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Ao sul de Buenos Aires, El Calafate é a Patagônia que ostenta

Eduardo Vessoni

Do UOL, em El Calafate

11/03/2015 19h12

Ostentação parece ser a melhor palavra para descrever El Calafate, três mil quilômetros ao sul de Buenos Aires. Não só por conta dos visitantes que se exibem - entre casas de madeira, boutiques e restaurantes com preços elevados - nessa espécie de Campos do Jordão patagônico, mas também pelos números que envolvem seus atrativos naturais.

Localizada a sudoeste da Província de Santa Cruz, na margem sul do lago Argentino, o destino é a porta de entrada para o Parque Nacional Los Glaciares, onde repousa o imponente glaciar Perito Moreno e seus paredões de gelo com 60 metros de altura, 258 km² de extensão e cenário para caminhadas surreais gelo adentro.

Nesse cenário foram gravadas as primeiras cenas de “Sete Vidas”, novela da Globo dirigida por Jayme Monjardim. A história mostra um oceanógrafo solitário em uma arriscada expedição arriscada rumo à Antártica. Mas o que a TV apresentará como o continente gelado, é, na verdade, El Calafate.

O local abriga ainda sítios arqueológicos com pinturas rupestres de milhares de anos e a estrada mais longa da Argentina, uma via rústica de cinco mil quilômetros, entre a Patagônia e a fronteira com a Bolívia, no distante norte indígena do país.

A Patagônia argentina, uma área de mais de 930 mil km², é formada pelas províncias de La Pampa, Neuquén, Río Negro, Chubut, Santa Cruz (onde se localiza El Calafate) e a cobiçada Tierra del Fuego, conhecida por abrigar uma das cidades mais austrais do mundo, Ushuaia. Conheça, abaixo, algumas das atrações de El Calafate.

Parque Nacional Los Glaciares: É o primeiro parque nacional da Argentina e fica a 80 km de El Calafate, cuja principal atração é o glaciar Perito Moreno

Ao longo dos 350 km da Cordilheira Austral, no limite com o Chile, destaca-se o famoso Perito Moreno, glaciar imponente com paredões gelados de 60 metros de altura e uma fachada de cinco quilômetros.

Eduardo Vessoni/UOL
Perito Moreno tem paredões de gelo de até 60m de altura e fachada de 5km de extensão Imagem: Eduardo Vessoni/UOL

Patrimônio da Humanidade pela UNESCO desde 1981, este parque oferece acesso fácil ao glaciar, a partir de passarelas em diferentes níveis que bordeiam o Lago Rico. O destaque é a ruidosa e impressionante ruptura do gelo, marcada pelo desprendimento de imensos blocos pressionados pela força das águas locais.

Com 258 km² e considerado o único glaciar estável de todo o parque, o Perito Moreno pode ser visto também em passeios de barco conhecidos como Safári Náutico, em que o visitante navega pelo Lago Rico e fica de cara com os paredões de gelo. Saiba mais: www.losglaciares.com

Trekking no gelo: Para elevar o nível de adrenalina, visitantes mais intrépidos encaram caminhadas sobre o Campo de Hielo Patagónico, considerada a maior área de gelo do mundo depois da Antártica.

O cenário é o glaciar Perito Moreno, onde é possível realizar o minitrekking moderado de 1h40 de duração (de agosto a maio) por trilhas e canais verticais de água de degelo; e o Big Ice (de setembro a abril), uma caminhada de quase 4 horas pelo centro do glaciar, onde é possível avistar lagoas azuladas, canais conhecidos como 'sumideros' e cavernas de gelo.

Ambas opções são finalizadas com alfajores e uísque, servidos com gelo retirado dali mesmo, em pleno Perito Moreno. Saiba mais: www.hieloyaventura.com

Museo de Hielo Glaciarium: Nada mais normal que, em plena terra dos glaciais, um museu faça homenagem ao gelo.

Este centro de interpretação, considerado um dos poucos espaços do mundo dedicado à glaciologia, oferece experiências interativas relacionadas aos glaciais da região. O espaço cenográfico, com 2.500 m², se destaca pela fachada com referências geométricas aos blocos irregulares de gelo.

Um dos destaques do museu é o bar no subsolo. Os clientes são recebidos a uma temperatura de 10 graus negativos em um ambiente onde todos os móveis são feitos de gelo: de copos a mesas, e até mesmo as poltronas. Saiba mais: www.glaciarium.com

Eduardo Vessoni/UOL
Para elevar o nível de adrenalina, visitantes encaram caminhadas sobre o glaciar Imagem: Eduardo Vessoni/UOL

Reserva Ecológica Laguna Nimez: A apenas um quilômetro de El Calafate, essa reserva de 35 hectares serve de habitat para 80 espécies de aves como patos, flamingos e cisnes de pescoço preto.

O circuito completo ao redor da Laguna Nimez dura 1h30 e é autoguiado por vias demarcadas. Fica aberto diariamente, das 9h às 19h e tem entrada paga.

Calafate Mountain Park: Este complexo de entretenimento de verão e inverno abriga atrações como passeios em quadriciclos 4x4, travessias de caiaque no Río de Las Vueltas, rafting em El Chaltén e a "Aerosilla del Balcón”, teleférico com um quilômetro de extensão até o topo do Cerro Huyliche, de onde se tem vista panorâmica de atrações como os cerros Fitz Roy y Torre. Saiba mais: www.calafatemountainpark.com

Ruta 40:A viagem de ônibus com três dias de duração pela Patagônia é uma das experiências aventureiras das distantes terras geladas, onde se localiza a mais extensa estrada argentina.

A clássica Ruta 40, uma via de 5 mil quilômetros que liga o sul do país com a fronteira da Bolívia, no norte, pode ser percorrida entre Bariloche e El Calafate em ônibus turísticos. Os veículos fazem paradas estratégicas em atrativos da Patagônia, como a Cueva de las Manos e o vilarejo de El Chaltén.

Com deslocamentos diários de até 14 horas, esta é uma viagem para quem não tem pressa e não se importa com o incômodo de ficar sacolejando em estradas de cascalho que cruzam longos trechos de estepe patagônica. Dá até para fazer uma paradinha não programada para ver pequenos grupos de guanacos cruzando a estrada. Saiba mais: www.chaltentravel.com

Cuevas del Walichu: Situado a apenas 8 km de Calafate, às margens do Lago Argentino, este sítio arqueológico abriga as primeiras pinturas rupestres de Santa Cruz, feitas, aproximadamente, há quatro mil anos.

Eduardo Vessoni/UOL
A trilha mais popular de El Chaltén é a da Laguna de los Tres Imagem: Eduardo Vessoni/UOL

Pertencentes ao Paleolítico, as pinturas se destacam por suas colorações em tons de preto, branco, vermelho, amarelo e ocre.

El Calafate serve também como ponto de partida de um dos mais impressionantes atrativos da província de Santa Cruz.

Declarada como Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO, a Cueva de las Manos também vale ser visitada. Este sítio arqueológico com 600 metros de arte rupestre dos índios tehuelches abriga mais de 800 inscrições de mãos, representações de animais patagônicos e imagens abstratas feitas, aproximadamente, entre 13 mil e 9.500 a.C.. Saiba mais: www.cuevadelasmanos.org

El Chaltén: Declarado 'Capital Nacional do Trekking', este povoado de 500 habitantes é um dos assentamentos populacionais mais recentes da Patagônia. Foi fundado em 1985, com fins políticos, em uma região marcada, naquela época, por disputas territoriais com o vizinho Chile.

Localizado no Parque Nacional Los Glaciares, este povoado abriga trilhas bem sinalizadas e com diferentes graus de dificuldade. Entre eles, a Laguna Torre: circuito com nove horas de duração (ida e volta) e vista panorâmica do cerro Torre e do Fitz Roy, monte com 3.405m de altura.

As trilhas de El Chaltén são autoguiadas e os visitantes não precisam contratar guias.

O destino conta com caminhadas mais leves, como a trilha do Mirador Monte Fitz Roy (1h30 de duração e com poucas elevações) e a do Chorrillo del Salto (1h de caminhada pelo bosque até uma cachoeira de 20m de altura).

Porém, a trilha mais popular é a da Laguna de los Tres, uma caminhada de cinco horas até os pés da sequência rochosa formada pelas montanhas Poicenot, Rafael Juárez e as agulhas pontiagudas do Fitz Roy.

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