiro. O norte também abriga trechos de águas agitadas para a prática do esporte como Ingleses, Brava e Santinho.

Campeche: Na democrática Praia do Campeche, no sul da ilha, todas as tribos se encontram nessa faixa de areia com 3,5 km de extensão que se popularizou sobretudo por conta da população crescente de visitantes no norte da ilha. O trecho do mar localizado em frente à principal entrada da praia, pela avenida Pequeno Príncipe, é mais calmo e ideal para famílias. Já as laterais são conhecidas pelo mar mexido, ponto de encontro de surfistas.

Praia Mole: Localizada na costa leste da ilha de Santa Catarina, um dos melhores pontos de surfe, a Praia Mole é o endereço dos surfistas (assim como a vizinha Joaquina), por conta de suas águas agitadas que garantem boas ondas e são cenário de campeonatos dedicados ao esporte. Frequentada por forasteiros e por moradores locais, é o endereço para ver e ser visto, uma espécie de “praia passarela”, como costumam dizer por ali. Este atrativo próximo ao centro se caracteriza pela areia fofa, praia de tombo e pouca concentração de residências.

AS BADALADAS 

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Praia Brava é destino para quem curte badalação e surfe Imagem: Eduardo Vessoni/UOL

O norte da ilha concentra os trechos de praias mais badalados e com melhor estrutura do destino para receber visitantes como Jurerê Internacional e Praia Brava. Com urbanização planejada e dona de exclusivos condomínios fechados de alto padrão, Jurerê tem acesso fácil e é conhecida como a “Miami brasileira”, uma espécie de praia passarela de Floripa equipada com boa estrutura de beach clubs, como são chamados os lounges pé na areia da região.

Surfistas e fãs do eletrônico tocado por Djs também marcam presença na Praia Brava, trecho de mar com águas agitadas e areia fina, no extremo norte da ilha, a 38 km do centro da cidade.

PARA CRIANÇAS

Praia da Lagoinha: Protegida por costões, essa praia de extensões discretas (760 metros) tem águas calmas ideais para viagens com família, no extremo norte da ilha. 

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Praia da Lagoinha tem 760 metros de extensão e é ideal para viagens com família Imagem: Eduardo Vessoni/UOL

Canasvieiras: Junto com Ponta das Canas e Cachoeira do Bom Jesus, essa praia da costa noroeste de Floripa forma uma longa sequência de areia que costuma ficar lotada, nos dias de sol. Destino preferido dos viajantes dos países vizinhos, Canasvieiras é uma espécie de revanche dos argentinos pelos anos de invasão brasuca em Buenos Aires, onde é possível encontrar até cartazes e serviços bilíngues.

As praias têm mar calmo e são procuradas para a prática de esportes náuticos. Nos meses de verão, prepare-se para uma bem organizada muvuca com congestionamento não só nas areias da região como também nas ruas lotadas de comércio.

O norte da ilha abriga também outras atrações ideais para famílias como Jurerê, Daniela, do Forte, Ponta das Canas e Cachoeira do Bom Jesus. Quem procura endereços mais isolados, o sul abriga praias como a do Pântano do Sul e Açores que, juntas, formam uma extensa faixa de 3 km.

DOS LOCAIS

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Praia do Matadeiro é uma das faixas de areia preferida dos moradores da costa sul Imagem: Eduardo Vessoni/UOL

Matadeiro: Conhecida também pelas ondas perfeitas para a prática de surfe, essa praia do sul da ilha de Santa Catarina é a faixa preferida dos locais que moram na costa sul. O final da praia dá acesso a uma das trilhas mais impressionantes da ilha, uma caminhada de 3h30 de duração que passa pela Lagoinha do Leste e Pântano do Sul, outros destinos isolados do destino.

Separada da vizinha Praia da Armação pela Ponta da Campana, essa atração natural com 650 metros de extensão costuma receber baleias, entre julho e novembro, e tem acesso pelo rio Quinca Antônio.

Barra da Lagoa e Ponta das Aranhas, nos extremos sul e norte da Praia de Moçambique, respectivamente, também abrigam faixas de areia frequentadas por moradores locais. A primeira é urbanizada e conhecida pela boa oferta de bares e restaurantes; já a Ponta das Aranhas, com acesso a partir de uma trilha que começa na Praia do Santinho, é famosa pelo cenário mais selvagem.

AS HISTÓRICAS

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Santo Antônio de Lisboa é a primeira vila de Floripa Imagem: Eduardo Vessoni/UOL

Santo Antônio de Lisboa: Localizada na costa oeste da ilha, a primeira vila de Floripa abriga construções de origem açoriana e preserva a primeira rua com calçamento de Santa Catarina, uma obra de 1845 para receber o então imperador do Brasil, Dom Pedro II.

Mais do que uma praia para banhos, de onde se tem vista da icônica ponte Hercílio Luz, o local é usado para a prática de Stand Up Paddle e caiaque, que podem ser alugados na faixa estreita de areia margeada por bares e restaurantes com comida típica como frutos do mar e gastronomia portuguesa.

Ribeirão da Ilha: Considerada uma das primeiras vilas da ilha, essa praia de águas calmas da costa oeste, a 27 km do centro de Florianópolis, é um dos mais concorridos polos gastronômicos de Santa Catarina, sobretudo por conta da criação de ostras, cuja produção local atende a mais de 70% da demanda da cidade e é considerada uma das maiores do Brasil.

Entre casinhas da época da colonização açoriana e lojas de souvenir, essa sequência de pequenas praias tem um quilômetro de extensão e se destaca por clássicos como o Ostradamus, restaurante local conhecido pela produção de ostras depuradas, como é chamado o processo de filtragem dos moluscos.

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Praia do Santinho tem areia batida e pouco mais de 2 km de extensão Imagem: Eduardo Vessoni/UOL

Praia do Santinho: Na alta temporada, a vista dessa praia pode frustrar, sobretudo por conta de um complexo hoteleiro local que destoa do cenário e do excesso de banhistas. Extremamente turística e invadida por argentinos, essa praia de areia batida e pouco mais de 2 km, entre as praias dos Ingleses e do Moçambique, abriga inscrições rupestres de quatro mil anos que formam um dos maiores sítios arqueológicos de Florianópolis.

Ilha de Campeche: Descrita por alguns locais como o “Caribe de Florianópolis”, esse santuário ecológico tombado pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) abriga um conjunto de inscrições rupestres de 5 mil anos.

Mas a fama vem mesmo de sua bela praia de areia fina e águas transparentes, ideias para a prática de mergulho. Traslados partem da praia da Armação, durante todo o ano, e da do Campeche, na alta temporada). Com acesso diário restrito a 400 pessoas, a ilha abriga também diversas opções de trilhas guiadas.

OUTRAS ÁGUAS

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Ciclista cruza o Parque Municipal a Lagoa do Peri, uma das atrações do sul da ilha Imagem: Eduardo Vessoni/UOL

Parque Municipal da Lagoa do Peri: Localizada próximo à Praia da Armação, essa área preservada de 20 km² é responsável pelo fornecimento de água do setor sul da ilha e abriga trechos de Mata Atlântica, rodeados por uma lagoa que funciona como praia de água doce, considerada a maior do gênero, em toda a costa catarinense.

Canal da Barra: Esse belo canal de 3 km de extensão, responsável pela desembocadura das águas da Lagoa da Conceição no mar, é um dos cenários mais simpáticos em todo o setor turístico de Florianópolis, onde visitantes costumam praticar Stan Up Paddle e caiaque, bem ao lado da Praia da Barra da Lagoa.
Vale parar em algum dos restaurantes às margens do canal para observar o ritmo descompromissado da região.

Sobre duas rodas: Lançado há dois anos, o “Volta à Ilha” oferece a oportunidade de dar uma volta completa pelos quatro pontos de Florianópolis, a bordo de uma bicicleta. Com 177 km de extensão e feito com acompanhamento de guias e carro de apoio, o roteiro é concluído em 4 dias e passa pelos principais atrativos naturais do destino, de norte a sul e de leste a oeste. As próximas saídas de 2015 acontecem em maio, julho, setembro e novembro. Saiba mais: www.caminhosdosertao.com.br

* O jornalista viajou a Florianópolis com o apoio da empresa Caminhos do Sertão Cicloturismo e da Pousada Natur Campeche

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