menu
Topo

Viagem

Roteiros para descansar

Perto de Cancún, Tulum refresca turistas com mar azul-turquesa

Danielle Pergament

New York Times Syndicate

12/12/2014 06h00

A boa notícia é que, em Tulum, você ainda não pode jogar o papel higiênico no vaso. O encanamento, assim como o clima ameno e a obstinada população de iguanas, está firmemente enraizado na identidade dessa cidade que fica a 1,5 hora ao sul de Cancún. A verdade, porém, é que nem uma infraestrutura meia-boca afasta os turistas, o que me leva à outra notícia, não tão boa assim: se você não esteve em Tulum nos últimos anos, sorte sua porque ela é bem maior do que parece. Hoje ela tem três elementos em que ninguém apostava: trânsito, multidões e restaurantes com listas de espera. Mas não se desespere; de fato, a cidade (não é mais um vilarejo) está mais animada que nunca. A praia ainda é deslumbrante, as ruínas continuam no mesmo lugar, a comida ainda é apimentada e autêntica (e, para quem quiser, há tesouros bem distantes das atrações mais populares). Abaixo, veja um roteiro para curtir o balneário em 36 horas. 

SEXTA-FEIRA

17h - Fila para o jantar
A menos que você tenha chegado à cidade em um tubo a vácuo, deve ter recebido mil recomendações para jantar no Hartwood Tulum. Só que a fila para entrar se arrasta por duas horas. Se fosse um desavisado, chegaria, olharia para a multidão e bateria em retirada. Meu conselho: não faça isso. Melhor chegar bem cedo. A casa não possui aparelhos elétricos, com exceção de um único liquidificador – ou seja, praticamente tudo é picado e moído a mão, grelhado e/ou assado no forno à lenha. Com isso, o chef Eric Werner pode assar um peixe inteiro com cebolas e ervas em uma noite e preparar polvo com batata, pimenta e mostarda refogada na seguinte. O salão é aberto, assim como a cozinha, com lâmpadas de citronela para iluminar e criar o clima (jantar para duas pessoas, sem bebidas, sai por volta de 600 pesos ou cerca de US$45, com o dólar a 13 pesos).

SÁBADO

9h - Cores locais
O Zamas, mistura de hotel, bar e restaurante, brilhante e colorido, é o centro de Tulum. Estar na cidade implica comer no Zamas, ficar no Zamas, beber no Zamas ou simplesmente aproveitar as mesas e cadeiras de teca rosas, azuis e amarelas do Zamas. A melhor hora do dia para estar lá é de manhã, quando a areia da praia ainda está fofa, as ondas são pequenas e há pouca gente. Peça um cappuccino e huevos rancheros – ovos fritos com feijão preto servidos na tortilla crocante de milho (café da manhã para dois, 250 pesos). Assim que as lojas começarem a abrir e as ruas a lotar com os editores de moda a caminho da aula de ioga, é hora de ir embora.

David Freid/The New York Times
Turistas praticam ioga sobre pranchas nas águas do balneário de Tulum Imagem: David Freid/The New York Times

11h - Serviço público
Não me interessa se a água do mar da Córsega é quentinha ou se a areia de Maui é fofa; em termos de praia, as de Tulum certamente impressionam até o esnobe mais empedernido. Sem contar que a água é límpida como a de um aquário e tranquila até para os bebês. Siga de carro (ou, melhor ainda, de bicicleta) para longe da avenida principal, rumo ao Hotel Mezzanine; deixe a magrela ali ao lado e desça pela trilha estreita que leva até a praia. Há grandes chances de ter o trecho todo só para si. Leve bastante água e protetor, dois artigos que podem ser encontrados em qualquer lugar.

13h - Praia secreta
Todo destino turístico tropical tem um "lugar secreto" que o pessoal local não quer alardear. Em Tulum, é o Chamico's, um café à beira da praia tão charmoso que você vai jurar que já o viu em algum filme (não viu, não). Naturalmente a casa não tem telefone, nem site, nem endereço. Para chegar lá, saia da rodovia principal, entre em uma estradinha de terra (fique de olho na placa do Jashita Hotel) e vá até a Baía Soliman. Ao passar pelo guarda da guarita improvisada, dê uma olhada tipo, "eu sei o que estou fazendo". Passe pelas mansões cinematográficas e vá até o final do caminho. Pegue uma das mesas de plástico sob uma das palmeiras e acomode-se por ali. As opções do cardápio são peixe frito ou ceviche do que tiver sido pescado de manhã, acompanhado de uma cerveja Sol gelada. No Chamico's, só há duas regras: pagamento, só em dinheiro vivo e não espalhar para os amigos.

16h - Pausa para as compras
Com o número cada vez maior de editores de moda e stylists em Tulum, cresce também o número de locais onde se pode gastar. O mais difícil é estacionar (e se prefere caminhar e/ou andar de bicicleta, a hora é agora). Se não, vá de carro para o restaurante Hartwood e estacione entre duas palmeiras que não sejam marcadas pelo sinal de "Proibido Estacionar". Todas as lojas estão perto umas das outras: a Mr. Blackbird é minúscula e oferece bijuterias elegantes, sandálias de couro e xales incrementados. Do outro lado da rua, a Josa Tulum oferece vestidos de verão em estampas vibrantes. A Hacienda Montaecristo é a opção para quem quer bolsas, blusas e vestidos boêmios com detalhes em couro. Caso não se interesse por roupas, aproveite sua recém-descoberta paixão pelo mescal na La Tente Rose Mexican Wine & Spirits, loja de bebidas onde as garrafas ficam dispostas como se fossem obras de arte.

19h - Beba um drinque
É bem possível que os drinques do Gitano saiam mais caros que o jantar. Esta é a nova Tulum, o tipo de lugar em que é perfeitamente razoável caminhar no meio do mato com um sapato de salto doze. Quando meu marido e eu estivemos lá com amigos, a bebidas para quatro (uma rodada só, veja você), mais uma porção de guacamole, pico de gallo e molho de semente de abóbora saíram por 700 pesos (cerca de US$53). A verdade é que você vai pagar tanto para ficar só ali, como para bebericar os coquetéis da casa. Pegue uma mesa meio próxima do globo estroboscópio – nem que seja só para vê-lo pulando nas folhas das palmeiras o que, além de divertido, é surpreendente.

David Freid/The New York Times
Cenotes (cavidades naturais dentro da caverna) marcam a região de Tulum Imagem: David Freid/The New York Times

21h - Febre da selva
Tudo em Tulum fica perto da praia ou da selva, e nenhum estabelecimento na mata é mais rústico que o Restaurare. As mesas são distribuídas sob a copa das palmeiras, tão luxuriantes que dá até para pensar que você morreu e foi parar na Ilha dos Birutas. A cozinha aberta serve apenas pratos da culinária maia, ou seja, local e vegana. Os donos, Karla Yoana Gonzales Madrazo e José Roberto Terrazas Jimenez, mudam o cardápio sazonal, mas se tiver sorte, vai poder provar o ceviche de shimeji preto e curry maia com leite de coco (jantar para dois sai por volta de 700 pesos).

DOMINGO

8h30 - Ioga na praia
Ir a Tulum e não fazer uma aula de ioga na praia é o mesmo que ir à Toscana e não beber vinho. Ela está em todo lugar; não dá para fugir. Um dos locais mais tranquilos para a prática é no Maya Tulum. Depois de se inscrever, é só descer a trilha na areia para o estúdio. Um aviso: não se deixe enganar pela calma do(a) professor(a). Quando você pensar que ele(a) é espiritual demais para valer o exercício, vai perceber que todos os músculos do seu corpo, do lóbulo da orelha para baixo, estão tensos – mas sob a palapa tropical, com a brisa do mar soprando e a luz inundando o ambiente, fazer a saudação ao sol é mais uma questão de gratidão e menos de exercício.

11h - Na caverna dos morcegos
A Península de Yucatán está cheia de cenotes (cavidades naturais dentro da caverna) que variam de pequenos e claustrofóbicos a imensos e claustrofóbicos. Quem tem filhos vai gostar de Aktun Chen, combinação de cenote, reserva de vida selvagem e tirolesa. Peça ao seu guia (você vai conhecê-lo ao chegar porque ninguém vai às cavernas sozinho) um passeio curto (uma voltinha só pelas cavernas sai por cerca de US$33/adulto e US$16,50/criança. O programa todo, caverna-cenote-vida selvagem sai por US$102). Claro que ele vai tentar convencê-lo a fazer a maratona toda, mas bata o pé e faça o que eu fiz: aponte para os seus filhos e dê de ombros (gesto universal para "O que eu posso fazer?"). Se levar 30 minutos no passeio ainda dá para ver os morcegos e atravessar a ponte subterrânea, que é de dar calafrios.

13h - Observação de tartarugas
As praias de Tulum são impecáveis, mas para conferir a ação debaixo d'água, vá para Akumal. A vinte minutos pela costa, Akumal é a prima menos boêmia de Tulum e sua praia pública é ampla, limpa e cheia de quiosques vendendo quesadillas caras. Bem no meio fica o Akumal Dive Center, que oferece várias opções de aulas grupais – se bem que duvido que ninguém tenha ficado em uma praia, com uma dúzia de estranhos torrados pelo sol, de nadadeiras e snorkel, prestes a entrar na água, sem se sentir um tantinho ridículo. Para evitar o mico, meu marido e eu alugamos o equipamento (US$18 pelas nadadeiras, máscara, snorkel e colete salva-vidas), ignoramos a aula e seguimos o conselho de um guia: "Nadem à direita". Aí passamos a hora seguinte seguindo uma tartaruga marinha para lá de simpática na baía minúscula – até que ela finalmente mergulhou mais fundo e nos deixou, provavelmente para ficar com a família. E nós fizemos o mesmo.

Mais Roteiros para descansar