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Rota no Equador tem praia mais bonita do país e ave de pata azul

Felipe Floresti

Do UOL, em Montañita, no Equador

16/03/2015 19h01

Do dia para a noite um pequeno povoado no litoral do Equador se transforma. Assim que acabam as festas natalinas, a relativa tranquilidade hippie de Montañita e seus mil habitantes do litoral equatoriano acaba. Uma horda de turistas invade a cidade em busca do que ela tem de melhor: a festa.

É verdade que boa parte chega pelo esporte. Antiga aldeia de pescadores, o vilarejo ganhou notoriedade quando surfistas descobriram a qualidade de suas ondas. São consideradas as melhores do país. Em seguida chegaram os hippies, que encontraram um refúgio de tranquilidade, habitantes amáveis e contato com a natureza, deixando a liberdade enraizada em Montañita. A mistura deu certo e transformou o lugar em uma espécie de Ibiza sul-americana, com astral hippie e muitas baladas, embora bem menos ostensiva que a irmã europeia.

A música eletrônica ecoa por todo o centro do povoado. Apesar do grande número de albergues e hotéis, os únicos que dormem são os milhares de passarinhos que se empoleiram nos fios elétricos. São diversos bares e baladas que apostam na música alta para atrair os turistas. Hospedagens mais afastadas são alternativa para quem espera ter uma noite de sono. Existe ainda uma ruazinha cheia de barracas de bebidas e coquetéis, mais ou menos como a passarela do álcool de Porto Seguro.

Sara y Tzunky/Creative Commons
Malabarismo com fogo é tradição em Montañita Imagem: Sara y Tzunky/Creative Commons

A temporada atrai também quem chega à cidade para trabalhar. A economia dolarizada do Equador se junta ao baixíssimo custo de vida do país, principalmente nos vilarejos menores como Montañita, atraindo pessoas de toda América do Sul. Artesãos, músicos e malabaristas ocupam ruas e calçadas, dando um colorido especial à cidadezinha. Tradição em Montañita, apresentações de malabares com fogo começam a toda hora pelas ruas do centrinho ou dentro das baladas.

A mistura cultural se completa com o grande número de mochileiros, sendo muitos europeus e americanos, que exploram a América do Sul e têm Montañita como parada obrigatória. A temporada alta, que começa pouco antes do fim do ano, vai até o Carnaval. No meio do ano é quando as melhores ondas chegam às praias de Montañita, fazendo crescer o número de surfistas que chegam ao vilarejo, mas nada que se compare a explosão de turistas do verão. No restante do ano, apesar das baladas, artesãos, músicos, malabaristas e passarinhos continuarem por ali, o ritmo da cidade diminui, voltando ao estilo hippie de levar a vida.

Rota do Sol

Quando a festa cansar, não vai faltar lugar para fugir em busca de tranquilidade. Distante cerca de três horas de Guaiaquil, Montañita fica na Rota do Sol (ou Rota Spondylus, como também é conhecida), uma estrada que liga Salinas, a primeira praia próxima de Guaiaquil, seguindo rumo norte até Manta, onde fica o maior porto do Equador. No caminho, diversas praias oferecem atrações para todos os gostos. 

Felipe Floresti/UOL
Praia de Ayampe é bastante procurada por surfistas Imagem: Felipe Floresti/UOL

Salinas, até pela proximidade com a cidade mais populosa do Equador, é o principal balneário do país, com hotéis de luxo, lojas e muitos prédios à beira mar. São nos pequenos vilarejos do trajeto, porém, que se esconde o verdadeiro charme da rota. Apesar de serem muito simples, a praxe é encontrar agradáveis prainhas com restaurantes econômicos que servem peixes recém fisgados pelos pescadores locais. 

Ayangue, aproximadamente uma hora ao norte de Salinas, é um exemplo. Pequena vila de pescadores, fica na beira de uma baía de águas tranquilas repleta de barcos. De lá partem excursões de mergulho até os arredores da ilha Pelado. Apesar de não ter uma vasta vida marinha, fruto de anos de pesca predatória (faz apenas dois anos que se tornou reserva natural), é comum cruzar com gigantes tartarugas marinhas que passam por lá.

Mais ao norte, Ayampe (não confunda com Ayangue) é o reino da tranquilidade. Lugar favorito dos surfistas que buscam alternativa à interminável festa de Montañita, apresenta, além de boas ondas, rara beleza, com lago, rio, aves e muito verde, algo raro na paisagem seca desta parte do litoral equatoriano.

Pouco mais ao norte, Puerto Lopez é ponto de saída para passeios até algumas ilhas da região. Em Salango, o barco contorna a ilha, que fica bem próxima da costa e pode ser vista já da estrada, com observação de aves, parada em uma praia deserta e direito a um curto passeio de caiaque. É possível encontrar lobos marinhos passeando por lá. 

Yassef/Creative Commons
O Albatroz de patas azuis é um dos curiosos habitantes da Isla de La Plata Imagem: Yassef/Creative Commons

A Isla de La Plata é outra opção de passeio. Conhecida como pequena Galápagos, a ilha, que faz parte do Parque Nacional de Machalilla, é um santuário para aves marinhas, com destaque para o curioso albatroz de patas azuis. O tour padrão pelo local percorre uma trilha de três quilômetros, sempre com a companhia de um guia. Ainda é possível observar golfinhos, lobos marinhos e dizem que, com muita sorte, orcas. De junho a outubro é temporada de baleias na costa do Equador, que podem ser avistadas da própria ilha e com tours que partem de Puerto Lopez.

Para completar o roteiro, vale uma visita à Los Frailes, que é considerada a praia mais bonita do Equador. Também parte do Parque Nacional Machalilla, é acessada pela Rota do Sol, meia hora ao norte de Puerto Lopez. Para chegar à praia ainda é preciso percorrer um caminho de cerca de dois quilômetros parque adentro, que pode ser feito de moto-taxi, ou a pé, opção bastante difícil com o sol forte e pouquíssima sombra.

A praia de areia branca e águas tranquilas parece mais uma grande piscina azul-clara, formando um contraste interessante com a paisagem avermelhada. Caminhando para o lado direito da praia encontra-se uma trilha que leva a um mirante e a outras duas praias. É difícil escolher qual a mais bonita. Essas têm ondas mais fortes e pedras que criam um cenário único.

Vale destacar que a Rota do Sol, assim como a maioria das estradas equatorianas, se apresenta em excelentes condições, apesar de ter apenas uma pista em cada sentido. Para fazer a rota, pode-se alugar um carro já em Guaiaquil, ou seguir em transporte público. Os ônibus equatorianos são bons e muito econômicos.

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