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Antiga meca da maconha, praia colombiana atrai turistas em busca de festa

Felipe Floresti

Do UOL, na Colômbia

14/04/2015 19h22

É difícil deixar Taganga. O pequeno vilarejo colombiano de pescadores vive cheio de turistas que utilizam a cidade como base ou parada antes de conhecer as praias paradisíacas e fauna e flora exuberantes do vizinho Parque Tayrona. É de se esperar, então, que as pessoas fiquem pouco tempo, certo? Errado. Conversando um pouco com os visitantes, percebe-se que ficam por semanas, e alguns até meses. Conhecendo um pouco o vilarejo já dá para entender o porquê.

Parte do distrito de Santa Marta, que fica a cerca de 15 minutos de distância por ônibus, Taganga é, assim como sua vizinha, um dos primeiros povos fundados pelos espanhóis quando chegaram às Américas. O local, porém, é habitado desde antes da chegada dos conquistadores pelo povo tagangueiro, que vive basicamente de pesca.

A história do povoado começou a mudar nos anos 70, época da chamada bonanza marimbera, quando os cultivos de cannabis sativa dominavam as montanhas da Serra Nevada de Santa Marta, e a praia de Taganga era utilizada para dar vazão à produção. A fartura atraiu muita gente para a cidade, até 1985, quando a bonança chegou ao fim.

Foi-se o tempo da fartura maconheira, mas o destino nunca mais saiu de evidência, atraindo cada vez mais gente por suas vastas belezas naturais. Foi nessa época que começaram a surgir os primeiros hotéis e albergues da cidade. Hoje Taganga ainda atrai muitos mochileiros, sejam eles europeus, de Israel ou da América do Sul. A maioria se dedica à venda de artesanato, música, pintura e malabares, transformando o povoado em uma rica mistura de culturas.

Felipe Floresti/UOL
Artesãos expõe seus trabalhos na rua principal de Taganga, a beira mar Imagem: Felipe Floresti/UOL

Outra herança do tempo da bonanza marimbera é a festa, que muitos apontam como o principal motivo para ninguém deixar a cidade. É no fim de tarde que ela começa, impulsionada pelo show de cores que todos os dias o pôr do sol democraticamente proporciona a visitantes e moradores locais. Vale a pena reservar um tempo para não fazer nada mais além de contemplar a suave descida do sol até as montanhas ou o mar da baía de Taganga.

Ali mesmo na beira da praia ou no calçadão começa o agito, com músicos de diversas partes do mundo se reunindo entre tambores e violões. Mais tarde, o caminho são as festas que acontecem em algum ponto da cidade nos sete dias da semana. Baladas como o Sensation e el Mirador, próximos da orla da praia, ou o Ganesh, são opções para quem gosta de música eletrônica e não se importam de estar cercados de turistas. Os estrangeiros que vivem na cidade, em geral, optam pelo Garage, com música variada e preços mais baixos.

Menos balada, mais natureza

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Peixe leão, espécie invasora, é muito comum durante os mergulhos nos arredores de Taganga Imagem: Felipe Floresti/UOL

Quem busca tranquilidade também tem sua vez. Apesar de pequena, com sua maioria de ruas de terra e casas residenciais, Taganga oferece boa estrutura turística. São diversos hotéis, pousadas e campings para todos os gostos e bolsos. Para comer, quiosques à beira mar e restaurantes, principalmente na rua da praia e na Calle 5, oferecem boas opções de cardápio, agradando inclusive os vegetarianos.

Os peixes são destaque da gastronomia local. O canto direito da baía de Taganga é dominado por barcos e lanchas. Alguns fazem o transporte de turistas a algumas das praias da região, no caribe colombiano, mas a maioria se dedica à atividade econômica mais tradicional entre os seus cerca de 3.000 moradores: a pesca. Às 5h da manhã saem os barcos que abastecem os restaurantes e casas da cidade com uma grande variedade de peixes frescos.

Agências de turismo estão por todos os cantos, com variadas opções de passeios para diversos pontos da Serra Nevada de Santa Marta, como Minca, Parque Tayrona e Cidade Perdida - uma espécie de Machu Picchu colombiana acessada por uma caminhada de 50 km. A grande atração de Taganga, porém, são os mergulhos. Várias empresas operam no povoado, com lanchas que levam a Isla de la Aguja, Punta de Granate, Bahía Concha, Gairaca e Neguanje, com grande diversidade de fauna e flora submarina, e excelente visibilidade. O preço baixo também é um diferencial.

Outra opção é caminhar até uma das muitas praias da região. Com um guia local, uma caminhada de cerca de duas horas cruzando as montanhas que envolvem Taganga leva a uma paradisíaca e deserta praia chamada Bonito Gordo, já dentro dos limites do Parque Tayrona. Com mar de águas transparentes, poucas ondas, arrecifes de corais e vegetação praticamente intacta, vale a pena o esforço e dedicar um dia da viagem.

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Praia de Bonito Gordo, acessada em uma caminhada de cerca de duas horas Imagem: Felipe Floresti/UOL

Mais perto, a Playa Branca é outra alternativa. Uma trilha localizada à direita da baia de Taganga te leva em 20 minutos a esta praia com água quase transparente e muitos peixes. Mas atenção: os turistas que optam por essa trilha, porém, são alvos constantes de assaltantes. Lanchas também levam á praia por cerca de 5.000 pesos colombianos (cerca de R$ 6).

Caso queira ir caminhando, é recomendável juntar um grupo grande de pessoas e levar o mínimo possível de bens materiais. A mesma regra serve para caminhadas noturnas pelas ruas de terra distantes da orla, ou no lado direito da praia, que durante a noite, sem os pescadores, ficam praticamente desertas.

O excesso de turistas gera grande desigualdade entre os tagangueiros e estrangeiros, trazendo todos os seus problemas à tona. Também não adianta contar muito com a polícia, inoperante quando o problema envolve os pertences dos turistas. Portanto, todo cuidado é pouco para não deixar que os dias no paraíso se transformem em pesadelo. Se o problema era ir embora, uma minoria de delinquentes pode deixar o desafio mais fácil.

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